37a. Rodada do Campeonato Brasileiro

Times incompetentes! Assim poderá se definir o Brasileirão deste ano. Nesta rodada, o São Paulo dependia apenas de si para manter-se na liderança e ser campeão na última rodada (domingo que vem), mas viu o Goiás jogar com a faca nos dentes e vencer por 4 a 2 - que, aliás, já havia engrossado contra o Flamengo, no Maracanã, semana passada. A goleada do despretensioso time goiano para cima do Tricolor coloca uma pulga atrás da orelha dos torcedores: Por que o Goiás, diferentemente do ano passado, queria tanto vencer o São Paulo? Brio, amizade por outros clubes ou a boa e velha 'malinha' branca (às vezes preta)?

O fato é que assim como o Flamengo na rodada passada, o Palmeiras em vários jogos nos quais foi líder, o Atlético que teve muitas chances de assumir a ponta e agora não tem sequer chance de ir à Libertadores (pior: vê o rival Cruzeiro à sua frente e com chances de fixar-se no G4), e o próprio Internacional que tem um excelente time, talvez o melhor tecnicamente, e andou tropeçando - embora ontem tenha vencido de virada o último colocado, o rebaixado à várias rodadas, Sport Recife e luta ainda pelo título - o São Paulo também falhou. Quantos times incompetentes este ano, hein?!

Analisando os jogos da última rodada - que serão disputados todos no mesmo dia e no mesmo horário, às 17 horas do próximo domingo - o Flamengo está com a bola na marca da cal para sagrar-se campeão brasileiro de 2009. O Mengão provavelmente não terá de volta Adriano, já que o 'imperador trapalhão' cortou o pé na sexta-feira passada (andando de moto no jardim de casa?) e está vetado pelo departamento médico rubro-negro, mas tem disputa marcada para o 'Maraca', que certamente estará lotado, contra o Grêmio. Dificilmente o Tricolor Gaúcho não entrará em campo com o 'pé mole', pois vencer o Fla significa ajudar o arque-rival Internacional a ser campeão. Colorado campeão? Jamais, dirá o torcedor gremista. Isto é mais ou menos o que ocorreu ontem, quando o Corinthians, descaradamente, 'entregou' o jogo para os flamenguistas fazerem 2 a 0. Os corintianos vibraram assistindo o rival São Paulo dando adeus à liderança.

Sinceramente, não vejo mal algum nisto. A rivalidade é sadia e um torcedor não quer ver seu 'inimigo' próximo ter mais títulos que o clube do coração. Sempre foi assim! Assim como também sempre houveram os 'moralistas de plantão' que criticam e analisam os jogos como se times de futebol fosse uma máquina de calcular e não mexessem com a paixão das pessoas.

Haja sempre clubes rivais, clubes 'co-irmãos', 'malas', desconfianças, desavenças, emoção e alegria! Viva o Campeonato Brasileiro, porque é brasileiro mesmo!




O Fluminense está dando a maior queimada de língua da história da crônica esportiva. Tirando seus torcedores que jamais perderam a esperança (verde, branca e grená), ninguém acreditava, lá pelo meio do campeonato, que o Flu saísse ileso da zona de rebaixamento - inclusive eu, que derramei uma triste lágrima naquele jogo que o Tricolor perdeu para o Fla no 'Maraca'; ali eu não acreditava mais, mas o Fluminense sempre acreditou em si próprio porque João de Deus nunca o abandonou.




Entretanto, o gigante Botafogo Futebol e Regatas entrou, depois de muito tempo, na zona da degola. O Fogão apanhou ontem de um concorrente direto na fuga da Segunda Divisão, o Atlético-PR. 2 a 0 para o Furacão, fora o baile.

Ainda assim o Bota só depende de uma vitória simples contra o Palmeiras no Engenhão, no Rio. O problema é que o Palmeiras - do craque Diego Sousa que ontem, no Palestra lotado, fez um gol antológico pegando de bate-pronto na bola e chutando-a de trivela do meio do campo - , ainda que a inconstância palmeirense tenha prevalecido neste campeonato, o Verdão luta pela vaga na Libertadores e até pelo título, dependendo da combinação de resultados. O outro jogo importante e decisivo na parte de baixo da tabela é Coritiba x Fluminense, quem perder esta peleja corre sério risco de deixar a elite do futebol nacional.

Façam suas apostas, mas cuidado: um garçom morreu ontem ao cair do 3º andar de um prédio ao comemorar um gol do seu time de coração. Pois é, o futebol está cada vez mais perigoso...


Por Ricardo Novais




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*Fonte: Site do Globo Esporte.

A Maior Derrota do Santos FC (?)

Ontem presenciei dois torcedores alvi-negros travando calorosa discussão. Eles acusavam um ao outro de maior vítima dos seus respectivos times do coração: Santos Futebol Clube e Sport Club Corinthians Paulista. Percebi que enquanto um citava a época do tabu de mais de 20 anos sem derrotas para o rival, o outro retrucava com a já histórica goleada de 7 a 1 (num jogo estranho onde o time do Parque São Jorge, 777 venceu o clube da Vila Belmiro por um vexatório placar elástico).

Mas dali a pouco o santista, provavelmente numa pesquisa pronta em sua cabeça, já que parecia bem jovem, começou a enumerar jogos com placares de 8 a 1; 8 a 2; 7 a 2 e por aí vai...

Porém, ocorreu o senão daquela discussão futebolística entre os dois amigos, os 11 a 0 que o Corinthians aplicou nos santistas no longínquo ano de 1920.

Corinthians e Santos são os clubes grandes mais antigos do Estado de São Paulo, um foi fundado no dia 1 de setembro de 1910 (ano que vem é o centenário do clube); já o time da Vila mais famosa do mundo é datado de 14 de abril de 1912 (neste dia foi também o afundamento trágico do transatlântico Titanic, diziam os cronistas que a fundação do Santos FC ofuscou a busca por informações da catástrofe ocorrida em alto-mar onde morreram muitas pessoas - no mundo só se falava do nascimento do glorioso Peixe!).

Sendo assim, como os dois fazem o clássico mais antigo destas bandas, há muitas histórias. Santos e Corinthians, por si só, já é sempre mais lenda do que fato, mais fábula do que notícia, mais literatura do que história. Neste 'Confronto dos Alvinegros', como os cronistas antigos denominaram o clássico, o Corinthians tem 119 vitórias, o Santos venceu 94 duelos e aconteceram 83 empates; isto em, até a presente data, 295 jogos disputados. Por certo que os números crescerão e podem inverter-se, como já ocorreu durante a incrível história desta batalha de titãs do futebol paulista. De modo que a rivalidade cresce mais a cada dia...



Imagem rara da época; memória do Clássico mais antigo do futebol paulista.

De volta a um dos primeiros capítulos deste confronto de inimigos que se respeitam, no dia 4 de julho de 1920, os dois clubes jogaram pelo Campeonato Paulista. Durante muitos anos, Eduardo Taurisano foi o juiz mais odiado pela torcida santista.

Já bem no início deste jogo, ele não marcou dois pênaltis em Arnaldo Silveira e anulou gol de Millon. Em compensação, validou os três gols do Corinthians em claro impedimento, segundo a crônica da época.

Na etapa final, depois de desprezar outros três pênaltis em favor do Santos, a polícia montada teve que entrar em campo.

Reiniciado o jogo, Taurisano expulsou o ponta de lança santista o acusando de incomodar os policiais. Depois marcou um pênalti inexistente para o Corinthians. O goleiro Randolfo perdeu a paciência e foi expulso também. Para o seu lugar foi Cícero Ratto. Gambarotta cobrou: 4 a 0. No lance seguinte, Cícero que, lembrem-se bem, a esta altura era o goleiro pôs a mão na bola dentro de sua área, Taurisano marcou pênalti e expulsou Ratto. Gambarrota cobrou para o gol vazio: 5 a 0.

A partir daí os jogadores santistas começaram a fazer pênaltis propositais, nervosos iam diretamente nas pernas dos jogadores corintianos, pensando inclusive que o time do Parque São Jorge estava mancomunado com o juiz - não há provas, mas isto pode sim ter sido bem possível.

Bilu, grande jogador do Santos, foi expulso e houve briga generalizada. Em seguida, os atletas peixeiros, enfurecidos em campo, por protesto e para tentarem recuperar a calma, davam as costas à bola, e os gols dos mosqueteiros foram saindo.

No total, cinco jogadores do alvi-negro praiano permaneciam em campo, nenhum do Corinthians foi expulso neste jogo, que terminou aos 21 minutos do segundo tempo com o placar de 11 a 0 para o Corinthians.

A revolta dos jogadores, torcedores e da diretoria do Santos FC foi tão grande que eles abandonaram o Campeonato Paulista daquele ano.

Mas o Santos Futebol Clube viveu outros momentos, bem mais gloriosos e felizes, no Estádio Urbano Caldeira, a mágica Vila Belmiro.




Por Ricardo Novais
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* Fonte: Federação Paulista de Futebol; Sport Club Corinthians Paulista - Web Site Oficial; Santos Futebol Clube - Web Site Oficial; Livros: Dicionário Santista, José Roberto Torero, 2005, Rio de Janeiro, Ediouro; e O Grande Jogo, Celso Unzelte e Odir Cunha, 2008, São Paulo, Editora Novo Século.

Alta Voltagem

A chuva que castiga a cidade deu uma trégua. Perfeito! Mais de 70 mil pessoas, recorde no Brasil este ano, foram ao delírio assistindo o show do AC/DC no estádio do Morumbi, em São Paulo. Pena que tenha sido a única apresentação dos endiabrados monstros do hard rock por terras 'brazucas'. Aliás, não entendo: os australianos farão mais shows em território argentino do que em nossos domínios. Com tantos fãs espalhados pelo Brasil, seria interessante mais um show por aqui e poderiam descontar dos nossos 'hermanos'. É, mas aí já seria muita acidez mesmo para o saudoso Bon Scott...

A banda nasceu da influência de George Young - em meados da década de 1960 era um astro na Austrália à frente de um grupo chamado Easybeats. George é o irmão mais velho de Malcom e Angus Young que, por volta de 1974, formaram o AC/DC.

O nome da banda foi retirado de um termo que define dois tipos de corrente elétrica, Alternate Current e Direct Current (Corrente Alternada e Corrente Direta). O AC/DC sempre teve uma formação mais alternada, quer dizer, inconstante. Eles tocavam em pequenos bares de sua cidade natal, Sidney, e começaram a se destacar no cenário local, sendo que em 1976, o grupo já havia gravado dois álbuns, High Voltage e T.N.T..


O público roqueiro australiano havia se rendido àquele som simples e selvagem que a banda apresentava. Nessa época, a formação estava estabilizada, com Angus Young (guitarra solo), Malcom Young (guitarra base), Phill Rudd (bateria), Mark Evans (baixo) e o ex-motorista da banda, o maluco Bon Scott (vocal).

O AC/DC enfrentou vários problemas para alcançar o sucesso no mundo do rock, principalmente por causa da Inglaterra. Por este tempo, os ingleses dominavam o cenário heavy rock mundial e, ainda por cima, tinha surgido na terra da Rainha um movimento que se notabilizou rapidamente por várias regiões do planeta, o punk rock.



Mas, se o punks eram feios e agressivos, o som do AC/DC era uma versão esporrenta de Chuck Berry, e também seus integrantes eram feios e encardidos - o que fazia com que os autralianos não devessem em nada a John Lydon e sua turma.

Alcançaram o sucesso. Highway To Hell (Auto-Estrada Para o Inferno), uma das obras-primas do rock em todos os tempos, foi uma ironia para cima do 'hino hippie' Stairway To Heaven (Escadaria Para o Céu), dos britânicos Led Zeppelin. No entanto, desta 'piada' surgiu a fama de adoradores do diabo, e grupos católicos e protestantes começaram a perseguir a banda.





Coincidência ou não, Bon Scott estava bebendo demais. Sua paixão desvairada pela trinca sexo, drogas e rock n' roll havia chegado ao máximo. Em 19 de fevereiro de 1980, no auge do sucesso, o cantor morreu em coma alcoólico.

Como último registro de Scott ficou um filme rodado na França, Let There Be Rock, que traz o grupo tocando o seu som-primal, intercalado e 'diabólico'.





Embora substituído a altura por Johnson, o alucinado Bon Scott faz muita falta ao mundo do rock n' roll.


Estátua do cantor em Fremantle, Austrália




Quando tudo parecia acabado e dava a impressão que o AC/DC viraria apenas lenda entre cultuadores de hard rock (ou simplesmente de furioso rock n' roll, já que eles assim se classificam), um fã, de Chicago, nos EUA, enviou uma carta a banda recomendando Bryan Johnson, um inglês que tocava num grupo chamado Geordie (banda muito boa bem ao estilo da primeira fase do hard rock). Ele deu conta do recado e a volta por cima veio de forma direta e pesada com o álbum Black In Black. A obra saiu maravilhosamente destruidora, contudo, representava luto. Embora ainda estivessem abalados com a morte do amigo Scott, o AC/DC fez um disco de primeira com porrada do ínicio ao fim.








Depois vieram muitos outros álbuns clássicos, tiros de canhão (que devido a problemas com as leis, foram substituídos e representados por sintetizadores), sinos gigantes sendo martelados em palco, bolas enormes quebrando tudo, troca de integrantes e muitos shows antológicos como, por exemplo, os feitos no lendário Marque Club, casa inglesa que serve de palco para shows históricos; e também o Rock In Rio, a primeira versão do maior festival de rock do Brasil.




Em 1986, o AC/DC lança Who Made Who, trilha sonora do filme Maximum Overdrive, baseado num livro de Stephen King, escritor norte-americano considerado o mestre do terror autor, entre outros, de Cemitério Maldito, O Iluminado, Conta Comigo (filme extraordinário) e Um Sonho de Liberdade. King já morreu, mas também era fã do AC/DC.



Cenas do filme Maximum Overdrive com trilha do AC/DC





Ballbreaker, de 1995, foi um álbum que ouvi muito em minha adolescência; é um clássico! Stiff Upper Lip foi lançado no ano 2000, e é um bom disco também. O último álbum da banda é Black Ice, e deste trabalho fundamenta a turnê mundial que tem como tema um virtual trem do rock n´roll e que trouxe o AC/DC ao Brasil... e a Argentina.





Já ia esquecendo, o Nazi, ex-Ira!, abriu o show; hein? Mais uma furada de bola das produções brasileiras, o artista 'brazuca' não tem muito haver com o som do AC/DC, principalmente na atual fase. Vai ver foi imposição do São Paulo Futebol Clube, alguém do Tricolor bateu o pé: "Só tocam aqui se tiver algum são-paulino", chamaram o Nasi. É Paulão (dos Velhas Virgens), pessoal do Baranga, até a galera do sul, Cachorro Grande, e a do Rio, o velho e bom Barão Vermelho, não foi desta vez... Pelo menos não chamaram o Angra de novo, como em 1996 no show do AC//DC no Pacaembú; banda ácida e primal de rock n' roll não combina com os agudos do metal melódico.




Eles começaram com Rock n' Roll Train, uma das faixas do novo álbum. O set list soube dosar as canções novas com uma saraivada de clássicos. Começando com Black in Black, primeiro grande momento da noite e passando logo depois por Dirty Deeds Done Dirt Cheap e Thunderstruck, uma das preferidas do público.





Depois veio The Jack (Angus simulou uma espécie de striptease), aí é possível perceber bem claramente como o blues é um ingrediente fundamental na receita do AC/DC. Há notícias de que quando eles tocaram You Shook Me All Night Long, vários dos fãs se empolgaram e passaram mal sendo retiradas do gramado. Na furiosa Let There Be Rock, Angus Young mostrou todo seu talento num longo solo.




Outro ponto alto, segundo o público, foi a gigantesca boneca inflável que surgiu no palco durante a música Whole Lotta Rosie. Foi uma variação, é verdade, da personagem que havia aparecido no show anterior do grupo no Brasil, em 1996.




Por falar nisto, o AC/DC não é uma banda dada a invenções. Aparentemente, havia um aparato pirotécnico gigantesco, com uma locomotiva enorme no fundo do palco, locomotiva, os tradicionais tiros de canhão, uma passarela que atravessava quase que todo o gramado do Morumbi e queima de fogos no final do evento. Mas o que entreteve e fascinou o público que assistiu a apresentação, tomando aquele vento gelado no rosto, foi mesmo o som.




Sem chuva no 'Morumba', a platéia consagrou o AC/DC. Angus Young, demonstrando todo talento que Deus (ou o diabo) lhe deu e também que ainda tem preparo físico invejável apesar de tantos anos de rock n' roll, completamente endiabrado, balançando a cabeça epilepticamente e correndo de um lado para o outro, foi espetáculo à parte! Quem estiver na auto-estrada indo para o inferno, vá! Mas vá escutando a velha Gibson CG!




A galera pediu... e no bis: Highway to Hell.







Por Ricardo Novais

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* Fonte: Além dos amigos e das pessoas que assistiram ontem o show do AC/DC no Morumbi, consultei os sites Show AC/DC, Uol Música e Revista Rolling Stone. ** Também consultei arquivo pessoal da extinta Rádio 97 FM, de Santo André/SP. *** Imagens de amigos, de vídeos de divulgação e do Youtube.

Cidade Chuva


Como chove!
É chuva de água,
Ou de vento?
Se chove tanto,
Que chova tudo!



Mais chuva de vento,
Mais chuva de pensamento.




Chove do céu,
E a vida passa.
Venta a ideia,
Venta a verdade.
Se fosse arrastado para o céu,
Ou seria uma brisa,
Ou seria engano.
Mas não chove no céu, enxugam...
E torcem bem, com um cândido pano.
.

O sol não conversa com a tempestade?
Não, é muito arrogante e vaidoso,
Sempre quer uma verdade...
Também não gosta do ar rarefeito,
Vive do brilho de um espelho.

Mas se ele é tão quixotesco...
.

Isto é um poema?
Não, não, não!

Não mesmo, seria muita pretensão.
Mas se fosse, seria da chuva.
Chuva que leva a vida,
Mas que lava o pensamento,
Aquele, igual ao vento!

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Por RICARDO NOVAIS

Império da Mediocridade Republicana

No Rio de Janeiro, capital do Segundo Império Brasileiro, fediam o Imperador, a Imperatriz, as princesas, os duques e condes, viscondes e arqueduques, enfim, toda a corte da Quinta da Boa Vista tinha aspecto nauseabundo.

As ruas fediam a estrume, os pátios podres de mijo, as escadarias tinham odor da madeira estragada que não era enviada à Metrópole Lusitana; havia fezes de ratos por todo lado; as cozinhas, exalavam couve estragada e gordura velha; estagnados sem ar, as câmaras eram mofadas; os aposentos, os lençóis, os travesseiros, tudo era seboso; os colchões de pena ficavam úmidos do suor sujo dos homens que mal tomavam banho uma vez por semana; e o odor de azedo afetava as narinas que aproximavam-se dos penicos e das latrinas; os calçamentos eram decorados com merda.

Bandeira Real do Segundo Império Brasileiro.


Os homens suavam como porcos e suas roupas não eram lavadas; a boca vazia das mulheres fedia a dentes estragados, o estômago à cebola e a queijo vencido; e o corpo, quando já não se era mais bem moça, tinha cheiro de bacalhau deteriorado ou a leite azedo; todos no reino tinham doenças infecciosas.

Época da Regeneração do Rio, feita pelo prefeito 'verme' Pereira Passos


Fediam o povo e o sacerdote, o pecador e o gerente da casa bancária, o empreendedor da casa de pólvora e a dama da alta sociedade fidalga, o aprendiz e a mulher do mestre, fedia toda a nobreza. Os duques, como animal de rapina; as marquezas, como cabra velha.


O povo e a nobreza em pedição de miséria moral.
Fedia todo o Império, de norte a sul, do Atlântico às missóes espanholas, tanto com brisa do mar como com calor do sertão, tanto no verão quanto no inverno, montados a cavalo ou carregados pelo tílburi. O grande reinado era infestado de insetos, febre amarela, varíola, peste e toda espécie de maldição. Pois a degradação social e moral foi a marca do Brasil daqueles tempos; talvez, ainda seja...


Panorama triste, por volta de 1898, já na 'florescente' República.


Mas foi neste século XIX, sob estas condições nojentas e parasitárias, que viveu no País um homem que pertenceu à galeria dos mais geniais e dos mais desprezíveis da história deste povo. Ele chamava-se Benjamim Constant...


Bandeira Nacional da República Federativa do Brasil a tremular.


Tudo era ruim, podre, falso, repugnante, fético, extremamente malcheiroso; mas não há nada por estas bandas que não possa ficar pior... E ficou!


Consequência da reforma 'burguesa' do ínicio do século XX, no Rio.


Se hoje ele não é tão lembrado como outros geniais monstros como Vargas, por exemplo, e seu nome caiu no esquecimento, é pela sua arrogância.

Constant era exímio militar de carreira. Como tal, tinha desprezo pela raça humana, a imortalidade, era extremamente vaidoso e se concentrou na formação da República Positivista de cordeirinhos adestrados, sem criatividade autêntica e desconhecedora da própria identidade. Influenciado pelas ideias 'galicistas' de liberdade e também por teorias detestáveis de Arthur Gobineau - autor de Ensaio Sobre a desigualdade das Raças, tido como a bíblia da Era do Rascismo Científico Moderno - Benjamim Constant apregoou o 'ideário' militar ogro e cheio de pensamentos preconceituosos contra o povo civil (em alguns aspectos contrariando o próprio "mestre" do mundo das regras e das ordens, o filósofo francês Augusto Comte).

Foi este militar vaidoso e político conspirador que articulou, traiçoeiramente, o grande movimento que culminou na Proclamação da República. Isto o que ele fez, nada mais.

O importante foi o mérito pessoal, a vanglória, o nome gravado nos livros de história e nos quadros de homens poderosos. O povo brasileiro, suas origens, suas vontades, suas crenças, sua concepção de fé na vida, nada disso foi levado em conta; foram apenas peças de um presepinho montado bem longe, lá para os lados da Tijuca ou além Engenho.


Moradias 'destorcidas' de parte do povo carioca, 3º Milênio.


Benjamim Constant foi o grande embrião desta nossa sociedade, pedantemente plagiadora e genialmente hipócrita.

Sentiu-se injustiçado pela recém-formada classe republicana bajuladora e viciada nos mesmos costumes do velho regime. Também foi atraiçoado. Frequentemente, mudam-se as roupas, mas as 'virtudes' ficam empregnadas no corpo, no modo de vida do homem.

Assim, morreu. Benjamim Constant morreu de doença grave à época, mas virou nome de rua, de praça, de escola positivista que, hodiernamente, influência as leis, as ordens, a Carta... O mestre sabia que seus discípulos formariam esta nossa sociedade 'galiscista dos trópicos'.

Contudo, plagiando mais um verme da história desta Nação, desta vez da área das letras, o poeta Olavo Bilac, que, comentando os textos do inigualável Augusto dos Anjos que havia acabado de fenecer de angústia, disse o seguinte: "Este era o poeta, este era o poeta? Pois então fez bem ele em morrer!". Então, por fim - para não angustiar mais a querida e tão prudente dona leitora, assim como para não revoltar o distinto cavaleiro que neste momento está aí a ler tais lamúrias, ainda porque é muita escrita para pouca vida - também eu faço o mesmo singelo protesto: São estes os brasileiros? São estes os 'franceses' pedantes que somente dissiminaram o caos e fome a este sofrido povo? Pois fizerem bem eles em morrer!


Pátria Amada, 25 de Novembro de 2009.



Por RICARDO NOVAIS

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* Esta crônica é um ponto de vista pessoal e de total responsabilidade de seu autor. Foi inspirado na história do Rio de Janeiro do século XIX; no Brasil monárquico; no Brasil atual; e o pano de fundo são os poemas de Augusto dos Anjos, tão injustiçado pela sociedade 'europeizada' de seu tempo que não soube reconhecer o talento deste genial pensador e poeta da angústia humana; também influenciado pelos textos do escritor Raul Pompéia; e baseado nos 'adjetivos odoríficos' que aparecem no livro O Perfume, do 'magnifique' escritor francês Patrick Suskünd.
* As imagens são de divulgação e foram retiradas nos seguintes web sites: www.arquiteturabrasileira.com; www.rio.fot.br; www.bricabrac.com.br; www.memoriaviva.com.br; www.diariodorio.com; www.almacarioca.com.br.
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Opressor "Uraniano"

O governo brasileiro estendeu tapete vermelho ao ditador iraniano Mahmound Ahmadinejad, anapluro social internacional que nega a existência do Holocausto (extermínio de mais de 6 milhões de judeus indefesos pela Alemanha nazista).

Há uma ingenuidade, para não dizer outra coisa, do presidente Lula ao argumentar que a visita de Ahmadinejad elevará a projeção da diplomacia brasileira.

O governo, cada vez mais mal aconselhado pela banda aloprada que comanda sua política externa, defende as honras de Estado e dá palanque a um homem que ceifa a vida de seu próprio povo, que é patrocinador do terrorismo internacional e um monstro desprezível que nega a existência de um dos fatos mais tenebrosos e horríveis já acontecidos na face da terra: o sofrimento do povo judeu pelo regime "cientificista" anti-semita de Adolfo Hitler e de seus aliados nazi-fascistas.

Este opressor iraniano, tão bem quisto entre alguns brasileiros, é acusado ainda de deter reservas de urânio em seu país. Uma mente doente, como a do líder do Irã, ter disponível um material tão perigoso como este é uma afronta à humanidade e pode ter graves consequências.
O Presidente do Irã critica os EUA por sua postura exclusivista apoiando Israel na 'Guerra Santa'. Ahmadinejad odeia o povo israelense. Por extensão, também odeia todo o povo ocidental.
Nenhuma guerra, por mais insana que ela seja, justifica a falta de humanidade com aqueles nos quais temos desavenças ou diferenças (ainda que extremamente vitais, de convicção de verdade ou conceito de sociedade. Nem na guerra mais 'justa' nem na guerra mais suja pode-se quebrar um código de honra simples: respeito ao inimigo, por pior que ele seja.
Olho para um senhor de 89 anos, Anastácio Staneslavo, de cadeira de rodas, polaco de ascendência judia, morador do bairro de Botafogo, no Rio, chorando e decepcionado com o País que lhe acolheu depois que ele - juntamente com pequena parte da família que conseguiu se salvar, todos apenas com as roupas do corpo e a própria esperança, nada mais - fugindo de sua terra invadida por tropas nazistas, abrigou-se aqui para puder criar, com a alegria que lhe restou, os filhos, os netos e os bisnetos.

Desgraçadamente, o Brasil está tripudiando sobre o orgulho de 'Seu' Anastácio, e também sobre a memória de homens e mulheres, crianças que nem mesmo chegaram a vingar porque foram enterradas numa cova rasa nazista, e de todo um povo guerreiro, inocentes que cruzaram o Atlântico para tentarem a sorte numa terra estrangeira e acabaram por ajudar a construir esta Nação, com a aparência de democrática, na qual vivemos hoje - ao menos por enquanto ainda parece que é democrática... Ou não?
Uma saudação a todos judeus do mundo inteiro, em memória de todos os que morreram no holocausto ou fugindo dele e especialmente à alma dos que deram a vida para honra de seu povo no 'Levante de Varsóvia!'




Por RICARDO NOVAIS
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Fontes de pesquisa desta crônica: * As imagens são de divulgação.* Informações: História Geral, Editora Michalany, Curitiba-PR, 1986; Blog de jornalismo da Mia Palenza; arquivo do site do jornal O Estado de São Paulo; e da Revista de História da Biblioteca Nacional.

36a. Rodada do Campeonato Brasileiro

Eta, campeonato confuso! Quase 100 mil - 100 mil! - espectadores no 'Maraca', e o Mengão decepcionou. Flamengo apenas empatou com o Goiás num terrível 0 a 0. Pet de bola parada, sempre ele, foi o jogador mais ativo dos rubro-negros. Pouco para arrancar a liderança do Brasileirão do São Paulo, que, no mesmo Rio de Janeiro, mas no Engenhão, perdeu para o Botafogo num jogo eletrizante de duas viradas. Prevaleceu o AlviNegro de General Severiano, 3 a 2 (dois golaços do bom, mas tonto, Jóbson que foi expulso de campo pelo juiz (pra que tirar a camisa na hora de comemorar o gol? Burro!). Ainda assim o Tricolor do Morumbi é o líder isolado da competição.

Há coisas que só acontecem mesmo ao Botafogo, já dizia o jargão. 'Tentando' 'ajudar' o Fla, o Bota 'prejudicou' o Flu, que venceu o Sport, lá em Recife, por 3 a 0 com show do craque argentino Conca. E nesta semana o Tricolor vai à Quito, no Equador, jogar a primeira partida da final da Sulamericana contra a LDU, mesmo adversário da final da Libertadores do ano passado (aliás parabéns aos jogadores brasileiros, que no meio de semana, jogando a classificação para a final da Sulamericana, demonstraram que são muito aguerridos. Quebraram o 'pau' no 'Maraca' contra os paraguaios do Cerro Portenho; avante Flu!). Mas no Brasileirão, na verdade, Fluminense x Botafogo, o 'Clássico Vovô' - o jogo, entre clubes grandes, mais antigo do País - tristemente os dois batalham num confronto que não honra as suas próprias tradições: lutam para fugir de novo vexame sendo rebaixados à segundona. Que João de Deus abençoe os tricolores, mas não se esqueça dos botafoquenses.






Já em Minas Gerais, confronto direto. Atlético e Internacional lutaram num jogo de '6 pontos' e deu Colorado, 1 a 0, em pleno Mineirão. A torcida atleticana vaiou vários jogadores, incluindo o lateral Thiago Feltri que foi o mais castigado. O outro grande de Minas continua na briga pela vaga na Libertadores, o Cruzeiro arrancou um empate fora de casa diante do desesperado Atlético Paranaense, 1 a 1 na Arena da Baixada, em Curitiba.

Por falar na cidade de Curitiba, o Coritiba Football Club, que este ano completou 100 anos de muitas glórias, corre sério risco de salvar os cariocas do rebaixamento e se afundar nas trevas do rebaixamento. Jogou na Vila Belmiro - opa, estou de olho, hein, já estou sabendo que o Teixeira não quer 'largar o osso' mesmo. Como é que pode isto? É presidência 'Ad Eterna'? - e o Santos venceu o Coxa por 4 a 0, mas poderia ter sido 7 a 0 que não seria nenhum absurdo; e que gol maravilhoso fez o menino Neymar, hein? Gol de moleque bom de bola! O tradicionalíssimo Coritiba tem confronto direto com o Fluminense na última rodada; seja o que Deus quiser...

Lutam também para fugir da degola Santo André, ainda respirando por 'aparelhos', e o Náutico - que venceu o Corinthians por 3 a 2, em pleno Pacaembu; Ronaldo jogou, jogou bem, fez gol, perdeu outro por puro preciosismo de craque, mas ele tem crédito no Timão e com o torcedor amante do bom futebol. Vitória tem 47 pontos; aí vem Atlético-PR, Coritiba, Botafogo com 44; Fluminense com 42; Santo André e Náutico aparecem com terríveis 38 pontos; todos estes estão na mesma briga, uns com mais chances, outros com menos, por causa dos confrontos diretos que haverão entre eles. Já o Sport Recife não luta por nada, apenas joga dois amistosos para arrecadar fundos e uma eventual 'mala branca' (ou 'preta'); o último jogo do Leão da Ilha é contra o São Paulo, no Morumbi, e é aí que pode ser decidido o título.

E o Palmeiras, hein? Que vergonha! Nem tanto pela queda de rendimento, é o 4º colocado e foi líder por 14 rodadas seguidas, mas pela falta de preparo da comissão técnica e, sobretudo, da diretoria. O atacante Obina (melhor que o craque camaronês Eto e "primo" do homem mais podoroso do mundo, o presidente americano Obama) e o zagueiro Maurício trocaram golpes dignas de pugilato no final do primeiro tempo lá no gramado do estádio Olímpico, em Porto Alegre, em jogo único de abertura da rodada, quarta-feira passada. O juiz expulsou os dois assim que retornaram ao campo, o Palmeiras perdeu por 2 a 0 (e foi pouco), e os dois atletas palestrinos foram sumariamente demitidos pelos cartolas do clube. Será que era para tanto? Ainda que uma briga por vaidades, poder-se-ia facilmente contornar a situação pelo menos neste final de campeonato. Mas não! Quiseram demonstrar autoritarismo e passar "macheza" aos outros jogadores do elenco e aos próprios torcedores. Quer dizer, eximiram-se da culpa pelas decisões equivocadas e incompetentes que tomaram ao longo do ano. Mais um prova de vã vaidade da diretoria do Verdão, um verdadeiro absurdo!

Na Série B, em jogo de várias faixas próprias dos fardamentos, o Vasco teve a sua faixa de Campeão da Segunda Divisão carimbada pela Ponte Preta, 1 a 0 num 'Maraca' bem vazio, em tarde de sábado bastante quente no Rio. Porém, de nada adiantou a vitória da Macaca, o seu arqui-rival Guarani, juntamente com Ceará (17 anos depois), Atlético-GO e o Campeão Cruzmaltino, disputarão a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro no ano que vem. Parabéns aos ascendentes!

Se no sábado o Maracanã não teve muito público, já no domingo a 'urubuzada' encantou os amantes do futebol. Ainda que os torcedores do Mengão tenham saído um tanto quanto frustradas com o resultado, como é bonito ver o 'Maior do Mundo' colorido por quase 100 mil apaixonados fazendo o maior mosaico do mundo:

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Por RICARDO NOVAIS

Mulheres da Rua Jardim

Categoria ampla e abrangente de finas flores criadas nos Jardins da Sociedade. Margaridas desocupadas, rosas fascinantes, borboletas doidivanas, corujas atentas da noite. Os nevrálgicos designam com dezenas de nomes, muitas vezes feios e depreciativos, estas nossas santas e amadas Mulheres da Rua Jardim. Perda de tempo! Elas... são elas. Queridas, cobiçadas, elegantes, inteligentes, bem-tratadas, alegres e tudo mais que nós sabemos. Elas hipnotizam, e corre-se grande risco de perder o rumo de casa. Por outro lado, Mulheres dos Jardins da Sociedade também podem ser enfrentadas de forma racional. Basta conhecer as regras do jogo de aparências e o terreno onde se cultivam as flores. O canteiro das rosáceas são as praças, ruas, vielas, becos, escadarias, elevados, rebaixados, calçadões, avenidas e, principalmente, boulevares. Importante mesmo é o recurso para poder adubar o Jardim, assim a galeria mais desprezível e mais genial do reino do Perfume das Flores serão sempre o centro extraordinário, brilhante e alegre do amor que perdura algumas dezenas de minutos e estende-se à fatura do cartão de crédito, nada menos.

*Desenho de J. Victtor.

Por Ricardo Novais

Saudoso Morro Carioca

Nem sempre os bons malandros cariocas, que viviam no alto dos morros e nas rodas de samba, tinham a conotação atual de favelado. Seria bom se o tempo voltasse e o povo que vive nas comunidades pudesse usufruir da própria origem, tão harmônica e tão sofrivelmente feliz.

Heitor dos Prazeres, pintor primitivo e compositor de música popular, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 23 de setembro 1898, cresceu em plena origem da separação do povo criativo da ascendente burguesia 'afrancesada', sociedade esta da época da "Regeneração Carioca" efetuada pelo prefeito, o inexpugnável engenheiro Pereira Passos, com o aval do Palácio do Catete.



O artista iniciou-se na pintura, em 1937, como autodidata e já demostrava bastante talento.




Seu primeiro prêmio foi conquistado em 1951, durante a realização da Primeira Bienal de São Paulo.


Heitor efetuou mostras e exposições internacionais, dentre elas, aquelas realizadas em Paris, Neuchâtel e Santiago.



Este grande carioca procurou retratar as cenas comuns de sua cidade natal, notadamente a vida no morro e as festas populares.





Ainda não existia tanta segregação e agonia. Nos quadros de Heitor é possível observar a vida romântica dos bons malandros.




A polícia não entrava nos morros como inimiga, era sempre a autoridade conhecida que deveria-se tentar despistar. No fim, todos bebiam e cantavam a alegria de se viver livremente. As crianças brincavam como crianças...




A disputa da mulata formosa era coisa séria. Um braço do autêntico povo brasileiro foi representado no morro carioca, um lugar encantado.




Na música, Heitor do Prazeres destacou-se como autor de sambas carnavalescos de grande sucesso popular. No entanto, este grande 'marechal' do samba destacou-se também no choro, uma de suas grandes paixões ao lado da pintura.

No Rio de Janeiro, cidade que Heitor do Prazeres tanto amou, cantou e pintou, ele também morreu, em 1966. Deixou um legado memorável de quadros e composições musicais.

Em agosto de 2007, Heitorzinho dos Prazeres (filho do artista) e Família se apresentaram no programa de televisão Ensaio, da Tv Cultura de São Paulo. Interpretaram grandes sucessos compostos por Heitor dos Prazeres, o patriarca. Choro Cadenciado:



Por RICARDO NOVAIS
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Site para maiores informações: http://www.heitordosprazeres.com.br/