Feliz Natal e Próspero 2010!



Meus amigos estão fazendo planos para as festas de final de ano e principalmente para o novo ano que se aproxima. Uma amiga muito querida colocou tudo num papel: o que julgou ela errado em 2009, e por isto mesmo que deverá ser corrigido em 2010, foram as prioridades; além, obviamente, dos planos e das esperanças que se renovam. O curioso é que o discurso dela é muito parecido com o que ela fez no ano passado...

Já um colega de trabalho quer aumentar o currículo escolar, assim, julga ele, estará em vantagem profissionalmente. Já planejou tudo, depois do carnaval vai se matricular num curso de pós-graduação; em abril, num curso efetivo de inglês; na férias de julho, terá ensinamentos de marketing pessoal; em setembro, aulas de francês (afinal, ele é brasileiro mesmo!); em outubro, seus estudos serão sobre reciclagem e aprimoração para o mercado de trabalho. Provavelmente em dezembro, ele estará se queixando de estresse e problemas do coração a um médico.

Ainda há aquela tia solteirona que clama e faz promessas aos 'deuses do amor 2010' para que encontre o verdadeiro amor. Ela nem pedi um homem muito garboso, basta ser limpinho, fazer a barba todos os dias e ter algum dinheiro. Titia se programou direitinho. Vai frequentar todas as festas que for convidada, irá à livrarias 'intelectuais', combinará aquele happy hours com as amigas numa reunião 'caçando-meu-amor-no-bar'. Claro que sites de relacionamento e cadastros do amor virtual estão no cronograma da velha. Pedidos a Santo Antônio e ao Papai Noel, assim como eventuais passeios de metrô às 6 da tarde, são cláusulas alternativas e planos deixados em 'standy by', como ela mesmo diz.

Menos planos e mais amizade, eis tudo. Ao amigo leitor deste blog desejo boas festas; à minha querida dona leitora desejo um próspero ano novo. Feliz natal e um 2010 de realizações mais simples e mais alegres, amigos!



Por Ricardo Novais

Postagem Coletiva: Música


Por causa do dia da postagem coletiva sobre música e do 'Monday Music' no Twitter (ambos acontecendo no dia de hoje) contarei um evento bastante trivial, mas a ocasião é boa. Ontem, dia quente e ensolarado, tive a ideia de perambular sem destino num alegre domingo na, geralmente cinza, cidade de São Paulo, a esmo, pelo trânsito um pouco mais calmo de dia de folga, remetendo-me, também, às estelares lembranças da minha adolescência. Procurei então, no porta-luvas do carro, algo que nem sabia direito o que era.

Era música. Encontrei referências dos velhos grupos de rock. Parei o automóvel por um instante, em meio a um dispositivo digital de arquivo musical e um Ipod quebrado jogados no fundo do porta-luvas, eu segui por aquela estrada atribulada e aleatória com uma trilha sonora igualmente tormentosa. Deste modo, aquela viagem ao acaso, foi embalada pelas músicas do Holy Diver (1983), do cantor baixote Ronnie James Dio (aliás, que está doente e fica minha torcida para que ele se recupere rápido) soltando o vozeirão junto de sua banda, que tinha o ótimo guitarrista irlandês Vivian Campbell. Mas mesmo com os bons teclados, puxados para clássico, metal e pavimento para novas idéias, aquele som não me relaxava, embora me agradasse. A aflição consumia meus pensamentos...

Em todo o caso, insisti ouvindo Yngwie Malmsteen’s Rising Force, de 1984, neste álbum o virtuosismo deste artista sueco ainda não era tão latente; contudo, eu rodava por boa parte da região central da cidade, regado por outros álbuns antigos: Hall of Mountain King (Savatage, 1987); Awaken the Guardian (Fates Warning, 1987); Keeper of The Seven e as guitarras do duo infernal Grosskopf e Weikath (Helloween, 1985); Into Glory Ride (Manowar, 1983); Them (King Diamond, 1988); Rainbow Rising (Rainbow, 1976); e The Number of the Beast, obra-prima do heavy metal trazendo uma violência raramente ouvida, e Piece of Mind (ambos os álbuns dos ingleses do Iron Maiden, 1982 e 1983, respectivamente); enfim, fiz um passeio incerto, moroso, lento, tranquilo, mesmo peregrinando pelas aventureiras vias paulistanas movido a acordes musicais pesados, acordes que afetaram minha primeira juventude esfuziante – ainda que eu fosse de geração posterior –, durante toda àquela tarde, às vezes, dando voltas no mesmo lugar, por outro lado, tentando encontrar algo que aquietasse meu coração tanto quanto orientasse meus próximos passos no próximo ano que já bate à porta com força. Entretanto, o tempo era fugaz e minha disposição ociosa era muita. Nestes termos, ainda ouvindo os últimos acordes de Flight Of Icarus e Hallowed Be Thy Name, do Maiden, eu trafegava atento, e pouco mais dócil, pela Nove de Julho, assim quis ligar o rádio, numa emissora qualquer, ouvindo um comentarista de futebol qualquer, clamar exultante às glórias de algum campeonato qualquer; e, de tal maneira, aquilo envolveu meu espírito, ou mesmo a própria alma, pois eu me lembrei, quase que instantaneamente, não apenas de minha juventude, mas de minha infância feliz. Mas isto já é outro assunto...

Hallowed Be Thy Name, composição da banda britânica Iron Maiden, clássico do rock:

* Para assistir e ouvir o vídeo, desabilite a rádio parceira, Stay Rock, com um pause.

Por Ricardo Novais
Para a Blogagem Coletiva.
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* Blog da postagem coletiva: http://toaquivocetambem.blogspot.com/

COP 15

A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) realizada em Copenhague, Dinamarca, resultou em uma “carta de intenções”. E agora, 'super-homens nietzscheanos'?...


Até onde iremos viver nos enganando e sendo enganados por conceitos espúrios e egoístas? Até onde iremos?... Esta reunião de demagogos e 'ambientalistas' tem alguma serventia à humanidade?


Ricardo Novais

Há Coisas Que Só Acontecem Ao Botafogo

Pois é! Há coisas que só acontecem mesmo ao Botafogo, já dizia o velho jargão da crônica esportiva. Esta semana o atacante Jóbson foi surpreendido novamente pelo antidoping, desta vez pelo jogo entre Botafogo e Palmeiras válido pela última rodada do Campeonato Brasileiro que livrou o clube de General Severiano do rebaixamento. A suspeita é que o jovem atacante utilizou cocaína, substância veementemente proibida pelo comitê disciplinar da FIFA. Ele já havia sofrido a mesma acusação numa partida contra o Coritiba; de modo que ele pode ter a pena agravada por reincidência. Neste caso corre sério risco, inclusive, de ser banido do futebol – se observarmos as orientações dos ‘moralistas’ desportivos.



Jóbson se destacou no Fogão pela habilidade e velocidade. O ótimo jogador perdeu excelente negociação financeiramente para o Cruzeiro, que já era dada como certa. Agora pode ser impedido de exercer suas atividades profissionais em qualquer clube filiado a federações desportivas.




Não cabe aqui discorrer sobre o problema das drogas. Além do espaço ser limitado, ainda falta interesse, por parte do autor, para o assunto. Digo apenas que hoje de manhã o IBGE divulgou estudo apontando que crianças de 7 a 11 anos já estão viciadas em drogas. Crianças de 7 anos fumando maconha... É...


Fatos como este podem ocorrer em qualquer cidade, em qualquer clube, em qualquer esporte, há vários registros semelhantes. No entanto, aconteceu como Botafogo Futebol e Regatas. Sintomático! O Glorioso é parte integrante das lendas futebolísticas; pois uma Estrela Solitária não pode parar de brilhar! Meu velho tio avô carioca, torcedor do Alvinegro, adorava contar as histórias do clube botafoguense, nas tardes de sábado, com o cigarro à boca e a cerveja esquentando na mesa. Entre tantos craques geniais como Garrincha (o maior ídolo do clube em todos os tempos), Quarentinha (o maior artilheiro que o Botafogo já teve), Nilton Santos (a enciclopédia do futebol), Carlos Alberto Torres (capitão do Tri) – vou parar de citar nomes para não cometer alguma injustiça esquecendo-me de mencionar algum jogador; afinal, o Glorioso teve tantos atletas espetaculares que seria impossível lembrar-me de todos; que o diga Didi, Manga, Jairzinho, Marinho Chagas, Paulo César Caju, Valdeir, Chicão, Túlio... Até porque, especialmente fascinante para mim, e para todos os amantes do esporte bretão, era a história da saga do infernal atacante Heleno de Freitas.

A Seleção Alvinegra! (Não escalei o Quarentinha, mas ele cabe neste time - pois é o maior artilheiro do Botafogo em todos os tempos).
Em pé: Didi, Manga, Nilton Santos, Sebastião, Marinho Chagas e Carlos Alberto Torres. Agachados: Garrincha, Gérson, Heleno de Freitas, Jairzinho e Paulo César Caju.


Dizia vovô-tio que este Heleno de Freitas era sedutor, fazia o tipo galã de cinema; talvez isto aliado ao seu temperamento difícil, rendeu-lhe comparações, de cronistas da época, com Rita Hayworth, a estonteante atriz americana do filme: Gilda, uma Mulher Inesquecível. Porém, Gilda era uma mulher temperamental, voluntariosa e indisciplinada; assim como Heleno dentro do campo de futebol, que afetava árbitro, brigava com Deus e o mundo, ofendia, sem distinção, rivais e colegas de equipe.




Quando o jogador enfurecia-se no gramado lá vinha o coro: "Gilda! Gilda! Gilda!" Ele ficava ainda mais irascível, e se o Botafogo estivesse vencendo tanto melhor porque ele iria fazer um gol de categoria e raiva. Mas se a Estrela Solitária estivesse perdendo acabaria sem Heleno, pois ele seria expulso por agressão física ou moral indiscriminada.



Em 1948, o gênio se desentende com o presidente do clube – clube este que Heleno tanto amou... Numa excursão pelo Rio, o Boca Juniors, de Buenos Aires, time da moda na América do Sul à época, interessa-se pelo jogador. Heleno é vendido. Antes de partir, porém, vai assistir ao jogo de abertura do campeonato da cidade: São Cristóvão 4 x 0 Botafogo. Era de ver a cena no campinho do Botafogo, o craque genioso embriagado, de cabeça baixa, chorando, agarrado a um poste nas arquibancadas, sem acreditar na humilhação imposta pelo modesto São Cristóvão ao seu clube de coração.





Amor? Desamor? Abandono? Heleno morreu de tristeza, num hospício na cidade de Barbacena, em Minas Gerais. O cronista Armando Nogueira diria que Heleno de Freitas, o craque das mais belas expressões corporais nos estádios de futebol, teve afetada sua vida de glórias e desgraças.




Por Ricardo Novais



Pulha Positivista


"O que sempre fez do Estado um verdadeiro inferno foram justamente as tentativas de torná-lo um paraíso." (Hoelderlin)

Schopenhauer, de maneira magistral, fez a terrível pergunta: "Tem então a existência, em geral, um sentido?" Esta pergunta é difícil até mesmo para ser honestamente assimilada, quiçá tentar respondê-la. Mas existem aqueles cidadãos anapluros contumazes que enveredam pelas 'verdades' absolutas inspiradas por Comte, Zola, Taine, etc.

Exemplo disto é o professor Paulo Ghiraldelli Júnior, o "Juninho Coruja", que se auto intitula como "O Filósofo da Cidade de São Paulo". Imagine, amigo senhor leitor e queridíssima dona leitora, qual a impressão que causa em jovens este velho homem plagiador de frases de efeito.

Seria de bom tom, ao menos, que ele tivesse passado uma boa temporada na França; mas em seus tempos nervosos. Faz-se menção, também, que acabaria de formar seus conceitos espúrios uma longa estadia na ex-Iugoslávia (especificamente na Eslovênia), e, de tal maneira, uma outra estada, ainda maior, no Manicômio Municipal de São Paulo.

Pobre homem, inclui-se nas crônicas boêmias que nem mesmo conseguiu terminar sua prolixa e problemática tese. Em todo caso, com efeito, há ainda alguns seguidores virtuais de suas ideias, por estes meios de divulgação e registro via internet - os quais tenho sérias dúvidas se não são fake's criados pelo próprio Ghiraldelli para massagear seu ego efeminado. Este homem será sempre um anti-bemcomportado ou um rebelde que não adere ao espírito de classe e a própria época, em todas as suas deformações e seus artificialismos. Por que? Jamais por convicção, mas sim conveniência 'cientificista'. Portanto, à amargura de sua vida, aos sofrimentos pelos quais, possivelmente, passou ele, ainda se somou este fato: o de não poder ser contrariado nem sequer contestado.

Erram os críticos, colegas, asnos, burraldos, idiotas, a época em que vive o 'filósofo da cidade de São Paulo; ou erra o velho em viver em tal época? Seja como for, de fato, em toda sua vida, o que de mais relevância e projeção alcançou foi ser uma pessoa calma que às vezes fica um pouco irritado. Pobre diabo, ainda por cima, pode ter sido vítima de um histórico engodo desta nossa sociedade.

Maquiavel, caso estivesse vivo, por certo, condenaria suas teses confusas; posto que um homem lute pelo “desejo de conquistar como sendo coisa, verdadeiramente, natural e ordinária, e os homens que podem fazê-lo serão sempre louvados e não censurados. Mas se não podem e querem fazê-lo, de qualquer modo, é que estão em erro, e são merecedores de censura”. Contudo, os homens fazem apenas o que pode ser feito, assim como, também o que se podia ter feito, porém, não se fez. E sabemos que o filósofo é, igualmente, apenas um ser humano, portanto, são estes seus estudos somente os mistérios do fazer intelectual, ou do universo de quem plagia, sem engenho algum, pensadores renomados.

Esta nossa sociedade, além de engraçada por ser desgraçada, é mesmo antagônica; uma vida de cordeirinhos medíocres graças ao pensamento galicista e 'científico' oriundo ainda do século XIX. Benjamim Constant foi o maior divulgador do positivismo por estas bandas.

Constant era exímio militar de carreira. Como tal, tinha desprezo pela raça humana, a imortalidade, era extremamente vaidoso e se concentrou na formação da República Positivista de cordeirinhos adestrados, sem criatividade autêntica e desconhecedora da própria identidade. Influenciado pelas ideias 'galicistas' de liberdade e também por teorias detestáveis de Arthur Gobineau - autor de Ensaio Sobre a desigualdade das Raças, tido como a bíblia da Era do Racismo Científico Moderno - Benjamim Constant apregoou o 'ideário' militar ogro e cheio de pensamentos preconceituosos contra o povo civil - em alguns aspectos contrariando o próprio "mestre" do mundo das regras e das ordens, o filósofo, também francês, Augusto Comte.

Tal qual outro louco da filosofia, o velho barbudo 'pensador humanista dos bares'. Reza a lenda que este conspícuo senhor barbudo chegava todos os dias, religiosamente, às oito horas da noite, no mesmo bar, tendo feito isso durante vinte anos, para tomar um drinque e difundir seus estudos e pesquisas com os outros frequentadores da tradicional taberna. Ele era um sujeito sistemático, mas liberal; em seguida viu-se contestado por si próprio, e o tempo fez seu pensamento perdurar em conservador. Enfim, ele difundia, meticulosamente, suas ideias, porém, sem pretensões, simplesmente por ter hábitos peculiares.

Instintivamente, e mesmo em consideração à veneração apreciada de nosso filósofo humanista de botequim à memória do genial Emmanuel Kant, volta à nossa lembrança um episódio bem significativo acontecido com o filósofo alemão Kant: os habitantes de Königsberg regulavam os seus relógios, vendo passá-lo, cada dia, no mesmo lugar e no mesmo minuto. Essa lembrança não diminui o valor e a importância de uma grande personalidade do mundo filosófico, mas permite compreender, imediatamente, a sua vida e a maneira com a qual ele construiu um dos maiores sistemas de filosofia em todos os tempos; assim como, ajuda a elucidar e a entender, por alusão, a vida do nosso 'pensador humanista' embrenhado no cotidiano boêmio e do pulha do pensamento, o professor "Juninho Coruja". Ambos são produtos do pensamento de Constant; ou seja, são tipos 'franceses', não brasileiros.

O que custa realmente é a percepção desta nossa dependência psicológica, a qual nós sofremos, aos costumes de outros povos, no que nos impede, gradualmente, de descobrirmos nossas virtudes e constituirmos uma identidade autêntica. Afinal de contas, doutora leitora antropológica, entre as pecúnias e os deflúvios já temos um pequeno e tênue saldo; não?

Anapluros sociais como o professor Paulo Ghiraldelli engessam a criatividade autêntica e o livre-pensamento, pois deixam de lado o pensar e o que já foi pensado para se encostarem em dogmas e sistemas filosóficos que podam a iniciativa genuína de todo um povo.

O professor Paulo Ghiraldelli fica sufocado pelas perspectivas morais, talvez cristãs ou mesmo céticas; ou seja, pensa superficialmente e pelas convenções, isto como um bom sul-americano afrancesado que ele é, como é perceptível, mas não pensa como brasileiro.



Por Ricardo Novais

Finitude da Vida

Num dia 17 de dezembro, só que de 1770, era batizado Ludwig van Beethoven. Provavelmente o menino havia nascido no dia anterior. Sua família era de origem flamenga, no qual o sobrenome significava 'horta de beterrabas' e a partícula 'van' não significava nobreza alguma.

O pai de Beethoven era tenor e professor, foi ele quem deu as primeiras lições de música ao filho, pois pretendia fazer do garoto um prodígio do piano. Eram estudos durante muitas horas, todos os dias da semana, desde os 5 anos de idade.

Beethoven teve uma infância bastante infeliz, ele viu seu pai ser consumido pelo alcoolismo. Sua mãe casou-se 2 vezes, e o compositor teve 5 dos 7 irmãos mortos ainda púberes.


Este talentoso garoto teve estudos muito profundos, e desde cedo alguns já o apontavam como o 'segundo Mozart'. Por causa da doença do pai, a partir da morte da mãe Beethoven teve dificuldade financeira para seguir com a música.

Foi para Viena em 1792, e lá passou o resto da vida. Foi aceito como aluno de Joseph Haydn, teve aulas com Antonio Salieri, com Foerster e Albrechtsberger.


Quando tinha 26 anos, Ludwig van Beethoven escreveu:

"Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas ações; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos.

Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou!"

Era a surdez que cruelmente manifestava seus primeiros sintomas graves e temerários. A doença o acompanhou sempre e em 1816, aos 46 anos de idade, ele estava quase surdo. Porém, ao contrário do que muitos pensam, Ludwig jamais perdeu a audição por completo, muito embora nos seus últimos anos de vida a tivesse perdido, condições que não o impediram de acompanhar uma apresentação musical ou de perceber nuances timbrísticas.

Foi virtuose do piano. Dentre as obras mais famosas destacam-se as nove sinfonias, os trios e sonatas e a ópera Fidelio.

Contam os biografos que os funerais de Beethoven foram assistidos por mais de 10 mil pessoas, assim tornando o primeiro compositor a virar figura pública.



"Alegria bebem todos os seres

No seio da Natureza:

Todos os bons, todos os maus,

Seguem seu rastro de rosas.

Ela nos deu beijos e vinho e

Um amigo leal até à morte;

Deu força para a vida aos mais humildes

E ao querubim que se ergue diante de Deus!"

— Parte do verso da Ode à Alegria, de Friedrich Schiller, utilizado por Ludwig van Beethoven.

A Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op.125 é para muitos a maior obra-prima de Beethoven. Para ouvir a Orchestra de Madrid no vídeo abaixo interpretando trecho intermediário da obra - para mim uma das passagens sonoras das mais belas que já ouvi na vida -, desabilite a rádio parceira, Stay Rock, na lateral do blog com um pause.





Por Ricardo Novais

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Fonte: Wikipédia; e Uma Breve História da Música, tradução de Tereza Resende Costa, 3ª edição, série: Cadernos de Música da Universidade de Cambridge, Rio de Janeiro, editor Jorge Zahar, 1988. Desenho: Funeral of Ludwig van Beethoven (1770-1827) in Vienna, de Franz Stober.

Glenn Hughes, 'Hard Funky Setentista'

O baixista e vocalista Glenn Hughes, que tocou no Trapeze, Deep Purple e Black Sabbath é um dos maiores nomes do rock e fará show hoje à noite em São Paulo. Excelente baixista, é extraordinário à frente do hard rock oriundo da década de 1970.




Glenn Hughes comandou o baixo do Deep Purple numa época áurea. No vídeo original abaixo, em apresentação sensacional no Califórnia Jam, em 1974, vemos a banda inglesa a todo vapor, depois da saída de seu primeiro vocalista, o fervoroso Ian Guilan - sem contar, obviamente, o membro-fundador e atual fisioterapeuta respiratório nos EUA, Rod Evans. Os vocais estavam a cargo do também ótimo cantor David Coverdale. Gleen, além do baixo, faz back-vocal em Mistrated. Ritchie Blackmore é atração à parte; arrebenta "Carlinhos", ops!, quer dizer, arrebenta mago da guitarra!




* Para assistir e ouvir o vídeo, desabilite a rádio parceira, Stay Rock, com um pause.




O show do já veterano, porém fantástico, Glenn Hughes será realizado nesta quarta-feira, dia 16 de dezembro, no Carioca Club, em Pinheiros, e terá a participação da banda Casa das Máquinas. Hoje será uma noite memorável para os rockeiros paulistas.




Glenn Hughes, que jamais abandonou o hard rock da primeira fase deste estilo magnífico, é a voz do funky rock (funky tradicional, não aquele oriundo da zona norte do Rio de Janeiro). Ele vêm acompanhado de sua nova e fantástica banda que conta com Sören Andersen nas guitarras, Matt Goom na bateria e Anders Olinder nos teclados e guitarras, e o show em São Paulo promove seu último trabalho, “First Underground Nuclear Kitchen”.




* Para assistir e ouvir o vídeo, desabilite a rádio parceira, Stay Rock, com um pause.








Por Ricardo Novais

Fonte: Whiplash
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Ingressos para o show de Glenn Hughes em São Paulo estão à venda no site http://www.awo-mkt.com/glennhughes. PISTA 1º LOTE : R$ 70,00 / 2º LOTE: R$ 80,00 / 3º LOTE: R$90,00 (na porta, no dia do show); CAMAROTES: R$ 150,00 (preço único) à venda exclusivamente na loja Die Hard da Galeria do Rock, em São Paulo, telefone: (11) 3331 3978. A Ticket Brasil também vende ingressos para o show pelo site: http://www.ticketbrasil.com.br.

Guns N’ Roses a Todo Vapor na Ásia

Para tentar saciar um pouco a curiosidade dos fãs, e não são poucos, da banda de hard rock Guns N’ Roses, o site O AUÊ publicou matéria na internet de algumas fotos da turnê de Axl Rose e sua tropa pela Ásia.



Veja mais fotos aqui.

A grande diferença está no cabelo de Axl, um pouco mais curto e sem, para alegria de muitos fãs, os dreads.

Vários vídeos estão pipocando na internet, no entanto, todos de baixa qualidade.

Mas, como boa notícia, há um vídeo da China Times que mostra uma reportagem de 2 minutos sobre os shows da banda, e de lambuja, mostra alguns trechos, de qualidade maior, do show. Veja:

* Para assistir e ouvir o vídeo, desabilite a rádio parceira, Stay Rock, com um pause.

Fonte: O AUÊ

Vida e Morte de José Roberto

* Deus julgando Adão, pintura de William Blake.

Estava no fundo da repartição. Seria mais um dia burocrático e monótono. Doutor José Roberto já pegava os papéis e documentos que necessitaria para o trabalho. Aos 15 minutos para às 9 horas, entra uma moça no recinto. Era o primeiro dia de trabalho de Maria Estela. Moça bonita, elegante, gestos refinados, chamou a atenção dos funcionários normalmente aborrecidos com olhos nos computadores.

José Roberto pensou que ela havia acordado cedo, pego o ônibus antes das 7 da manhã, esperado o senhor do recursos humanos por algum tempo. Em seguida, entregou-lhe os documentos para registrá-la no livro de empregados da empresa. Ela estava agora sentando em seu novo local de trabalho, não muito longe das mesas no fundo da repartição.

Ela viu os olhares maliciosos, nada disse. Na hora do almoço, doutor José Roberto teve vontade de ir até a nova empregada, convidá-la para irem ao restaurante da esquina, mas a dona Cláudia chegou antes.

Ele comentou com alguns colegas a impressão que teve da moça, ouviu em contra partida palavras que o enciumaram. Mas, diabos, o que tinha ele haver com aquilo tudo; nada!

Às 18h e 05 minutos, finalmente José Roberto, que mal conseguiu se concentrar no trabalho naquele dia, foi ter com Maria Estela. Ela era noiva e casaria-se no final de dois meses.

Ainda assim ele sentiu que poderia insistir, viu que Maria Estela lhe foi simpática e retribuiu os olhares lascivos. Entretanto, nada fez ele; ficou com a imaginação e o pudor próprio das relações inter-pessoais.

Se doutor José Roberto soubesse que morreria naquela mesma noite, talvez, não teria pudores e nem seguiria regras de etiqueta social. Por que um sujeito que vai morrer preocuparia-se em deixar de lado um amor fulminante por prudência?

Na certa ele pensou que haveria tempo para dissolver Maria Estela deste casamento desconhecido. Não houve, José Roberto aproximava-se da morte.

Ele pegou suas coisas e desceu pelo elevador. Lá dentro ele teve calafrios, possivelmente por ainda estar pensando na moça noiva que o havia impressionado. Chegou até o carro distraidamente. De tanto lembrar da breve conversa com Maria Estela, ele estava feliz.

Fez o caminho normalmente até o bairro onde morava, parou na padaria. Depois de pagar o cafezinho e despedir-se do corintiano que atendia naquele balcão, José Roberto dirigiu até o prédio onde morava. Estacionou na garagem, subiu até 5º andar, abriu a porta do pequeníssimo apartamento e acendeu a luz. Ele morava sozinho.

Ao sentar-se no sofá, teve a ideia de ligar para Maria Estela. Eles haviam trocado telefone naquele dia, mas José Roberto não aguentava esperar até o outro dia para falar com ela. Ligou.

Maria Estela atendeu, foi-lhe simpática. Ele confessou que não havia parado de pensar nela, que gostaria muito de vê-la. Ela lembrou que viriam-se, no outro dia, no escritório. Ele disse gracejos, ela riu pelo aparelho telefônico.

José Roberto deixou-se jogar no sofá, tinha um traço perpendicular para cima nos cantos da face. Reparou que tinha barba por fazer, queria chegar com bom aspecto no trabalho no dia seguinte. Foi tomar banho.

Ao pegar o aparelho de barbear elétrico, reparou que tinha que carregar as baterias. Colocou o recarregador na tomada e entrou debaixo do chuveiro. 10 minutos depois, olhou-se no espelho, sorriu, lembrou da voz macia e delicada de Maria Estela. Viu os fios proeminentes da barba no rosto e foi pegar o aparelho de barbear elétrico.

Neste momento, doutor José Roberto levou uma descarga elétrica e caiu no chão molhado do banheiro. Olhou para o aparelho de barbear jogado ao seu lado e lembrou-se que seu avô sempre usou aparelho de barbear descartável. A avó dele cansava de lhe contar este hábito do marido.

Talvez por isto, o avô não morreu e pode conhecer a esposa e formar a família. Doutor José Roberto ainda teve tempo de lamentar isto.


Por Ricardo Novais

Retrato de Uma Tarde de Garoa

Foto de arquivo.

Do parapeito do velho prédio comercial eu via aquele homem andar desproporcionadamente com um copo plástico de chope nas mãos. Era um domingo, uma garoinha gélida contrastando com o mês de dezembro, o pedestre não estava bêbado, apenas parecia pensar em algo que possivelmente o havia impressionado.

Eu estava no quarteirão entre a Maria Figueiredo e a Padre Manuel da Nóbrega. Assim que meus olhos perderam a figura do senhor que caminhava com o copo na mão, fitei um casal de namorados vindo no sentido contrário, abraçados, unidos por algo que provavelmente nem eles mesmos explicariam, se lhes fosse questionado. Vinham andando bem devagarzinho, com todo o tempo do mundo que têm os casalzinhos jovens. Ela trazia um bolsa vermelha, creio que fosse de nylon, colada em seu lado direito e junto ao corpo do namorado. Ele falava bastante, mas calmamente e não gesticulava, ela olhava fixamente para o chão, mas prestava atenção nas palavras de seu companheiro.

Dali onde eu estava, eu via o caminhar moroso dos dois namorados, sem guarda-chuva, recebiam a garoa nas ventas, mas de tão comum não pareciam estranhar o clima. Lembrei de Nelson Rodrigues e espantei-me: "Nada mais ridículo que casalzinho apaixonado". Ah, mas como é bom ser ridículo!

Devo ter ficado uns bons 20 minutos, sozinho no parapeito do edifício, observando o movimento da Paulista. Ainda que fosse feriado ordinário de domingo, o tempo fosse feio e nublado, que estivessem me esperando, admirei-me da vida intensa da cidade que moro, a São Paulo que não prestamos atenção.

O ônibus pára no ponto, umas pessoas sobem nele, outras descem, os passageiros olham distraidamente por entre os vidros das janelas embaçadas pela chuvinha fina. Outros paulistanos entram na estação do metrô, alguns param nas entradas, sentam nos degraus dos prédios e aguardam alguém. Este alguém demora a chegar, acendem cigarros, os olhares mudam, ficam anciosos, perdem-se na imensidão de concreto, tornam a atenção novamente.

Eu tive que ir embora, mas queria ficar mais um pouco. Gostaria de saber se o velho que regia os automóveis na ilha encravada no meio da avenida saiu de lá.

Nada além da avenida, o fio de vento que sopra rumo à Consolação e o silêncio quebrado somente pela freada dos carros, de um ciclista que estaciona próximo ao meio fio do cruzamento, do distante canto de algum pássaro não indentificável, o ruído de conversa entre dois amigos que circulam pela região vindos da velha padaria entre a Brigadeiro e a São Carlos do Pinhal.

Retrato de uma tarde de domingo, para ser mais preciso, às três horas e três minutos, que poderiam ser confirmados no relógio que eu trazia no pulso esquerdo; se eu tivesse tempo de olhá-lo.

Por Ricardo Novais