Olha aí... O Sambista Elegante

Imagem de divulgação.

Bem ali na Nossa Senhora de Copacabana, mais precisamente entre a Siqueira Campos e a Figueiredo Magalhães, é onde fica o ateliê de Walter Alfaiate. Três máquinas Singer sibilaram mais de 50 anos ininterruptamente, diz a lenda corrente no bairro onde também era conhecido como 'Walter Sacode'. “Aos 13 anos, me ofereci para aprender o ofício. Desde pequerrucho, sempre gostei de bordar com as meninas. Futebol tinha muito homem.”, era o que se ouvia das inúmeras histórias que o folclórico sambista, que infelizmente nos deixou ontem, contava risonho e com jeito afetivo.

Nas paredes da alfaiataria, entre tantas fotos, duas são especiais: a da filha Maria Cláudia e a do Botafogo campeão de 1957 “após 6 a 2 no pó-de-arroz”, como dizia o malandro. Malandro dos bons tempos, herdeiro direto da boa tradição criativa e popular da zona portuária. Foi um filho autêntico e brilhante do Rio de Janeiro.


Sambista clássico, foi diretor de harmonia dos blocos Funil, Sem Rival, Repolho Roxo, Gaviões. Conviveu com os bambambãs: Bagulho, Mauro Duarte, Jair Cubano, Pica-Fumo, Zorba Devagar. Tempos idos e nunca esquecidos que proporcionaram a primeira parceria com Paulinho da Viola e Aldir Blanc: “Botafogo Chão de Estrelas”, um clássico.

Walter Alfaiate tinha um estilo de mudar o ritmo constantemente e um belo vozeirão característico. Produziu, sem dúvida, alguns dos mais belos sambas brasileiros e foi um dos mais folclóricos sambistas dos tantos que já floresceram no Rio de Janeiro. "Olha aí":

"Bateram em minha porta", cantou o velho malandro elegante. Quem bateu vestia um manto sagrado com as cores do Botafogo, ele abriu e o levaram...


Por Ricardo Novais