Robinho, Príncipe da Vila

"Fica, Robinho!" Foto: Caio Guatelli/Folha Imagem.

Todo reino tem lá seus castelos, suas cortes com reis, príncipes, duques, condes, viscondes e arquiduques e demais fidalgos, todos com seus criados e pajens, protegidos por cavaleiros, guerreiros e arqueiros, todos perfazendo fortaleza inexpugnável.

No castelo da Vila Belmiro há monarca eterno: é claro que estou falando do soberano Pelé, o Rei do Futebol. Mas naquele mundialmente famoso reino nasceu também um certo príncipe, único, sublime, que encanta pela inteligência e emociona pela bravura: ele é Robinho, o Príncipe da Vila.

Sim, tem razão senhor torcedor da geração X. Em terra de rei que brilha como sol absoluto (não confundir com o absolutismo feito por boleiros franceses), houve império de muitos e muitos príncipes extraordinários num passado glorioso; é verdade! Época áurea do futebol mágico e romântico, já vai tempo... No entanto, Robinho foi enviado à corte coberta com grama pelas mãos de um Messias. Foi Giovanni, o G-10, a maior influência deste fidalgo jogador; só isto já bastava para nada mais questionar sobre a valorosa entrada deste príncipe entre outros perpétuos homens heróicos daquele nobre salão. Mas além de tudo, são as inúmeras batalhas vencidas pelo genial Robinho que o consagram.

Lembro-me como se fosse hoje. Era um domingo, final de Campeonato Brasileiro. O dia era  15 de dezembro de 2002, mas poderia ser qualquer outro; não fosse o fato de que o Santos não tinha uma conquista importante fazia 18 anos anos e o adversário era o Corinthians, sempre inimigo e traiçoeiro. Das arquibancadas do Morumbi naquela tarde via-se, embora a longo alcance de visão, Robinho pegar a bola na intermediária esquerda de ataque, carregá-la como se ela fosse uma pequenina criança e os pés fossem delicadas mãos que a tratavam com luvas de pelica, veio o zagueiro-lateral corintiano, surpreso, assustado – digo tudo, vá! – Rogério tinha temor nos olhos, e, observando seu algoz, quase paralisado, tentando afastar-se como um rato acuado, viu à frente... as inesquecíveis pedalas.

Robinho pedalou oito vezes na frente de Rogério, entrou na área e foi derrubado. Pênalti! Foi para bola, encarou Doni (este mesmo que vai à Copa da África mês que vem), cochichou algo carinhoso ao escudo pregado na armadura santista e... gol! Aliado a este lance mágico, ele também criou as jogadas dos outros gols do Santos naquele jogo, e que levou a sofrida torcida peixeira a gritar uma frase de alívio presa à garganta há tempos: "É campeão!". Dois anos depois  deste dia glorioso, Robinho novamente carregava o título Brasileiro, o de Bicampeão, para a galeria de triunfos da realeza de Vila Belmiro.

Ontem, pela semi-finalíssima da Copa do Brasil, contra o bravo Grêmio Porto-alegrense – aliás, onde estão aqueles cronistas gaúchos com quilômetros de língua? Amarem-na com fita azul! – o Santos venceu por 3 a 1. Como eu disse antes, a corte santista é audaciosa; o ‘novo messias’ Ganso fez golaço, e o sempre excelente Wesley, revelado na Vila Famosa, fez outro grande gol de habilidade e velocidade. Robinho, demonstrando incrível categoria, encobriu o goleiro gremista com mágica e foi saudar seu herdeiro que estava entre súditos. A torcida, por sua vez, balançou com afinco as flâmulas alvinegras, os choros de alegria deram lugar a um coro: "Não  vá, não volte à Europa, querido príncipe! Fique, Robinho!" Conquanto que o arauto declarou: "Que noite memorável!".

Façamos um trato, amigo torcedor. Para que este afetado autor recupere-se de tanta emoção,  o texto termina por aqui e em troca ficaste, em vídeo abaixo, com lances do futebol mais magnífico jogado hoje no Brasil.

Melhor, não é mesmo? De modo que a seguir algumas imagens de uma batalha vencida pelo implacável Príncipe da Vila e que levou o Santos FC à sua primeira final de Copa do Brasil:



Por Ricardo Novais