O Gigante Voltou!

"Eu aprendia muito vivendo naquela cidade. Tinha tudo que precisava para viver, para continuar meu caminho, virtuoso ou corrompido. Quem saberia? De qualquer modo, eu conhecia as histórias daquele canto do sudeste brasileiro. Sempre amei o Rio de Janeiro.




São Cristóvão era um bairro de vascaínos; mas, naquelas cercanias, sempre existiu um clube homônimo desde o começo do século XX, o São Cristóvão Esporte Clube. O Clube de Regatas Vasco da Gama originou-se da união de amantes portugueses pelo remo, no bairro da Saúde e Gamboa, às 14h28min da tarde do dia 21 de agosto de 1898; indo para o bairro de São Cristóvão apenas em 21 de abril de 1927. O motivo? Preconceito!




Fluminense, Botafogo, e mesmo o Flamengo, não aceitavam a prática agregadora e democrática do Vasco de incluírem em seus plantéis jogadores negros, mulatos e brancos das classes mais humildes. E o clube da Cruz de Pateé vinha da alta sociedade, da colônia portuguesa carioca, assim foi duramente criticado e extremamente hostilizado por escalar atletas miseráveis nas disputas com os outros esportistas fidalgos. Os pobres tinham que disputar vaga no Andaraí e em todos os clubes fabris; não na Liga Fluminense de Football. No entanto, o time da colina venceu seu primeiro campeonato na primeira divisão do Rio em 1923, e com este método de inclusão do povo; fato que causou alarido às elites de casaca, deste modo deu-se a celeuma.




Dessa forma, os três gigantes do Rio, juntamente com o próprio São Cristóvão, articulam uma estratégia jurídica para barrarem a nova ameaça. Eles contestaram a fusão do clube de regatas do Vasco da Gama e o clube de futebol Lusitânia, que tinham se fundido em um único clube da colônia portuguesa. Contudo, como o País tinha declarado a abolição da escravatura anos antes, assim como instituído direitos iguais aos cidadãos (ainda que em teoria positivista), e livre iniciativa de associação, não havia motivo importante para rejeitar a participação do Vasco no campeonato de futebol do Rio de Janeiro. Mas, acontece que este esporte era febre na cidade à época sorriso-da-sociedade, assim sendo, a elite arma outra estratégia para afastar o esquadrão que ousava vexar esta sociedade, escalando atletas das classes marginalizadas.




A Associação Metropolitana de Esportes Amadores (AMEA) recusa a inclusão do time cruzmaltino; alega-se, na ocasião, que o clube não possuía estádio para a prática do esporte. Era o impulso que faltava para que os vascaínos construíssem um estádio de futebol.




A construção de São Januário comprova a vocação popular do Vasco. Sócios com listas saem às ruas da cidade, à caça de contribuições. De lista em lista, de doação em doação, a verba para a obra vai aparecendo. Dessa vez a AMEA é obrigada a aceitar o Vasco em seus quadros. Em 21 de abril de 1927 o Estádio de São Januário é inaugurado.




Naquelas adjacências do Rio, naquela Rua General Almério de Moura, em São Cristóvão, eu me acostumei a ouvir as histórias do bairro, também encontrava moleques andando de chinelos de dedo. Por outro lado, comum era trombar com garotos que nadavam no clube. Mas, enfim, meu caso era diferente; quer dizer, Roberto e eu gostávamos apenas do time de futebol:




“Casaca, casaca, zaca, zaca, zaca. A turma é boa, é mesmo da fuzarca. Vasco, Vasco, Vasco!”




A passagem acima é um trecho do personagem Heitor do Lavradio, no livro, que está publicado neste blog, "O Boêmio".

Neste sábado, num 'Maraca' maravilhosamente lotado pelo calor de milhares de apaixonados, o Clube de Regatas Vasco da Gama, uma das instituições mais importantes do esporte neste País, jogará contra o Juventude de Caxias, tradicionalíssimo time do sul do País, para voltar à elite do futebol brasileiro - lugar de onde nunca deveria ter saído.

Parabéns Roberto Dinamite; meus cumprimentos especiais ao meu irmão e professor Claudio Novais, o maior vascaíno do mundo; também emito minha saudação aos personagens 'Tio Zinho", Roberto do Lavradio e Heitor Lavradio pai, fanáticos pelo Gigante da Colina que aparecem no livro "O Boêmio"; a todos os ídolos do Vasco, do extraordinário Ademir de Menezes ao genial Romário; um abraço especial ao craque Edmundo (Ah, é Edmundo! Ah, é Edmundo! Ah, é Edmundo!), um dos melhores jogadores que eu vi jogar; um super beijo carinhoso para a cantora carioca Fernanda Abreu, que jamais abandonou o Vascão nos seus escritos, blogs e comentários; e abraço, do mesmo modo, a todos os milhões de vascaínos espalhados por este planeta bola.

Aí é tradição, vou torcer pro Vasco ser campeão, São Januário meu caldeirão... porque o sentimento não poder parar. O Gigante voltou...