Confronto dos Alvinegros


Creia: nem se o árbitro da partida fosse o excelente italiano Perluigi Colina ou o saudoso e rigoroso Dulcídio Walderley Boschilla, os corintianos ficariam satisfeitos. Entraram em campo da tradicionalíssima Vila Belmiro para 'bagunçar' o clássico com o propósito claríssimo de evitar uma goleada histórica. O Santos foi melhor desde o início do jogo e não fosse o goleiro Felipe do Corinthians, que pegou até pênalti batido pelo jovem Neymar, o time do Parque teria tomado 3 ou 4 gols logo nos 30 primeiros minutos do 1º tempo.

Demonstrando muito entrosamento, os Meninos da Vila não tomaram conhecimento do adversário. Neymar fez 1 a 0 numa girada de corpo perfeita, depois de ter recebido excelente passe do meia Marquinhos - que já havia sofrido o pênalti perdido pelo Santos. Assim prosseguiu a partida, o santistas atacando e os corintianos defendendo como conseguiam. No segundo tempo, Marquinhos, que finalmente jogou bem, fez lançamento lindo de três dedos, Neymar dominou no peito, deixou a redonda cair e passou para o atacante André que rolou para o fundo das redes. Golaço! O time do Parque São Jorge ainda diminuiu sua desvantagem no placar, mas teve o ímpeto prejudicado por expulsões. O jogo, válido pelo Paulistão, terminou mesmo 2 a 1, mas foi pouco, e fora o baile.


Neymar joga por música no time dos Meninos da Vila.

O juiz do jogo, José Henrique de Carvalho, teve muito trabalho para conter os ânimos e a 'malandragem' dos jogadores. O Santos, no entanto, embora jogue de fato o futebol mais vistoso do Brasil hoje, ainda peca por não definir logo as jogadas. Muitas vezes as firulas irritam o adversário, quando não o próprio torcedor, e o lance não dá fruto profícuo.

Mas não há como negar que o futebol arte venceu, mais uma vez, o futebol pragmático e chato da 'escola gaúcha de treinadores'. Manos Menezes reclamou muito no final do jogo, acusou ao árbitro, nas entrelinhas, de ser torcedor do Santos, a imprensa de proteger os Meninos da Vila, cobrou da comissão de arbitragem uma atitude e já em mensagem clara à federação de futebol (ou, quiçá, do tribunal desportivo) insinuou que os santistas praticam o anti-jogo com "cracinhas" e humilhações aos adversários. Ele só não reconheceu a superioridade tática do treinador peixeiro, Dorival Júnior, no clássico.


O craque Ronaldo reclamou muito do juiz, assim como todos os corintianos.

Ronaldo foi outro que reclamou muito do juiz e, principalmente, da "firulas" e "cracinhas" dos jogadores do Santos. "O Corinthians estará entre os 4 no final do campeonato, aí eu quero ver", ameaçou o experiente atacante. Aliás, outro jogador que deveria contribuir com sua experiência era Roberto Carlos, mas, invés disto, tem muita dificuldade para se adaptar ao futebol brasileiro em seu regresso da Europa. Ao meu ver, o Corinthians tem problemas graves em seu time, principalmente para a disputa da Taça Libertadores da América - o mais grave evento é sem dúvida o esquema tático ultrapassado de Mano Menezes. É um time 'telegrafado', como diriam os mais antigos. Os adversários já conhecem as jogadas e assim o conjunto fica muito dependente do talento de seus jogadores; quando esses estão bem marcados, não há alternativa alguma.

Foi um bom jogo de futebol na Vila Belmiro, o velho e tradicional Confronto dos Alvinegros. Este é o clássico mais antigo do futebol paulista. Os santistas agora aumentaram para 94 vitórias contra o rival, no entanto, o Corinthians ainda tem vantagem de 25 glórias na frente do Santos. Ainda são registrados 83 empates em 296 jogos oficiais entre os dois gigantes do futebol brasileiro.

Robinho não jogou, está servindo a Seleção do pulha Dunga, mas os Meninos da Vila não sentiram muita falta dele:

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Por Ricardo Novais