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"A visão do mar". Foto de arquivo. |
A
saudade é a ponta de uma fita durex. Uma fita dando volta em si mesma; adesiva,
aderente, grudenta. Perde-se a ponta da saudade para achá-la novamente adesiva,
aderente, grudenta. É saudade, leitor. Uma lembrança que circula amassando a
rotina, rasgando o papel do compromisso e tornando um pedaço de mensagem do
passado em presente, um presente que não se sabe se retornará em futuro.
Como
me diz a minha amiga leitora, que a tanto prezo pelo laço de ternura, a fita de
durex é uma saudade que cola o amor, a amizade, a admiração, a ponta de uma visão do mar; e que coladas,
ponta sobre ponta, emenda dizendo à alma onde se quer voltar. É verdade, amigo
que me lê; não me tome por patife. Uma fita de durex é capaz de selar a
lembrança de um pai, de uma paixão, de uma música, de uma morte cômica, de uma
redação escolar da 7ª. série.
Ter
saudade é dar um abraço no passado envolto em um rolo de fita durex adesivo,
aderente e grudento. Contudo, nem toda a cola do mundo é capaz de grudar o riso
infinito de uma tesoura cortante e gélida.
Por Ricardo Novais
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