30a. Rodada do Campeonato Brasileiro

Quando eu era criança, meu pai dizia: “Não pode deixar o Flamengo chegar que é perigoso!” Ele se referia ao timaço que os rubro-negros tinham nos anos 1980 e também as ajudas “extracampo” que davam ao clube da Gávea – quem não se lembra dos confrontos contra o Atlético em 1980 e 1981 (Brasileirão e Libertadores, respectivamente) onde o juiz José Roberto Write e a CBF deram uma “forcinha” ao Flamengo – e que forcinha, Reinaldo, Éder e Cerezo sofreram com os desmandos dos “cartolas”. Hoje em dia não é mais assim; os cariocas perderam força dentro e fora das quatro linhas. Mas uma coisa não mudou: A força do Mengão.
O Flamengo chegou pra valer. O espirituoso Reinaldo, o lateral Leo Moura e o “Imperador” Adriano jogaram bem, mas Pet provou que é mesmo reciclável, e também genial, acabando com o jogo no Palestra Itália. O Primeiro gol dele foi uma pintura, como nos bons tempos do futebol romântico, e o segundo tento foi olímpico – segundo o sérvio, foi uma homenagem ao Rio para os Jogos Olímpicos 2016; hein? Contudo, o zagueirão Ronaldo Angelim (que, aliás, arrumou um pênalti para Wagner Love mandar a bola lá nas piscinas do Parque) quis “surrupiar” o gol para si – ele só pode estar de brincadeira, não é? A bola entrou direto; e, vamos analisar sem paixão, o “São Marcos” falhou sim! No entanto, o Flamengo apenas devolveu ao Palmeiras a derrota do primeiro turno – naquela oportunidade, o Verdão, ainda do bom técnico Jorginho (que não é da tradicional escola “retranqueira”), venceu os cariocas por 2 a 1 no Maracanã.
Para realmente tornar os velhos tempos do futebol – a polêmica desta última semana foi a discussão acerca da volta do Mata-Mata no Campeonato Brasileiro – falta agora, entretanto, o Galo vingar os anos 1980 e derrubar o Flamengo também. É que no sábado, o Atlético venceu ao São Paulo, em pleno Morumbi, por 1 a 0. Além de assumir a vice-liderança do campeonato, desbancou o Tricolor Paulista fazendo justiça a outra disputa do passado: o Brasileirão de 1977. Naquele longínquo ano, o C.A.M. era bem superior, tecnicamente, ao São Paulo Futebol Clube, porém sentiu o poder de decisão dos paulistas que venceram, numa pressão danada, nas penalidades máximas. Coitado de papai; ficou com o foguete na mão sem poder estourá-lo... Mas deixemos isto de lado que já é outra história.
Contrariando o diretor anopluro do Esporte Clube Cruzeiro, que nesta semana andou falando muitas bobagens na folclórica Belo Horizonte, o Atlético das Minas Gerais disputará sim o título com o bom time do Palmeiras (apesar da covardia de seu comandante), também com o irregularíssimo Internacional, o perigosíssimo Flamengo e, talvez, com o instável Goiás – aliás, único Clube Médio disputando o caneco deste ano. Sinceramente, não acredito mais no São Paulo do técnico Ricardo Gomes para ser campeão; apesar de ser, de fato, um time de chegada, parece ainda não estar pronto; quem sabe no ano que vem... Mas, enfim, tudo tem o seu tempo. O Tricolor já fez muito neste ano conturbado pelo qual passou – e diga-se que com muita honradez. Deve apenas lutar para não perder o posto dos qualificados para a Libertadores 2010 e esquecer-se das turbulências. Afinal, não se pode vencer sempre – re-acostume com isto, hein, torcedor são-paulino. Mas é bom que se ressalte também: isto é absolutamente normal e inerente apenas aos Grandes Clubes de Futebol
E por falar em tricolor, e o Fluminense? Tenha piedade, João de Deus! No Maracanã, o Colorado de Porto Alegre, o centenário Sport Club Internacional, que como já disse disputa o título com força, vacilou – outra vez, hein! – e cedeu o empate no finzinho do jogo contra o Fluzão. Péssimo resultado também para o desesperado clube carioca. Como diria o cronista: “já pode ir pregando a tampa do caixão!” O Fluminense já está na segunda divisão do Campeonato Brasileiro em 2010; é fato! E é uma pena!
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Fórmula 1

A corrida em Interlagos foi tão imprevisível como o clima da cidade neste final de semana. O humor dos críticos também. No sábado, Rubens Barrichello tinha recuperado o crédito de grande piloto junto ao antagônico público, já no domingo voltaram a acusá-lo de ser uma eterna promessa fracassada. Vai entender? Mas o título para o piloto britânico Jenson Button foi justo. A surpresa, para mim que não acompanho os testes das escuderias, foi o japonês Kamui Kobayashi. Ele é arrojado como Airton Senna e técnico como Michael Shumacher. Obviamente que esta minha opinião, um tanto quando exagerada, é de um bucólico laico amante do esporte; mas alguns, mais “entendidos” em Fórmula 1, dizem que o novo gênio da primeira categoria do automobilismo será o alemão Sebastian Vettel... Portanto, eu posso também dar a minha impressão ignorante e (des)avalizada, sutilmente – sem trocadinhos com o “piloto-ironia” Adrian Sutil.
Por fim, concluo a análise do GP Brasil deste ano com uma singela reflexão: por trás da casca cruel que boa parte da mídia utiliza ao qualificar Barrichello, averigua-se, com muita honestidade, que se ele não é nenhum gênio do esporte, também está longe de ser um piloto medíocre. Ao contrário, Rubinho é um bom piloto. Ele é habilidoso e extremamente guerreiro. De modo que ao invés de criticar a este grande desportista, deveria-se cumprimentá-lo por ele ser um ser humano generoso.
Por falar em sentimentos altruístas, devíamos questionar , como espectadores do bom gosto patriótico que somos, ao cidadão que teve a brilhante ideia de convidar a cantora de Axé Music, Daniela Mercury, para abrir o evento entoando aquela grotesca interpretação do Hino Nacional. Aí, "né meu", é comer churrasco grego na Praça da Sé!... Dona Vanuza, socorro!
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Destaque

O que de mais relevante ocorreu no esporte por terras brazucas neste final de semana foi a conquista do título da Copa Libertadores 2009 na categoria feminina. O Santos Futebol Clube venceu a Univervidad Autónoma de Asunción, time de moças do Paraguai, por 9 a 0 na Vila Belmiro, marcaram gols Érika (2), Maurine, Fran, Thaís, Suzana, Dani, Ketlen e Marta, a melhor jogadora de futebol do mundo. A boa Cristiane, com todo o respeito, não jogou por ter sido expulsa na semifinal do Pacaembu, mas, mesmo assim, foi a artilheira da competição com 15 gols. Deste modo, as meninas brasileiras levaram a primeira taça das Américas, no futebol de mulheres, para o clube santista. O Santos, que é gigante entre os homens, agora também é grande entre delicadas torcedoras. Parabéns às Sereias da Vila!
Abaixo os gols do jogo de estreia das garotas. Vitória histórica das Sereias do Santos Futebol Clube: 12 a 0 nas pobres moças do Emforma, da Bolívia. Reparem nas jogadas da meia-atacante, e melhor do mundo, Marta; ah se ela pudesse jogar no time masculino...