Ensaio Sobre a Chatice

Cumpre elucidar, que as características do chato são pessoais e intransferíveis. No entanto, as patologias são ordinárias e de fácil absorção.

Ainda sob o aspecto elementar desse tipo de indivíduo, revela-se sobre a sua personalidade a sua espécie mais comum: o chato simpático.

Posto mesmo que essa estirpe dos chatos “boa-praça” seja mui naturalmente encontrada em vários ambientes de nossa interessante sociedade. Como exemplo, poderemos verificar no escritório, nas universidades, nas igrejas, nas letras, nas câmaras, nos cafés, nos restaurantes, no trânsito em geral, enfim, na atmosfera citadina onde vivem (ou sobrevivem) as pessoas hodiernamente.

As tipificações visíveis desse tipo de indivíduo é o sorriso fácil que adentra fixando diretamente nas retinas de seu interlocutor; os gestos são espalhafatosos, porém objetivos, para que inspirem sempre gravidade, e as expressões ecoam em tom solene.

Prontifica-se sempre a um sábio conselho ou a uma sugestão factível da situação; o que emana ares de santificação para o chato simpático. Por sua vez, fulgura entre esses célebres conhecidos por sua fama – em detrimento da história ratificada.

Consta que os primeiros chatos eram os vampiros dissidentes do clérigo cristão, isto no século XIII, quais perfizeram a revolta dos povos arrebanhados, os levando para o paganismo do diabo. Evidentemente, os chatos foram os líderes das trevas; enveredando as pessoas para os caminhos mais tortuosos e dolorosos, mas que glorifiram seus pares com a eternidade – ainda que a imortalidade da alma submirja na chatiação da escuridão dos pensamentos.

Por fim, digo-lhes: todo sujeito chato escreve um blog chato para que outros chatos leiam. Assim os chatos saem por aí fazendo mais chatiações a outras pessoas, tão simpáticas quanto, que, factivelmente, farão várias outras piadas de mal gosto a mais gente, sucessivamente. É que chato que é chato, só se cala quando morre.


Por Ricardo Novais