Judas do Brasil

O Presidente da República concedeu nesta quinta-feira uma entrevista, ao jornal Folha de S. Paulo, onde respondeu muitas perguntas ora de forma contundente, ora de forma extenuada, ora de forma prudente, em outros momentos demonstrou-se perseverante, mas em boa parte da sabatina foi ambíguo – como é de seu peculiar feitio de bom brasileiro.

No entanto, não estou aqui para avaliar o pensamento político e muito menos as esperanças do mandatário da Nação. O Governador do Estado de São Paulo já deu uma boa definição sobre a tal entrevista: “Mostrou o Presidente de ponta a ponta, na forma e no conteúdo (...)”, disse o atroz bandeirante que é postulante ao cargo de próximo ‘ponta’ da nação. Ademais, queridíssima dona leitora, caso queria ler e avaliar por si mesma as respostas do Presidente da República, eu forneço-lhe agora o link do jornal: http://www.folha.uol.com.br/; mas se preferir ler os estímulos 'filosofo-sociais' do nosso grande 'estadista' em papel impresso, então vá, ou mande o caríssimo leitor, vosso marido, à banca de jornal e compre o tablóide paulista.

É que escrevo este texto por um aforismo feito pelo Chefe deste País e que me deixou acabrunhado. Não por questões de ordem religiosa; para mim pouco importa a fé do Presidente, se ele segue o 'monoteísmo' ou o 'multi-partidarismo', ops!, quer dizer, 'multi-teísmo' ou mesmo o 'ateísmo'. Mas é que, de fato, fiquei confuso com as seguintes palavras: “Se Jesus viesse para cá (Brasil), e Judas tivesse votação, Jesus teria de fazer coalizão com Judas”, foi isto que disse o Presidente e atormentou o meu pobre espírito.


Judas Iscariotes – não confundir com o outro Judas, o Tadeu – foi amigo e discípulo de Jesus, autor da maior história de traição já registrada na humanidade. “Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse: Que me quereis dar, e eu vo-los trarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata e desde então buscava oportunidade de entregá-lo”, (Mateus 26:14). Os príncipes queriam Jesus, Rei dos Judeus. Jesus previu que um dos discípulo iria traí-lo e fez uma advertência: “Aquele que haverá de trair-me o melhor seria que nunca tivesse nascido”. Judas, assustado, imediatamente perguntou: “Acha que sou eu mestre?” E Jesus respondeu: “Tu o disseste!”

Judas era um homem casado, pai de vários filhos e discípulo de Jesus. Convidado para exercer o cargo de tesoureiro no ministério de Jesus, ele aceitou a incumbência divina – ele foi o "Ministro da Fazenda" do Chefe dos cristãos.

Durante os três anos que Jesus exerceu seu ministério aqui na Terra, Judas carregou o alforje que continha as economias da pregação do Filho de Deus por essas bandas. Jesus considerava Judas como um bom e fiel amigo. De fato, Judas Iscariotes estava vivendo a melhor época de sua vida.

Ele começou a observar todo aquele dinheiro entrando no alforje e nasceu no seu coração o desejo de possuir aquele dinheiro. E fazendo isto, Judas atraiu para si uma grande maldição.
Como se percebe, Judas não era um mau-caráter. Segundo as Escrituras, ele apenas cumpriu uma sentença: o papel sagrado que fora escrito por Deus. Jesus Cristo, que sabia (e ainda sabe) de tudo, sabia disto também e, por isto mesmo, o perdoou.

Portanto, meus caros irmãos brasileiros, podemos pensar que cada um faz coalizão com o Judas que merece (ou que votou). Resta saber, no entanto, quem perdoará; você?!


Ricardo Novais