Lula é um Bom Companheiro

Lula conversa com Mahmoud Ahmadinejad durante a reunião, em Teerã Foto: Reuters
Lula destilando diplomacia em Teerã. Foto: Reuters. 


Diplomacia Brasileira
E o Enriquecimento de Urânio

Não, eu não sou diplomata, professor de tratados internacionais e muito menos engenheiro químico. Entretanto, causou-me muita surpresa saber que o especialista em energia nuclear do governo Lula é o doutor José de Alencar. Eu gosto do o vice-presidente da república, sinto sua ‘mineirice sagrada’, sinto também sua dor, admiro deveras a força com que ele enfrenta as adversidades e moléstias que acometeram-lhe nos últimos tempos; sou-lhe simpático em seu gestual humilde e simplório orando a Nosso Senhor do Vale do Rio Doce.

Grande maquinista político! Alencar tem como pensamento que a bomba nuclear deve sim ser feita, contanto que seja para fins pacíficos. Difícil criticá-lo, afinal, de 20%, ele é um perito no assunto; não? Além de que é um homem extremamente pacato, sereno, manso como um boi de curral mineiro – embora as vacas das fazendas de Minas Gerais gerem outro tipo de energia, talvez até mais limpa.

O fato é que por causa do triunfo da diplomacia brasileira, em conjunto com a discrição dos também pacatos turcos, o Irã está muito mais perto de construir a tão temível bomba atômica do que estava antes. Mahmoud Ahmadinejad, líder de pouco gosto aos debates e mais afeito às afetações pessoais, conta com a finíssima ajuda do Brasil para assustar aos povos vizinhos e também aqueles outros à milhas de distância, já que o artefato nuclear tem precisão cirúrgica de destruição e aniquilação de humanos.

Lula parecia crer que a comunidade mundial aplaudiria o circo que ele armou, no entanto as representações de muitos governos de nações importantes o ridicularizaram por meio da imprensa internacional. A Turquia, rancorosa do EUA por estes serem unidos à Israel e querendo se vingar dos países da Europa que não a aceitam na comunidade da União Européia, sentiu na pele a reação de descrença e sarcasmo com a negociação amistosa com o Irã.

Este artifício é muito usado nos governos populistas. Neste caso em tela, a retórica ‘lulista’ que dissimula verdades não obteve as mesmas ‘glórias’ de popularidade que alcança aqui no nosso ambiente doméstico. Os estrangeiros reagiram muito mal ao patético acordo de manipulação nuclear; diferentemente do povo que vive em terras ‘brazucas’, acostumados às manobras balofas deste governo. Não seria muito afirmar que Lula e seus calmos, porém valorosos, ‘cavaleiros do apocalipse’, doutor José de Alencar e os plácidos turcos, deixaram o mundo mais perto de uma guerra nuclear.

Meia hora depois de fechado a negociação entre Brasil, Turquia e Irã, o governo brasileiro telefonava à Dilma Rousseff, sua candidata à sucessão presidencial, oferecendo mais material ao palanque, desta vez, eleitoral; enquanto que os pacatos turcos sorriam discretamente e olhavam para todos lados à procura de algum muçulmano suspeito; já o ditador ‘boa-praça’ do Irã escreveu na ata do inocente combinado diplomático os seguintes  dizeres: “Processo de enriquecimento: Irã, 3,5%; urânio, mais de 90%. Protocolo de arquivo: U-235”.


Por Ricardo Novais