Nova Gestão do Santos FC

Houve um tempo no futebol em que o termo "fantasma branco" significava terror, terror aos adversários. "Onze fantasmas brancos" era uma alusão ao time fantástico que o Santos Futebol Clube tinha na década dourada de 1960 e também na primeira metade dos anos de 1970. Não havia quem não temesse jogar contra o alvinegro da Vila Belmiro naquela época, assim como foi o auge do respeito adquirido por um clube de futebol em toda história do esporte bretão. Por certo que houveram tempos ruins e tempos bons, antes e depois destes nobres tempos dourados, no entanto, hoje em dia, há muita dificuldade para se explicar aos mais jovens o que este clube representa para o futebol nacional e internacional.

Como ocorre na maioria dos grandes clubes brasileiros, uma série de fatores perfaz as determinantes para uma dura crise institucional ao Santos Futebol Clube.





Desde 2001, o Presidente Marcelo Teixeira vinha se entronizando no comando maior do Santos Futebol Clube. Corajoso e audacioso, Marcelo foi penalizado em seu primeiro ano de gestão pela falta de estrela do zagueiro André Luis que perdeu o duelo para o atacante corintiano Gil, que vingou no gol de Ricardinho e na desclassificação santista na semifinal do Campeonato Paulista daquele ano.

Em seguida, teve espírito para apostar no destino de jovens revelações descobertas ao acaso dos deuses do futebol. Porém, no ano de 2003, ainda que o time alvinegro não tenha tido frutos em títulos, é, reconhecidamente, o melhor trabalho de sua gestão; espetacular do goleiro ao segundo atacante, o time chegou a final da Libertadores contra o temível (à época) Boca Juniors, da Argentina, mas foi surpreendido pela inexperiência dos novos meninos da Vila. Mas, enfim, o trabalho de toda a diretoria e comissão técnica foi muito bem executado.

Todavia, a partir de 2004, mesmo conquistando o segundo título brasileiro, iniciaram-se os desmandos megalomaníacos de Marcelo Teixeira. Confuso na ânsia de permanecer no topo de suas próprias vaidades, concretizou velhos sonhos de infra-estrutura física para um clube deficitário, geração de receita entre outras instituições de sua família (inclusive na área da educação), regalias para atletas sem compromisso com time e contratações de grande impacto para dissimular a má gestão. Tudo certo não tivesse perdido a mão do planejamento, fazendo com que o clube deixasse as listas de instituições que têm crédito para as que fecham as contas no vermelho.

Como outro sonhador governante peixeiro do passado, Samir Jorge Abdul-Hak, que convidava todos os admiradores do Santos Futebol Clube para a honra de seu próprio projeto em detrimento aos interesses maiores da agremiação; Marcelo Teixeira deixou-se levar pelas páginas douradas estocadas no memorial alvinegro. Portanto, caros leitores e em especial aos milhões de vexados santistas, carecemos em muitas gerações, e continua a faltar, a grandeza e a sensibilidade para presidir este Glorioso Clube um homem como o Presidente Athié Jorge Cury, que foi o mais sábio diretor, na mais gloriosa época do futebol santista; que, entre vários títulos conquistados nesta fase, destaca-se o ano de 1962, ano do jubileu de ouro: o Santos venceu os quatro torneios oficiais em que participou – façanha inédita até hoje no futebol brasileiro. Foi campeão Paulista, da Taça Brasil (Equivalente ao Campeonato Brasileiro), Libertadores e Mundial.

De fato, muito divergente das gestões posteriores que deixaram de contratar diretores de futebol eficientes, falta de investimento no marketing do clube - que poder-se-ia ser reconhecido como sinônimo de futebol brasileiro neste planeta, como é a bossa-nova para a música, o carnval e até mesmo Pelé (mais citado que o próprio Santos).

Mas de todos os presidentes, Marcelo Teixeira fez algo que não compreendo até hoje. Além, de como todos os outros, também não contratar jogadores corretos para as posições de carência em conjunto com a comissão técnica, pois é ele quem demite e assina os cheques da instituição; há algo que considero grave: o seu mau planejamento na contratação do professor Wagner Mancini.

O referido treinador foi contratado junto ao algoz Vitória da Bahia - que em março deste ano aplicou uma vexatória goleada por meia-dúzia de gols na nau alvi-negra e fez apenas dois - por R$ 1.000.000,00! Isto mesmo torcedor assustado, o Santos fez dívida de hum milhão de reais, para pagar em dez parcelas de cem mil reais mensais, ao rubro-negro baiano; o que equivale, apenas por aproximação e sem efeito de juízo de valores, ao salário do muito mais experiente e observador do futebol Paulo César Carpejani, técnico do Vitória na época. Quer dizer, o Santos patrocinou o técnico adversário em sua própria agonia (os 6 a 2), e, além disto, permitiu o banho tático levado pelo seu jaz demitido treinador Wagner Mancini.

Algum tempo depois este técnico 'jogador de truco', Wagner Mancini, foi treinar o mesmo Vitória da Bahia. Quem paga o salário dele? Isto mesmo! Inacreditável, mas, na prática, quem paga (ou pagava, já que este senhor irá 'comandar' o Vasco da Gama - pobres cruz-maltinos!) o técnico do Vitória é o Santos Futebol Clube. Fatos deste tipo demonstram a derrocada da gestão de Teixeira.

Conjeturo ser somente por este motivo que o grande capitalista Marcelo Teixeira tenha segurado durante tanto tempo (de março a julho deste ano) um técnico tão ruim como o 'mestre' Mancini. Pensemos: como o presidente santista iria explicar, em conselho, um "negócio da China" (ou da Bahia) como este? Se bem que os diretores e conselheiros do Santos são altamente submissos aos devaneios de seu presidente. Sendo assim, por estas e por tantas outras, existe apenas um culpado para a atual conjuntura equivocada e ineficiente, a quem devemos cobrar e não aplaudir, no Santos Futebol Clube: o malfadado ex-Presidente Marcelo Teixeira!


Mas admito que Teixeira teve bela atitude ao reconhecer a derrota nas urnas e cantar, junto com Luis Alvaro, o hino do clube para todos os torcedores que estavam presentes no Salão Nobre da Vila Belmiro. Também admito que a gestão dele teve saldo positivo: foram 2 Brasileiros e 2 Paulistas vencidos pelo cartola peixeiro; mas os tempos são de renovar e 'engrandecer' ainda mais a instituição santista.

Por um Santos FC sempre Gigante...


O novo presidente do Santos Futebol Clube aceitou responder algumas poucas perguntas, via twitter, para este blog - que, aliás, não tem pretensão jornalística ou de análise, mas a ocasião fez a insistência em saber o pensamento do novo cartola de um dos maiores clubes de futebol do mundo.

Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro iniciou suas atividades profissionais de emepresário em 1965, quando fundou a Forma Nova Propaganda, empresa de comunicação especializada na área imobiliária. Como conseqüência dessa atividade, acabou por ser convidado para representar em São Paulo a Bolsa de Imóveis do Rio de Janeiro, antiga e conceituada empresa de avaliações, fundada em 1939, e dirigir sua sucursal por 9 anos. Empresário de sucesso, Luis Álvaro é santista de coração e sempre esteve antenado nas coisas pros lados da Vila Belmiro.

Semana passada ele venceu, em eleições democráticas, porém tulmutuadas, recorde em eleitores em um clube de futebol, o candidato da situação, Marcelo Teixeira.

Vamos então à curta, mas frutífera, entrevista feita por etapas entre sexta-feira e ontem pelo twitter com o cartola santista, nova esperança dos milhões de torcedores do Peixe, o Presidente Luis Álvaro Ribeiro:

@RicardoANovais: Verdade que o senhor irá vender Neymar, Paulo Henrique, e Rodrigo Souto?

@laoribeiro: Não tenho intenção de vender nenhum deles, são os principais jogadores da equipe. Além disso, faremos contratações importantes. Estamos inventariando tudo. Plantel, quando vence contrato, quanto ganha. Estamos começando uma fase de transição no clube. Mas falei ontem com o presidente Marcelo Teixeira e ele garantiu que também não tem interesse de vender esses jogadores no fim de sua gestão.

@RicardoANovais: O que espera do novo treinador do Santos FC, Dorival Júnior?

@laoribeiro: Contratamos um treinador jovem, pensamos em um ou dois nomes que satisfi zessem a torcida e os interesses do clube, o que podemos gastar e chegamos no Dorival, conversamos muito e acertamos... Mas ainda falta colocar no papel, mas deveremos fazer isso logo, na próxima semana.

@RicardoANovais: Como será a gestão do senhor à frente do clube santista?

@laoribeiro: Eu vou fundar o Santos novamente. Nós vamos fazer uma varredura no Santos. Tudo o que foi feito de errado em termos financeiros, eu vou divulgar.

@RicardoANovais: Mas vai mudar muita coisa da atual administração?

@laoribeiro: Sim. Vamos ter uma administração transparente, com princípios de governança corporativa e com satisfação ao acionista, que é o sócio do Santos. O associado não espera dividendos, espera campeonatos. E com uma equipe que seja essencialmente profissional. Vamos contratar profissionais de mercado, para liderar cada uma das áreas sensíveis do clube, inclusive e especialmente, o futebol.

@RicardoANovais: Ouvi dizer que Pelé é parte dos palnos do senhor, como assim?

@laoribeiro: Haverá uma reforma estatutária, e o ídolo eterno do Santos, Pelé, voltará a participar nas coisas da Vila Belmiro, contratado como profissional do clube. Sua missão será de ser a imagem do Santos no Brasil e no exterior.

@RicardoANovais: Para não 'congelar' mais a 'timerline' (do twitter) do senhor, como santista de coração, desejo-lhe toda a sorte do mundo e peço que post uma mensagem final.

@laoribeiro: Vamos trabalhar muito para o Santos ser o Santos, sempre! Eu que agradeço, e preciso mesmo descansar um pouco, já estamos trabalhando intensamente. Mas nas coisas do Santos, sinto-me com o fôlego de um garoto do juvenil.

@RicardoANovais: Publicarei esta nossa conversa no meu blog, Blog do Ricardo Novais, ok?

@laoribeiro: Sim. Quero dizer também da minha felicidade de ver que os comandos dos grandes clubes estão se renovando. O Flamengo acertou ao eleger a Patrícia Amorim.

@RicardoANovais: Saudações Santistas!



Por RICARDO NOVAIS


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