Botafogo no Coração


Foto de Celso Pupo.

O 'Império do Amor' virou cinzas. Os atacantes foliões flamenguistas Adriano e Wágner Love passaram o Carnaval com 'Fogo' na cabeça. Ontem, no velho 'Maraca', o Botafogo fez cinzas rubro-negras numa virada histórica nas semi-finais da Taça Guanabara, válida pelo 1º turno do Campeonato Carioca.

O Flamengo parecia mesmo estar, literalmente, na ressaca de Quarta-Feira de Cinzas. Embora tecnicamente superior ao rival, faltou raça e vontade de vencer do Glorioso de General Severiano.


Desde os anos de 1960 este confronto é conhecido como 'O Clássico da Rivalidade', mas nos últimos anos o confronto ficou ainda mais acirrado visto que os dois fizeram jogos decisivos e importantes. O clube da Gávea tem 119 vitórias e marcou 515 gols contra o rival; já o Fogão tem 104 glórias em cima dos rubro-negros e vararam as redes do inimigo 482 vezes; há computado ainda 108 empates. Ao longo da história do duelo são registrados 330 jogos até a noite de ontem.

Justamente na batalha de ontem, primeiro marcou o Fla, um gol bem no início do jogo, mas o Botafogo empatou ainda no 1º tempo, tento do guerreiro Marcelo Cordeiro.

Quando a primeira etapa caminhava a passos largos para o seu final, o árbitro Luís Silva dos Santos se enrolou. Ele marcou uma falta inexistente de Fahel em Vinicius Pacheco e mostrou cartão vermelho ao botafoguense, que já havia levado amarelo. Porém, após reclamação dos alvinegros, principalmente por parte do experiente Lúcio Flávio (que recebeu vaias da torcida antes e durante o jogo), o 'juizão' voltou atrás, reconsiderou a expulsão de Fahel e, inacreditavelmente, deu cartão amarelo a Fábio Ferreira, que nada fizera no lance.

Foi aí que o conservador, porém competente, treinador Joel Santana provou que tem estrela. Olhou para a velha prancheta 'mágica' e viu a jovem estrela Caio, de 19 anos. "Ele é um filho iluiminado!", exclamaria Joel ao final da partida. E 'Papai Joel', como o técnico é conhecido entre os boleiros, explicou o seu esquema ao pupilo igual um pai orienta a um filho, sacou Lúcio Flávio e pôs o garoto em campo. Não deu outra: A 'Estrela Solitária' brilhou na noite quente do Maior do Mundo, Caio marcou o gol da classificação. Ouvia-se das arquibancadas: "Caio é o novo Nero, colocou fogo no 'império'..." O Maracanã, com pouco mais de 40 mil testemunhas, presenciou, na segunda semi-final da Taça Guanabara o Botafogo vencer o Flamengo, numa virada histórica, por 2 a 1. Agora o Glorioso fará a final, em dois jogos*, contra o Vasco da Gama.

Na outra semi-final disputada no sábado, neste mesmo 'Maraca', na agonia dos pênaltis, o Vasco já havia derrotado o Fluminense, no 'Clássico dos Gigantes'. Os números deste confronto: Vascão 129 vitórias, 503 gols; Flu 110 vitórias, 466 gols; 95 empates; em 334 jogos entre os dois rivais.


Primeira página do jornal esportivo Extra, do Rio de Janeiro.

Quem diria que o 'velho lobo do mar', Joel Santana, lançaria o herói da noite: Caio, meia-atacante que em 3 jogos fez 3 gols. Mágica que nem mesmo o carnavalesco Paulo Barros, vencedor do Carnaval do Rio pela escola de samba Unidos da Tijuca, ousaria em pensar.

No entanto, como há coisas que só acontecem mesmo ao Botafogo, no domingo, no jogo da finalíssima da Taça Guanabara, eu sou bem capaz de apostar que o Vasco será o campeão. De qualquer maneira, quem se sair melhor neste jogo já estará automaticamente na final do Campeonato Carioca; e se vencer a Taça Rio também, correspondente ao 2º turno da competição, nem precisará fazer os jogos da final derradeira, consagrar-se-a campeão direto.

Aos rubro-negros restam se recuperarem de algumas 'ressacas' para encararem, já na próxima quarta no Maracanã, o primeiro jogo na Libertadores da América 2010. Espero que sem 'fanfarronices imperiais'...


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Já que estou apostando no Vasco na final da Taça Guanabara, cá entre nós esqueçamos as contravenções, mas animei-me a fazer uma fézinha no jogo do bicho. Deixa ver, Unidos da Tijuca não vencia o Carnaval desde 1936, o Botafogo finalmente derrotou o Flamengo... Hum... É pavão na cabeça!


Por Ricardo Novais

* (A final da Taça Guanabara é disputada em jogo único, como corrigido pelo caro amigo Zatonio Lahud).