Mostrando postagens com marcador Maracanã. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maracanã. Mostrar todas as postagens

O Último Fla-Flu

“Tudo é Fla-Flu, o resto é paisagem”. (Nelson Rodrigues)


O velho ‘Maraca’ viu na noite de ontem o último Fla-Flu.  Quantas noites foram mais memoráveis?... E o pôr-do-sol?

Sol no Rio de Janeiro, domingo, à tarde, Maracanã – lotado! De um lado os geraldinos tricolores, do outro os geraldinos rubro-negros; é o “Clássico das Multidões”. Depois vieram outros rivais, outras torcidas de “milhões”, mas nenhum duelo é igual a um Fla-Flu naquele templo do futebol.

No dia 14 de outubro de 1951, Flamengo e Fluminense fizeram o primeiro “jogo antes do nada” da história do Maracanã. Naquele tempo, o time tricolor venceu por 1 a 0. Havia lá toda a gente... Ontem, quase 59 anos depois, poucas almas vivas e mortas testemunharam as  duas tradicionais equipes cariocas em seu último confronto neste gramado teatro de sonhos.  Sim, enfático torcedor, o último clássico antes do fenecimento de toda uma vida, vivida apenas na paixão ao esporte bretão; daqui 3 anos, os portões reabrem no mais emblemático palco de futebol da Terra, mas totalmente reformulado à pretensão de abrigar finórias instalações, padrão FIFA, visando os lucros da bola, bem redonda pela pecúnia, na Copa do Mundo de 2014.

Incrível clube das Laranjeiras e fantástico clube da Gávea, um faz parte do outro. Como o Morro Dois Irmãos, um vive e o outro respira, seja no hino seja na inveja. Irmão mais novo, o Flamengo é dissidência do Fluminense; com o amadurecimento, trilharam caminhos opostos, mas sempre tornam e se encontram... e brigam. Brigam feio! Ora; se o amor, também o ódio,  entre irmãos nada mais é que sentimento de respeito; concordas comigo, querido torcedor carioca já saudoso do velho ‘Maraca’?

Mário Filho teria saudade do “Fla-Flu da Lagoa”, Nelson Rodrigues de um Fla-Flu de 1919 ou outro qualquer onde a multidão já tenha morrido, ou quase toda ela já não mais exista. A voz da dona leitora queima minhas orelhas: "E que tens tu, desgraçado autor paulista, cá com nosso maciço e nossos bulevares?" Ó, minha querida senhora, eu só conheço as crônicas empoeiradas, as imagens de fundo de gaveta, as sensações da meninice ouvindo vozes do rádio e os arquivos de internet. Pouco para àqueles que sobreviveram ao tempo, mas bom para mim, que com o escasso imagino muito e vejo todos os mortos e sobreviventes do antológico estádio tremendo, elegantes mulheres boquiabertas, comportadas crianças a pular, e a mais extraordinária euforia Tricolor e o mais belo e notável amor Rubro-Negro.

Ouvem-se gemidos, o último suspiro, de outra criança que chora e escorrega da Geral do Maracanã – que nem é mais a mesma e jamais tornará a ser. Quer chorar também, torcedor geraldino? Pois chore! Mas mantenha esperança em glórias do incerto futuro com um de teus pés atrás. Sei que o  desanimo é grande, chutam para longe o encanecido romantismo e buscam hodierno prazer tecnológico. Da mesma maneira a tristeza é tamanha nas tribunas e nas arquibancadas, atingindo todos os apaixonados pelo Fluminense e o povo flamenguista de laço fraterno e coração sôfrego.

Maracanã colorido em duas metades: rubro-negro e tricolor. Imagem de arquivo.

Pouco importa o placar deste último Fla-Flu. Sabe-se, no entanto, que, assim como em 1951, os tricolores venceram aos rubro-negros, em duelo derradeiro. Ponto. Fechou-se a tampa do passado no Maracanã. Mas daqui começa outra história. Anseio apenas que a sorte que há de vir seja como um autêntico Fla-Flu, a arte de transformar briga em espetáculo.


Por Ricardo Novais

Craque das Palavras

Foto: Patrícia Kappen/G1

Foto: Patrícia Kappen - G1

Hoje o velho 'Maraca' tem a última crônica de um craque das palavras. Morreu a poesia inserida no futebol, morreu um dos mestres que criam das tribunas jogadas geniais. Morreu o cronista Armando Nogueira.

Se quiser chorar, torcedor, chora. A perda é grande; mais que isto, o dano é irreparável. Lá se foi o nosso Armando procurar algum vôo mais alto, mas olhando para baixo em busca de um lance arguto ou de um artista da bola – de preferência que surja lá para os lados de General Severiano.

Pensando melhor, não, não foi a última crônica do craque. Talvez esta tenha sido apenas a melhor delas, a mais bonita, a que transforma a morte na melhora da vida. Ele sabia disto, cronistas sempre sabem... Possível que alcançasse alguma esperança de enterrar alguns velhos atores do Maracanã. Verdade que a escrita de Armando Nogueira seria formidável para consagrar os momentos que virão no futuro que aguardamos com ansiedade. A Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos, os Campeonatos Brasileiros, as partidas da Taça Guanabara, enfim, os eventos esportivos serão mais pobres daqui para frente.

Nevrálgicos por certo levantarão máculas próprias de suas ideologias ao poeta, acusarão homem de texto tão sublime por faltar-lhe coragem "denuncista" e ridícula quando esteve à frente do JN nos "anos de chumbo" – também eu não ajudaria intelectuais covardes a formarem "jovens terroristas". Além disto, esta é hora de reverência. Deixemos o velho craque das palavras ir-se, deixemo-lo ir falar ao mágico Garrincha e ao intempestivo Heleno de Freitas, ir tecer com os outros cronistas geniais que voam por tribunas do olimpo eterno. Creio que, antes de chegar a quietude do São João Batista, o último pedido seja: “Cuidem do meu Botafogo!”




Por Ricardo Novais

Botafogo no Coração


Foto de Celso Pupo.

O 'Império do Amor' virou cinzas. Os atacantes foliões flamenguistas Adriano e Wágner Love passaram o Carnaval com 'Fogo' na cabeça. Ontem, no velho 'Maraca', o Botafogo fez cinzas rubro-negras numa virada histórica nas semi-finais da Taça Guanabara, válida pelo 1º turno do Campeonato Carioca.

O Flamengo parecia mesmo estar, literalmente, na ressaca de Quarta-Feira de Cinzas. Embora tecnicamente superior ao rival, faltou raça e vontade de vencer do Glorioso de General Severiano.


Desde os anos de 1960 este confronto é conhecido como 'O Clássico da Rivalidade', mas nos últimos anos o confronto ficou ainda mais acirrado visto que os dois fizeram jogos decisivos e importantes. O clube da Gávea tem 119 vitórias e marcou 515 gols contra o rival; já o Fogão tem 104 glórias em cima dos rubro-negros e vararam as redes do inimigo 482 vezes; há computado ainda 108 empates. Ao longo da história do duelo são registrados 330 jogos até a noite de ontem.

Justamente na batalha de ontem, primeiro marcou o Fla, um gol bem no início do jogo, mas o Botafogo empatou ainda no 1º tempo, tento do guerreiro Marcelo Cordeiro.

Quando a primeira etapa caminhava a passos largos para o seu final, o árbitro Luís Silva dos Santos se enrolou. Ele marcou uma falta inexistente de Fahel em Vinicius Pacheco e mostrou cartão vermelho ao botafoguense, que já havia levado amarelo. Porém, após reclamação dos alvinegros, principalmente por parte do experiente Lúcio Flávio (que recebeu vaias da torcida antes e durante o jogo), o 'juizão' voltou atrás, reconsiderou a expulsão de Fahel e, inacreditavelmente, deu cartão amarelo a Fábio Ferreira, que nada fizera no lance.

Foi aí que o conservador, porém competente, treinador Joel Santana provou que tem estrela. Olhou para a velha prancheta 'mágica' e viu a jovem estrela Caio, de 19 anos. "Ele é um filho iluiminado!", exclamaria Joel ao final da partida. E 'Papai Joel', como o técnico é conhecido entre os boleiros, explicou o seu esquema ao pupilo igual um pai orienta a um filho, sacou Lúcio Flávio e pôs o garoto em campo. Não deu outra: A 'Estrela Solitária' brilhou na noite quente do Maior do Mundo, Caio marcou o gol da classificação. Ouvia-se das arquibancadas: "Caio é o novo Nero, colocou fogo no 'império'..." O Maracanã, com pouco mais de 40 mil testemunhas, presenciou, na segunda semi-final da Taça Guanabara o Botafogo vencer o Flamengo, numa virada histórica, por 2 a 1. Agora o Glorioso fará a final, em dois jogos*, contra o Vasco da Gama.

Na outra semi-final disputada no sábado, neste mesmo 'Maraca', na agonia dos pênaltis, o Vasco já havia derrotado o Fluminense, no 'Clássico dos Gigantes'. Os números deste confronto: Vascão 129 vitórias, 503 gols; Flu 110 vitórias, 466 gols; 95 empates; em 334 jogos entre os dois rivais.


Primeira página do jornal esportivo Extra, do Rio de Janeiro.

Quem diria que o 'velho lobo do mar', Joel Santana, lançaria o herói da noite: Caio, meia-atacante que em 3 jogos fez 3 gols. Mágica que nem mesmo o carnavalesco Paulo Barros, vencedor do Carnaval do Rio pela escola de samba Unidos da Tijuca, ousaria em pensar.

No entanto, como há coisas que só acontecem mesmo ao Botafogo, no domingo, no jogo da finalíssima da Taça Guanabara, eu sou bem capaz de apostar que o Vasco será o campeão. De qualquer maneira, quem se sair melhor neste jogo já estará automaticamente na final do Campeonato Carioca; e se vencer a Taça Rio também, correspondente ao 2º turno da competição, nem precisará fazer os jogos da final derradeira, consagrar-se-a campeão direto.

Aos rubro-negros restam se recuperarem de algumas 'ressacas' para encararem, já na próxima quarta no Maracanã, o primeiro jogo na Libertadores da América 2010. Espero que sem 'fanfarronices imperiais'...


© 1996 - 2007 Todos os direitos reservados a Infoglobo S/A.

Já que estou apostando no Vasco na final da Taça Guanabara, cá entre nós esqueçamos as contravenções, mas animei-me a fazer uma fézinha no jogo do bicho. Deixa ver, Unidos da Tijuca não vencia o Carnaval desde 1936, o Botafogo finalmente derrotou o Flamengo... Hum... É pavão na cabeça!


Por Ricardo Novais

* (A final da Taça Guanabara é disputada em jogo único, como corrigido pelo caro amigo Zatonio Lahud).

Tricolor Guerreiro!


Espetáculo maravilhoso! Ontem à noite o velho 'Maraca' viu uma das noites mais belas de suas inúmeras noites de emoção. O Fluminense precisava fazer uma diferença de 4 gols contra a LDU, Liga Desportiva Universitária, de Quito, levar para a prorrogação e fazer mais um golzinho ou ir para decisão dos pênaltis. O Tricolor tentou com muita garra, mas conseguiu fazer 3 e, outra vez, a Liga Universitária venceu um torneio sulamericano em cima dos cariocas; agora foi a Taça Sulamericana, ano passado foi a doída derrota na Taça Libertadores (ambas as finais foram num Maracanã lindamente lotado!).

Os torcedores do Fluminense fizeram mais uma versão de seu próprio e original mosaico - Vasco da Gama e Flamengo também fazem a arte. Entretanto, se as arquibancadas tricolores do 'Maraca' ontem não viram título (como no caso do Vasco), nem o maior painel do mundo (como no dia do Flamengo), viram, sem sombra de dúvida, o espetáculo mais bonito da mais bela torcida do País.

Desta vez, o colorido e magnífico Painel do Fluminense dizia: "Eles tem a altitude, vocês tem a nós". Foi uma referência ao primeiro jogo da final, na altíssima Quito, onde o Flu perdeu por 5 a 1; daí a necessidade do Tricolor em fazer tantos gols para virar os rumos da decisão.

No fim, os tricolores reconheceram a derrota e orgulharam-se do brio e do caráter do time em campo: caíram, mas caíram de pé!

A esperança é mesmo Tricolor; domingo tem outra batalha, dessa vez será pela fuga do rebaixamento contra o Coritiba, no Couto Pereira.

Ontem das arquibancadas vieram os gritos: "Time de Guerreiro!"


Provavelmente o senhor leitor amante de futebol deva estar se perguntando: Mas que vídeo é este, o Tricolor foi Campeão do Torneio? Não, parabéns à Liga! Porém, torcedores verdadeiramente apaixonados - que recebem o time na volta para casa depois de uma derrota vexatória, que aplaudem o time depois de perderem finais importantes, que apoiariam o clube em qualquer divisão - devem ser sempre reverenciados.

Deve ter sido numa noite igual a de ontem que Nelson Rodrigues constatou: " Tricolor, só existe um. O resto são clubes de três cores!". Avante sempre, Fluzão!


Por RICARDO NOVAIS
__________________

36a. Rodada do Campeonato Brasileiro

Eta, campeonato confuso! Quase 100 mil - 100 mil! - espectadores no 'Maraca', e o Mengão decepcionou. Flamengo apenas empatou com o Goiás num terrível 0 a 0. Pet de bola parada, sempre ele, foi o jogador mais ativo dos rubro-negros. Pouco para arrancar a liderança do Brasileirão do São Paulo, que, no mesmo Rio de Janeiro, mas no Engenhão, perdeu para o Botafogo num jogo eletrizante de duas viradas. Prevaleceu o AlviNegro de General Severiano, 3 a 2 (dois golaços do bom, mas tonto, Jóbson que foi expulso de campo pelo juiz (pra que tirar a camisa na hora de comemorar o gol? Burro!). Ainda assim o Tricolor do Morumbi é o líder isolado da competição.

Há coisas que só acontecem mesmo ao Botafogo, já dizia o jargão. 'Tentando' 'ajudar' o Fla, o Bota 'prejudicou' o Flu, que venceu o Sport, lá em Recife, por 3 a 0 com show do craque argentino Conca. E nesta semana o Tricolor vai à Quito, no Equador, jogar a primeira partida da final da Sulamericana contra a LDU, mesmo adversário da final da Libertadores do ano passado (aliás parabéns aos jogadores brasileiros, que no meio de semana, jogando a classificação para a final da Sulamericana, demonstraram que são muito aguerridos. Quebraram o 'pau' no 'Maraca' contra os paraguaios do Cerro Portenho; avante Flu!). Mas no Brasileirão, na verdade, Fluminense x Botafogo, o 'Clássico Vovô' - o jogo, entre clubes grandes, mais antigo do País - tristemente os dois batalham num confronto que não honra as suas próprias tradições: lutam para fugir de novo vexame sendo rebaixados à segundona. Que João de Deus abençoe os tricolores, mas não se esqueça dos botafoquenses.






Já em Minas Gerais, confronto direto. Atlético e Internacional lutaram num jogo de '6 pontos' e deu Colorado, 1 a 0, em pleno Mineirão. A torcida atleticana vaiou vários jogadores, incluindo o lateral Thiago Feltri que foi o mais castigado. O outro grande de Minas continua na briga pela vaga na Libertadores, o Cruzeiro arrancou um empate fora de casa diante do desesperado Atlético Paranaense, 1 a 1 na Arena da Baixada, em Curitiba.

Por falar na cidade de Curitiba, o Coritiba Football Club, que este ano completou 100 anos de muitas glórias, corre sério risco de salvar os cariocas do rebaixamento e se afundar nas trevas do rebaixamento. Jogou na Vila Belmiro - opa, estou de olho, hein, já estou sabendo que o Teixeira não quer 'largar o osso' mesmo. Como é que pode isto? É presidência 'Ad Eterna'? - e o Santos venceu o Coxa por 4 a 0, mas poderia ter sido 7 a 0 que não seria nenhum absurdo; e que gol maravilhoso fez o menino Neymar, hein? Gol de moleque bom de bola! O tradicionalíssimo Coritiba tem confronto direto com o Fluminense na última rodada; seja o que Deus quiser...

Lutam também para fugir da degola Santo André, ainda respirando por 'aparelhos', e o Náutico - que venceu o Corinthians por 3 a 2, em pleno Pacaembu; Ronaldo jogou, jogou bem, fez gol, perdeu outro por puro preciosismo de craque, mas ele tem crédito no Timão e com o torcedor amante do bom futebol. Vitória tem 47 pontos; aí vem Atlético-PR, Coritiba, Botafogo com 44; Fluminense com 42; Santo André e Náutico aparecem com terríveis 38 pontos; todos estes estão na mesma briga, uns com mais chances, outros com menos, por causa dos confrontos diretos que haverão entre eles. Já o Sport Recife não luta por nada, apenas joga dois amistosos para arrecadar fundos e uma eventual 'mala branca' (ou 'preta'); o último jogo do Leão da Ilha é contra o São Paulo, no Morumbi, e é aí que pode ser decidido o título.

E o Palmeiras, hein? Que vergonha! Nem tanto pela queda de rendimento, é o 4º colocado e foi líder por 14 rodadas seguidas, mas pela falta de preparo da comissão técnica e, sobretudo, da diretoria. O atacante Obina (melhor que o craque camaronês Eto e "primo" do homem mais podoroso do mundo, o presidente americano Obama) e o zagueiro Maurício trocaram golpes dignas de pugilato no final do primeiro tempo lá no gramado do estádio Olímpico, em Porto Alegre, em jogo único de abertura da rodada, quarta-feira passada. O juiz expulsou os dois assim que retornaram ao campo, o Palmeiras perdeu por 2 a 0 (e foi pouco), e os dois atletas palestrinos foram sumariamente demitidos pelos cartolas do clube. Será que era para tanto? Ainda que uma briga por vaidades, poder-se-ia facilmente contornar a situação pelo menos neste final de campeonato. Mas não! Quiseram demonstrar autoritarismo e passar "macheza" aos outros jogadores do elenco e aos próprios torcedores. Quer dizer, eximiram-se da culpa pelas decisões equivocadas e incompetentes que tomaram ao longo do ano. Mais um prova de vã vaidade da diretoria do Verdão, um verdadeiro absurdo!

Na Série B, em jogo de várias faixas próprias dos fardamentos, o Vasco teve a sua faixa de Campeão da Segunda Divisão carimbada pela Ponte Preta, 1 a 0 num 'Maraca' bem vazio, em tarde de sábado bastante quente no Rio. Porém, de nada adiantou a vitória da Macaca, o seu arqui-rival Guarani, juntamente com Ceará (17 anos depois), Atlético-GO e o Campeão Cruzmaltino, disputarão a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro no ano que vem. Parabéns aos ascendentes!

Se no sábado o Maracanã não teve muito público, já no domingo a 'urubuzada' encantou os amantes do futebol. Ainda que os torcedores do Mengão tenham saído um tanto quanto frustradas com o resultado, como é bonito ver o 'Maior do Mundo' colorido por quase 100 mil apaixonados fazendo o maior mosaico do mundo:

.
Por RICARDO NOVAIS

O Milésimo Feito de um 'Rei'

--Por Ricardo Novais --

Andrada, grande goleiro argentino que atuava pela meta do Vasco da Gama, não queria sofrer o milésimogol de Pelé. O jogo era um massacre santista sobre os cruz-maltinos, que fizeram de tudo para resguardar o seu goleiro. Mas aos 33 minutos do 2° tempo, o zaguiro Renê cometeu pênalti.

Este momento foi mágico como toda a carreira do ‘Rei do Futebol’. Se Pelé fizesse o gol 1.000, de um total de 1.281 gols oficiais, com bola rolando, talvez, muitos dos expectadores presentes no Maracanã, na noite de 19 de novembro de 1969 - que como hoje também era “Dia da Bandeira”, mas de tempos muito mais difíceis de escuridão, mordaça, ditadura e 'linha dura' - mas muitos mesmo poderiam não ver o lance ou vê-lo apenas de relance. Mas não! Quis o destino que fosse de pênalti para que todos parassem e apreciassem, com toda a atenção, o maior jogador da história fincar o pé no ‘Olímpio do Futebol’.



Pelé estava apreensivo, o estádio estava lotado, os jogadores do Santos Futebol Clube foram todos para a sua intermediaria e se abraçaram. O ‘Rei’ viu tudo, olhou para cima, não beijou a bola, apenas fez o sinal da cruz. Chutou a bola com o pé direito no canto esquerdo de Andrada, que se esforçou muito e ainda tocou na bola, mas ela entrou. O argentino, ‘portenho’ aguerrido, olhou a bola no fundo da rede e socou o gramado do ‘Maraca’. Tudo parou naquele instante, uma multidão invadiu o campo para reverenciar a ‘majestade’ e seu feito. Pelé chorava, agradeceu, pediu pelos pobres e oprimidos, pelas ‘criançinhas’ do Brasil. Em seguida vestiu uma camisa número 1.000 do Santos e deu a volta olímpica no estádio, exaltado pela alegria e consternação que vinha das arquibancadas do Rio de Janeiro.



Aliás, nada mais justo que este evento acontecesse no Rio. Alguns cronistas dizem até hoje numa possível conspiração do Santos e dos cariocas para que o milésimo gol ocorresse no Maracanã, com todo o glamour. Verdade que Pelé poderia ter feito o gol 1.000 em Salvador contra o Bahia – ele driblou o goleiro e chutou para as redes, mas o zagueiro Hildo, do Tricolor da Boa Terra, salvou em cima da linha. O estádio da Fonte Nova baixou uma vaia direcionada ao próprio jogador do time, que ao invés de ser considerado herói é tido como vilão entre os baianos – mas, sinceramente, o milésimo gol do jogador Edson Arantes do Nascimento, o ‘Rei Pelé’, ter acontecido no Rio de Janeiro foi uma feliz coincidência, um presente dos deuses ao verdadeiro ‘deus’ do futebol (ouviram bem, 'hermanos boludos', apenas Pelé é 'deus' do futebol).

Jogo terminou 2 a 1 para o Santos, com público 65.157 pagantes. Pelé tem marcado seus pés na calçada da fama do Maracanã. Até hoje, toda vez que o clube da Vila Belmiro vai ao Rio de Janeiro em uma nova jornada, há uma imensa saudade do povo carioca que relembra com alegre saudosismo, mesmo os que nem mesmo tinham nascido ainda, daquele “Dia da Bandeira”, 19 de Novembro, onde ‘Onze Fantasmas’ jogaram luz às trevas em um dos tempos mais terríveis entre todos os 'anos de chumbo' que o Brasil viveu em sua história e se consagraram, por mérito e por talento, como símbolo deste País em um momento esportivo e histórico único, memorável e fantástico (ou ‘santástico’), o milésimo gol de um ‘Rei’!


* As figuras e as fotos que aparecem no texto são de divulgação do Jornal Estado de São Paulo, cadernos de esportes; e da revista esportiva Placar. ** As imagens do milésimo gol de Pelé são da extinta Rede Tupi de Televisão de São Paulo, reexibidas pela Rede Record News de Televisão. *** O áudio é da narração de Joseval Peixoto, da Rádio Jovem Pan de São Paulo.

27a. Rodada do Campeonato Brasileiro

No clássico Santos vs. Palmeiras, o Clássico da Saudade', apelido referente aos maiores times paulistas no auge do futebol brasileiro (década de 1960), o Palestra levou a melhor. Bateu o Peixe por 3 a 1, de virada – ô, “Luxa”, por que tirou o Pará? –, e se mantém líder da competição rumo ao seu Pentacampeonato Brasileiro. Os números históricos do clássico agora computam: 122 vitórias para o time verde, 91 vitórias dos peixeiros e 77 empates.

O São Paulo, que abriu bem a rodada vencendo o Náutico também de virada nos Aflitos no meio de semana, é o segundo colocado, cinco pontos atrás do líder Palmeiras. O Galo venceu bem ao Barueri no sábado, num Mineirão para mais de 47 mil expectadores, e foi beneficiado pelos tropeços dos rivais: Internacional, que decepcionou novamente perdendo de 2 a 0 para o Coritiba em Curitiba; e do Goiás, que viu o Glorioso arrebentar em pleno Serra Dourada: 3 a 1 Botafogo.

Do sul do País vem o jogo mais agitado da rodada: Grêmio 3 x 3 Sport Recife; como não acompanhei a partida, ressalto apenas o golaço de Jonas (ex-Santos – Ê, Teixeira!), artilheiro do campeonato ao lado de Tardelli do Galo e Vs. Ex. o "Imperador" Adriano, todos os três com 14 gols na tábua de artilharia.

Já no “Maraca” lotado, a torcida do Mengão entoou: “Ão, ão, ão, segunda divisão!” No Fla x Flu deu Flamengo: 2 a 0. A defesa do tricolor é brincadeira, hein! Que mãe! Não fosse o goleiro Rafael teríamos goleada no clássico. Adriano, Zé Roberto e o veterano, mas sempre bom, sérvio Pet acabaram com o jogo. Houve também um susto neste jogo, o atacante Alan, do Fluminense, desmaiou e o levaram às pressas para o hospital, na Quinta da Boa Vista. Está tudo bem com o jovem jogador tricolor; provavelmente sofreu, como muitos outros cariocas das Laranjeiras, de “adrianite crônica”. Por falar nisto, o "Imperador" deu um rolinho no zagueiro adversário... Ah, vá pra casa, Cássio! Vá pra casa!... Desculpe, ponderado leitor.

Mas no meio de semana tem mais; quem vence? Fluminense ou Corinthians? Pobre tricolor...
Já na série B, o líder absoluto, Vascão da Gama, ficou no 0 a 0 com o Braga, em Bragança Paulista, de baixo de uma chuva, meu amigo, mas uma chuva...

E a querida turma tricolor baiana deve tomar muito cuidado; já é a segunda rodada em que o sempre tradicional Bahia frequenta a zona de rebaixamento. Em vez de subir para a Série A vai descer para a Série C? Assim não dá!


Ricardo Novais
Protected by Copyscape Online Infringement Detector