Mostrando postagens com marcador Bairro de Botafogo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bairro de Botafogo. Mostrar todas as postagens

Craque das Palavras

Foto: Patrícia Kappen/G1

Foto: Patrícia Kappen - G1

Hoje o velho 'Maraca' tem a última crônica de um craque das palavras. Morreu a poesia inserida no futebol, morreu um dos mestres que criam das tribunas jogadas geniais. Morreu o cronista Armando Nogueira.

Se quiser chorar, torcedor, chora. A perda é grande; mais que isto, o dano é irreparável. Lá se foi o nosso Armando procurar algum vôo mais alto, mas olhando para baixo em busca de um lance arguto ou de um artista da bola – de preferência que surja lá para os lados de General Severiano.

Pensando melhor, não, não foi a última crônica do craque. Talvez esta tenha sido apenas a melhor delas, a mais bonita, a que transforma a morte na melhora da vida. Ele sabia disto, cronistas sempre sabem... Possível que alcançasse alguma esperança de enterrar alguns velhos atores do Maracanã. Verdade que a escrita de Armando Nogueira seria formidável para consagrar os momentos que virão no futuro que aguardamos com ansiedade. A Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos, os Campeonatos Brasileiros, as partidas da Taça Guanabara, enfim, os eventos esportivos serão mais pobres daqui para frente.

Nevrálgicos por certo levantarão máculas próprias de suas ideologias ao poeta, acusarão homem de texto tão sublime por faltar-lhe coragem "denuncista" e ridícula quando esteve à frente do JN nos "anos de chumbo" – também eu não ajudaria intelectuais covardes a formarem "jovens terroristas". Além disto, esta é hora de reverência. Deixemos o velho craque das palavras ir-se, deixemo-lo ir falar ao mágico Garrincha e ao intempestivo Heleno de Freitas, ir tecer com os outros cronistas geniais que voam por tribunas do olimpo eterno. Creio que, antes de chegar a quietude do São João Batista, o último pedido seja: “Cuidem do meu Botafogo!”




Por Ricardo Novais

Olha aí... O Sambista Elegante

Imagem de divulgação.

Bem ali na Nossa Senhora de Copacabana, mais precisamente entre a Siqueira Campos e a Figueiredo Magalhães, é onde fica o ateliê de Walter Alfaiate. Três máquinas Singer sibilaram mais de 50 anos ininterruptamente, diz a lenda corrente no bairro onde também era conhecido como 'Walter Sacode'. “Aos 13 anos, me ofereci para aprender o ofício. Desde pequerrucho, sempre gostei de bordar com as meninas. Futebol tinha muito homem.”, era o que se ouvia das inúmeras histórias que o folclórico sambista, que infelizmente nos deixou ontem, contava risonho e com jeito afetivo.

Nas paredes da alfaiataria, entre tantas fotos, duas são especiais: a da filha Maria Cláudia e a do Botafogo campeão de 1957 “após 6 a 2 no pó-de-arroz”, como dizia o malandro. Malandro dos bons tempos, herdeiro direto da boa tradição criativa e popular da zona portuária. Foi um filho autêntico e brilhante do Rio de Janeiro.


Sambista clássico, foi diretor de harmonia dos blocos Funil, Sem Rival, Repolho Roxo, Gaviões. Conviveu com os bambambãs: Bagulho, Mauro Duarte, Jair Cubano, Pica-Fumo, Zorba Devagar. Tempos idos e nunca esquecidos que proporcionaram a primeira parceria com Paulinho da Viola e Aldir Blanc: “Botafogo Chão de Estrelas”, um clássico.

Walter Alfaiate tinha um estilo de mudar o ritmo constantemente e um belo vozeirão característico. Produziu, sem dúvida, alguns dos mais belos sambas brasileiros e foi um dos mais folclóricos sambistas dos tantos que já floresceram no Rio de Janeiro. "Olha aí":

"Bateram em minha porta", cantou o velho malandro elegante. Quem bateu vestia um manto sagrado com as cores do Botafogo, ele abriu e o levaram...


Por Ricardo Novais

Opressor "Uraniano"

O governo brasileiro estendeu tapete vermelho ao ditador iraniano Mahmound Ahmadinejad, anapluro social internacional que nega a existência do Holocausto (extermínio de mais de 6 milhões de judeus indefesos pela Alemanha nazista).

Há uma ingenuidade, para não dizer outra coisa, do presidente Lula ao argumentar que a visita de Ahmadinejad elevará a projeção da diplomacia brasileira.

O governo, cada vez mais mal aconselhado pela banda aloprada que comanda sua política externa, defende as honras de Estado e dá palanque a um homem que ceifa a vida de seu próprio povo, que é patrocinador do terrorismo internacional e um monstro desprezível que nega a existência de um dos fatos mais tenebrosos e horríveis já acontecidos na face da terra: o sofrimento do povo judeu pelo regime "cientificista" anti-semita de Adolfo Hitler e de seus aliados nazi-fascistas.

Este opressor iraniano, tão bem quisto entre alguns brasileiros, é acusado ainda de deter reservas de urânio em seu país. Uma mente doente, como a do líder do Irã, ter disponível um material tão perigoso como este é uma afronta à humanidade e pode ter graves consequências.
O Presidente do Irã critica os EUA por sua postura exclusivista apoiando Israel na 'Guerra Santa'. Ahmadinejad odeia o povo israelense. Por extensão, também odeia todo o povo ocidental.
Nenhuma guerra, por mais insana que ela seja, justifica a falta de humanidade com aqueles nos quais temos desavenças ou diferenças (ainda que extremamente vitais, de convicção de verdade ou conceito de sociedade. Nem na guerra mais 'justa' nem na guerra mais suja pode-se quebrar um código de honra simples: respeito ao inimigo, por pior que ele seja.
Olho para um senhor de 89 anos, Anastácio Staneslavo, de cadeira de rodas, polaco de ascendência judia, morador do bairro de Botafogo, no Rio, chorando e decepcionado com o País que lhe acolheu depois que ele - juntamente com pequena parte da família que conseguiu se salvar, todos apenas com as roupas do corpo e a própria esperança, nada mais - fugindo de sua terra invadida por tropas nazistas, abrigou-se aqui para puder criar, com a alegria que lhe restou, os filhos, os netos e os bisnetos.

Desgraçadamente, o Brasil está tripudiando sobre o orgulho de 'Seu' Anastácio, e também sobre a memória de homens e mulheres, crianças que nem mesmo chegaram a vingar porque foram enterradas numa cova rasa nazista, e de todo um povo guerreiro, inocentes que cruzaram o Atlântico para tentarem a sorte numa terra estrangeira e acabaram por ajudar a construir esta Nação, com a aparência de democrática, na qual vivemos hoje - ao menos por enquanto ainda parece que é democrática... Ou não?
Uma saudação a todos judeus do mundo inteiro, em memória de todos os que morreram no holocausto ou fugindo dele e especialmente à alma dos que deram a vida para honra de seu povo no 'Levante de Varsóvia!'




Por RICARDO NOVAIS
_____________________________________________________________
Fontes de pesquisa desta crônica: * As imagens são de divulgação.* Informações: História Geral, Editora Michalany, Curitiba-PR, 1986; Blog de jornalismo da Mia Palenza; arquivo do site do jornal O Estado de São Paulo; e da Revista de História da Biblioteca Nacional.

Conto de Sexta-Feira 13

Nesta sexta-feira, 13, recordo um episódio ocorrido com Roberto do Lavradio. Tragédia na vida de Lavradio é coisa pouca.

Havia uma groupie chamada Betty, muito conhecida no Rio de Janeiro, que amava o jovem Roberto, mas Roberto amava Ifigênia, uma cantora de cabaré que exibia seus dotes, de musa suburbana, para um jornalista, crítico de MPB, freqüentador dos bares de Santa Tereza.

Certa feita, a moça esperava o ônibus que a levaria à boate na zona sul, era começo de uma noite de primavera, quando um carro desgovernado, provável que o motorista estivesse embriagado, atropelou diversas pessoas que aguardavam o transporte público no ponto rodoviário. Ifigênia morreu na hora.

Roberto amava, verdadeiramente, a cantora de cabaré. Não se conformou. Ele passou a visitar o cemitério São João Batista, no bairro de Botafogo, no Rio, todos os dias, para chorar por sua amada.

Porém, não agüentando de tanta dor e saudade, numa noite em que, por certo, ouvia os riffs além-mundo da guitarra de Randy Rhoads, ou Wylde em Demon Alcohol e Miracle Man, do Ozzy Ozbourne, violou o túmulo de Ifigênia, vilipendiou seu cadáver, em seguida, pervertido sexualmente, desrespeitou sua honra cometendo necrofilia. Por esta época foi indiciado por crime contra o respeito aos mortos, previsto mesmo no artigo 212 de nosso Código Penal Brasileiro.

Este episódio tinha mais haver com o duro caráter genial de Roberto do que com possíveis movimentos góticos, ultra-românticos ou macabros, como alguns, na ocasião, pensaram (ou quiseram pensar) associando a história a uma suposta fascinação de Roberto pelas idéias do ocultista Aleister Crowley ou pelos livros ‘spleen’ de Byron e outros de pensamento pessimista como o satanismo de Álvares de Azevedo.

Dificilmente haveria levante de forças ideológicas por causa das diversas tribos urbanas que a cidade comporta. Deste modo, a juventude desvairada, a qual Roberto pertencia, seguia seus primeiros ímpetos selvagens deixando de lado, irrestritamente, qualquer vestígio de civilidade proficiente ou coragem em ousar. Tudo se perfaz como um cometa. Não se pode pensar ou ser feliz, o espírito toma conta da alma...

Aleister Crowley influenciou muitos ‘pensadores’ conturbados que há tempos, nas noites de sexta-feira 13, fazem vigílias ocultistas e satanistas, ora pela criação perdida das noites, ora por pura moda “galicista”.


Por Ricardo Novais
-- // --

Randy Rhoads, guitarrista magistral descoberto por Ozzy Osbourne, morreu num desastre de avião. Alguns dizem ser maldição demoníaca do mago Crowley, mas os riffs e os solos da guitarra de Rhoads parecem ter sido inspiração de Deus:

Protected by Copyscape Online Infringement Detector