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Identidade Brasileira

Povo Brasileiro, pintura do artista labiríntico, e brasileiro, Gabriel Archanjo.

Há algum tempo velho, penso qual ser a verdadeira identidade brasileira. Não a encontro. Percebo que de nordeste a sul este povo fundiu-se perfazendo culturas heterogêneas, mas a personalidade básica, que hodierna é derivada do positivismo e de teorias artificiais, são plágios ou alusões a outros povos, sejam estes colonizadores ou estrangeiros aventureiros. Retire os estereótipos frouxos, o que sobra? Um cruel tipo de padronização da identidade que nem mesmo criação nossa é.

Ao longo de nossa história insurgiram diversas revoluções, muitas delas de caráter separatista, onde se questionava a essência genuína do brasileiro. Em São Paulo, cidade onde eu nasci, cresci e formei meus primeiros valores e questionamentos, existe um movimento que quer separar o Estado Paulista do restante do país. Isto está em: "República Burraldina". Este pensamento tem como base os heróis constitucionalistas de 1932. No entanto, nenhum daqueles bravos paulistas de hombridade do passado pensava em separação; ao contrário, lutaram e deram a vida por um Brasil mais justo e unido.

No sul brasileiro existe um movimento intitulado “o Sul é meu país” e diversos outros que também apregoam a independência do povo pampa. Certa vez, em Curitiba, acompanhei o presidente do tal movimento separatista sendo entrevistado por uma rádio local. O sujeito, notoriamente de pouca instrução e estudo, apelava para as tais tradições sulistas oriunda dos imigrantes italianos, alemães e, em casos especiais, dos poloneses. Só pude sorrir da proposta de criação da "República dos Bovinos". Aos meus ouvidos aquilo não passava de fascismo provinciano e, ainda por cima, mal articulado. Neste caso, aplica-se o mesmo que em São Paulo: a nata dos revolucionários farroupilhas queria um Brasil justo e unido e só apelaram para a separação quando julgaram que o governo da época, o II Império, não se importava com o povo do sul. Érico Veríssimo, notável escritor brasileiro, disse que "gaúchos são brasileiros não por acidente de percurso, mas por vontade própria".

Intelectuais pernambucanos alimentam e espalham certo ódio ao sudeste e almejam também a separação do nordeste. Isto é pouco divulgado, mas basta passear meia-hora por Recife que já nos levam para assistir a uma palestra, muito afetada, sobre o tema.

Até a “cara” do Brasil, o Rio de Janeiro, têm membros infiltrados de grupos que pretendem a separação do sudeste. Alguns, por fatores práticos do egoísmo, tendem a querer tratado de amizade com os sulistas. Em várias partes do território nacional vozes inflam raivosas almejando ser o membro de maior destaque da federação, e, mesmo assim, ameaçam com a  eminência do fim do pacto constitucional tendo como justificativa basilar o sofrimento histórico, a exploração de suas riquezas produzidas, os altos tributos do governo central sobre as tais riquezas, o "roubo qualificado" e o desprezo por parte do Brasil – entenda-se por "Brasil" a União Federativa e "pacto constitucional" por cláusula pétrea inserida em nossa adorável Magna Carta.

Perceba, caro amigo descrente que lê o texto e o julga de pouco valor, que nem estou me referindo a grupos de neo-nazistas ou de alguma ideologia xenófoba étnico-econômica de alienação qualquer. Talvez sejam, quando muito, fascistas. Entretanto, penso que este tipo corrente de separatista está em uma espécie de inconsciente coletivo que, desgraçadamente, começa a se materializar. Existe na Europa e em quase toda América. No caso brasileiro é pior. A falta de identidade brasileira já se aliou a total descrença nos ideais positivistas e burocráticos da república.

Não sei ainda qual serão as consequências dos testes submetidos às instituições jurídicas e sociais, o que acontecerá à Federação do Brasil e se um dia esta terra será mesmo o “País do Futuro” ou se será eterno conto de fadas repartido em várias 'nações' independentes. Sei apenas que nasci nesta terra, e gostaria de ser enterrado nela.


Por Ricardo Novais

Opressor "Uraniano"

O governo brasileiro estendeu tapete vermelho ao ditador iraniano Mahmound Ahmadinejad, anapluro social internacional que nega a existência do Holocausto (extermínio de mais de 6 milhões de judeus indefesos pela Alemanha nazista).

Há uma ingenuidade, para não dizer outra coisa, do presidente Lula ao argumentar que a visita de Ahmadinejad elevará a projeção da diplomacia brasileira.

O governo, cada vez mais mal aconselhado pela banda aloprada que comanda sua política externa, defende as honras de Estado e dá palanque a um homem que ceifa a vida de seu próprio povo, que é patrocinador do terrorismo internacional e um monstro desprezível que nega a existência de um dos fatos mais tenebrosos e horríveis já acontecidos na face da terra: o sofrimento do povo judeu pelo regime "cientificista" anti-semita de Adolfo Hitler e de seus aliados nazi-fascistas.

Este opressor iraniano, tão bem quisto entre alguns brasileiros, é acusado ainda de deter reservas de urânio em seu país. Uma mente doente, como a do líder do Irã, ter disponível um material tão perigoso como este é uma afronta à humanidade e pode ter graves consequências.
O Presidente do Irã critica os EUA por sua postura exclusivista apoiando Israel na 'Guerra Santa'. Ahmadinejad odeia o povo israelense. Por extensão, também odeia todo o povo ocidental.
Nenhuma guerra, por mais insana que ela seja, justifica a falta de humanidade com aqueles nos quais temos desavenças ou diferenças (ainda que extremamente vitais, de convicção de verdade ou conceito de sociedade. Nem na guerra mais 'justa' nem na guerra mais suja pode-se quebrar um código de honra simples: respeito ao inimigo, por pior que ele seja.
Olho para um senhor de 89 anos, Anastácio Staneslavo, de cadeira de rodas, polaco de ascendência judia, morador do bairro de Botafogo, no Rio, chorando e decepcionado com o País que lhe acolheu depois que ele - juntamente com pequena parte da família que conseguiu se salvar, todos apenas com as roupas do corpo e a própria esperança, nada mais - fugindo de sua terra invadida por tropas nazistas, abrigou-se aqui para puder criar, com a alegria que lhe restou, os filhos, os netos e os bisnetos.

Desgraçadamente, o Brasil está tripudiando sobre o orgulho de 'Seu' Anastácio, e também sobre a memória de homens e mulheres, crianças que nem mesmo chegaram a vingar porque foram enterradas numa cova rasa nazista, e de todo um povo guerreiro, inocentes que cruzaram o Atlântico para tentarem a sorte numa terra estrangeira e acabaram por ajudar a construir esta Nação, com a aparência de democrática, na qual vivemos hoje - ao menos por enquanto ainda parece que é democrática... Ou não?
Uma saudação a todos judeus do mundo inteiro, em memória de todos os que morreram no holocausto ou fugindo dele e especialmente à alma dos que deram a vida para honra de seu povo no 'Levante de Varsóvia!'




Por RICARDO NOVAIS
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Fontes de pesquisa desta crônica: * As imagens são de divulgação.* Informações: História Geral, Editora Michalany, Curitiba-PR, 1986; Blog de jornalismo da Mia Palenza; arquivo do site do jornal O Estado de São Paulo; e da Revista de História da Biblioteca Nacional.

Nazismo ou Filosofia Confiscada?

Há um 'pensador' no twitter, site de relacionamentos da internet que transformou-se em "mundo" à parte, interpretando o filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche, entre outras coisas, como grande egoísta, míope de espírito, contraditório, nazi-fascista e influente do próprio regime nazista.

Muitos no passado, erroneamente, tiveram este mesmo pensamento superficial. Entretanto, outros tantos estudiosos (não necessariamente nietzschenianos) e a própria obra de Nietzsche, indeferem este tipo de ideia, às vezes, preconceituosa e medíocre.

Vemos que como grande admirador da Antiguidade, principalmente da cultura clássica grega, este magnífico filósofo alemão não aceitava a separação entre o corpo e o espírito. Tampouco dissociava, em seus textos, pensamento e vida.

No entanto, as grandes influências de Nietzsche surgiram na época em que ele descobriu a filosofia pessimista, mas coerente, de Arthur Schopenhauer; assim como as composições do músico, e anapluro humano, Richard Wagner - de quem se tornou grande amigo e admirador de suas obras musicais (inicialmente o pensamento de Nietzsche vertia a comparar música à vida, talvez isto explique tão repugnante amizade).

Tanto na música, na filosofia e também na antiguidade clássica grega, o pensador encontrava o papel da existência estética (como conceito aristotélico); Nietzsche chegava a ver em Wagner o renascimento da grande arte grega. Apenas mais tarde, caindo em si (e digo que apenas os homens sábios tornam atrás em suas ideias mais absolutas), ele se distanciou do compositor de As Válquirias, Tristão e Isolda, Parsifal, entre outras tantas do mesmo gênero, por considerá-lo bajulador do gosto pedante do público burguês da época; e se distanciou também da obra de Schopenhauer por ver no pessimismo um sintoma de decadência cultural - talvez aí o pensamento nietzscheniano tenha retroagido, pois em Vontade de Representação, extraordinário livro de Schopenhauer, temos uma filosofia crua sim, porém extremamente harmônica entre ideias e acontecimentos.

Mas em sua maturidade, Nietzsche analisou, como poucos, a origem e a função dos valores na vida e na cultura, concluindo que uma "moral de cordeirinhos" se impôs à humanidade desde o predomínio da tradição judaico-cristã - nisto pode estar a interpretação, outra vez equivocada, de que Nietzsche era ateu; Schopenhauer sim, de fato, era ateu; mas Nietzsche não subjugou Deus, apenas acreditava que a cultura clássica grega era superior às que sobrevieram depois nesta nossa humanidade.

Para este filósofo - que enriqueceu a filosofia com aforismos e poemas, e sofreu de agonia e solidão -, a compaixão, a humildade, o ressentimento e o ascetismo são valores inferiores à "vontade de potência", princípio de toda a vida.

Em suma, Nietzsche, abominava o anti-semitismo e o nacionalismo (está ouvindo, senhor 'pensador' do twitter?); mas foi visto durante bastante tempo como inspirador do nazismo por causa da edição forjada e mal-intencionada que sua irmã, Elizabeth (talvez influenciada pelo seu marido "paraguaio"), fez dos escritos dele.

Quase cego, com crises frequentes de enxaqueca, Nietzsche passou os últimos 11 anos de sua vida mergulhado na loucura, morrendo, por fim, no ano de 1900, de paralisia geral, na cidade alemã de Weimar. Certa vez, um intelectual brasileiro muito estudioso da obra nietzschiana disse: "o filósofo que quis ver nascer o além-do-homem, teve a sua filosofia confiscada". De modo que está mais do que na hora de separarmos o trigo do joio - ou analisarmos o dionisíaco e o socrático como fez o grande pensador Friedrich Nietzsche.


Por Ricardo Novais

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