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Eis o Brasileirão!

Screenshot Guia Brasileirão 2010 - Série A
Arte gráfica de Douglas Camata Araújo.

Este fim de semana é especial, amigo leitor. O Campeonato Brasileiro de Futebol 2010 começa e promete ser um dos mais disputados de todos os tempos. É o maior espetáculo da Terra! 20 clubes, quase todos grandes e de torcida apaixonada ao extremo, brigam pela maior conquista de valor nacional e por uma vaga na maior competição de todo o continente, a Taça Libertadores da América.


As equipes estão mais fortes e estruturadas, no ritmo certo para realizarem grandes espetáculos. A prova disso são os Campeonatos Estaduais e a Copa do Brasil deste ano, que proporcionaram verdadeiras batalhas em campo, com um futebol de alto nível e ao mesmo tempo muito equilibrado entre os principais times da serie A.


No Rio de Janeiro o Botafogo foi o grande destaque conquistando o Carioca, mas não podemos dizer que está muito à frente dos outros três grandes do estado, já que Flamengo com o ‘império do amor’, o Fluminense de ‘Muri-TRI’ e o Vasco da ‘virada’ também possuem grandes jogadores e chegarão fortes para o Brasileiro. Em São Paulo é inquestionável a superioridade do Santos que merecidamente se tornou campeão em 2010 com um futebol moleque e lindo de se ver, mas o Corinthians com seu time de estrelas, o São Paulo com um super elenco e o Palmeiras, mesmo perturbado, vem com jogadores de talento, trazem suas tradições e a força de suas torcidas para almejar lá na frente um grande final de ano. O Rio Grande do Sul é todo azul neste primeiro semestre com o título e as exibições convincentes do Grêmio, mas Inter sempre chega bem no Nacional e promete esquentar a briga pelo caneco. Em Minas Gerais o Galo cantou mais alto, o Atlético conquistou o troféu estadual com um estilo ofensivo e eficiente, mas o Cruzeiro tem time bom e vem pra brigar na parte de cima da tabela. Outras equipes como Atlético-GO, Vitória e Avaí também foram campeões estaduais prometendo boas campanhas. Atlético-PR e Ceará, apesar dos vices estaduais, também querem surpreender no Brasileirão, assim como o Grêmio Prudente que fez ótima campanha no Paulistão. Já para Goiás, que perdeu Fernandão para o São Paulo, e o sempre tradicional Guarani, a ordem é reformular o elenco e tentar fazer com que a zebra reapareça este ano.


Àquelas torcidas que por purgatório estejam na série B, como o maravilhoso Bahia de Renato Gaúcho e a querida Portuguesa (vai Lusa!), resta a esperança de reconquistar o paraíso. Força!


Façam suas apostas! Senhoras senhores, apresento-vos o maior espetáculo da Terra!

Edição do Jornal Nacional.



Por Ricardo Novais

A Arte no Futebol


Tinha-me lembrado noutro dia da definição de velho cronista falando da derrota da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da Espanha, em 1982: “Este escrete ‘canarinho’ magnífico não ganhou... Pena! Ah! Como me encantastes, time de Telê... Não ganhou? Azar da Copa!”

Foi mais ou menos este sentido que deu tal cronista daquela derrota, talvez nem tão literalmente nem de maneira tão simplória, mas a acepção é a mesma, e, de tal modo, a competência do autor de pouco vale, ou nada! – Exclamo que não tinha olhar neste mundo, quanto mais lá em terra de Espanha.

O fato é que pensamento de grau sincero e dolorido dura pouco, logo vem outro sufragar o ponto de origem. De modo que vi-me triste esta semana, jogaram pela UEFA Champions League: Barcelona vs. Internazionale.

Os catalães encantam com seu toque de bola refinado; eles têm Lionel Messi, o melhor jogador do mundo. Meio-de-campo firme, técnico, habilidoso e flutuante. Esquadrão fantástico regido por inspirado maestro, Josep Guardiola, este profundo amante da arte que leva torcedores de todo o planeta ao delírio com sua equipe azul-grená se apresentando em espetáculos tocantes por palcos de grama.

De outro lado do campo, com seu futebol pragmático (salvo o meia Sneijder), apresenta-se a Inter de Milão orientada pelo treinador gaúcho – ops! – treinador português José Mourinho, eficiente, burocrática e chatíssima! Mas que, no entanto, venceu o primal time que joga bonito.

Velhas múmias levantam das catacumbas, as vozes ressurgem... Insurgem, vá! Se isto lhe parecer cruel, desgraçado torcedor, é porque não amastes o esporte bretão como este pobre autor que escreve texto tão lamurioso de perdedor.

Por que perde o Santos, de Feitiço e Araken Patusca, o ‘Ataque dos 100 gols’, nos anos de 1920? Por que perde a Hungria de 1954, do genial Puskas? Explicais, “deuses do futebol”, o que tiveres contra a Holanda, magnífica 'Laranja Mecânica', em 1974? E tantos que perderam parecendo que venciam; como aquele esquadrão do Galo, do ‘rei do Mineirão’, e aquele time do Fluminense que coloriu de sentimento tricolor o velho ‘Maraca’ em fatídica final de Libertadores...

Sim, dona torcedora, verdade que outras tantas equipes excelentes e encantadoras consagraram-se premiadas recebendo títulos: o “Expresso da Vitória” vascaíno, a “Máquina Tricolor” do Fluminense, a “1ª Academia” palmeirense, o Santos de Pelé e companhia “fantasmagórica”, o glorioso Botafogo de Garrincha, o São Paulo de Telê, o Cruzeiro de Tostão, as maravilhosas tardes no velho 'Maraca' do Flamengo de Zico, o Galo e sua “Era do Gelo”, a “Democracia Corintiana”, o incrível Inter de Falcão e sensacional Grêmio de 1983, o Milan de Baresi (extraordinária linha ofensiva formada por Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Van Basten), o Manchester de Cantona... Enfim, eu poderia ficar aqui com este velho pensamento prazeroso, puxando pela memória de enciclopédia muitos times sensacionais do nosso futebol e não terminar este post nunca. Apreciei deveras esta ideia, mas não! Devo ater-me à derrota do 'futebol arte'. Ah, Barça! Por que perdeste justamente agora que tanto maravilhara as retinas de tão desgraçado torcedor?

Barcelona do genial Ronaldinho Gaúcho (Ô, #Dunga, leva o Gaúcho e o Neymar!), venceu. Barcelona de Messi, também venceu. Não falo das vitórias de ofício, nem de títulos ou comendas. Falo do encantamento da vida, daquilo que em tal grau me faz feliz. Sorrir com sinceridade não são para times eficientes, burocráticos e chatíssimos. A dona leitora, que nem muito apreciou este futebol catalão, sabe do que lamento; ela sim reconhece a beleza e a maravilha que é a disputa de jogo.

Certo que em final de temporada resta aos torcedores catalães os torneios de “Hespanhas”; mas e quanto a nós, o que resta?

Pensou o leitor torcedor: “Ora, autor burro, e o Santos? Os “Meninos da Vila” encantam as platéias...” Tem razão, amigo corneteiro; tem razão, não fosse o fato de que os cronistas falam, escrevem, destilam suas sabedorias futebolísticas com quilômetros de língua. As múmias amaldiçoarão o futebol bem jogado e dirão: “Futebol bonito não vence nada, o que levanta o ‘caneco’ é o comprometimento do grupo”. Dirão isto e não nos resta nada.

Duro perceber, às vésperas da Copa da África, que o resultado é mais importante que o caminho que se percorre e as flores que se plantam nas margens do campo. Futebol feio e chato, supervalorizado. Futebol que encanta a vida, jugulado. Que azar do futebol!


Por Ricardo Novais

Grandes Clubes

Ontem encontrei um amigo que eu não via há muito tempo. Às vezes é bom encontrar velhos amigos... Mas estou descrevendo este evento trivial porque, lá pelas tantas do nosso papo reminiscente, surgiu um assunto tão açoitado quão é a amizade entre dois homens que nasceram no Brasil: Grandes Clubes do Futebol Nacional.
Logicamente, unanimidade com este meu colega reaparecido, que o Santos, Bicampeão do Mundo em 1962 e 1963, o Botafogo de Nilton Santos, Didi e Garrincha do início da década de 1960, o Vasco do final da década de 1940 e início da de 1950, apelidado de "Expresso da Vitória", o Cruzeiro campeão da Taça Brasil de 1966, o Bahia vencedor da Taça Brasil de 1959, a "Academia" de Filpo Nuñes, o Palmeiras do meio da década de 1960, times que, sinceramente, eu gostaria de ter visto e que sempre estarão entre os melhores da história, foram citações obrigatórias da parte de meu amigo e que eu tive de acatar; ainda que não pudesse julgar com o testemunho presencial de minha admiração a estes esquadrões fantásticos.
Mas brigamos. Meu amigo é teimoso e eu não sou de abater-me por qualquer time de boa campanha tão à moda deste tempo.
Sport, de boa expedição ano passado e também na Libertadores deste ano, é time grande? Para o meu amistoso camarada é; eu o contrariei.
Perceba leitor, que tanto gosta de futebol e de boas resenhas; o Sport Club do Recife é um clube maravilhoso, torcida vibrante, vencedor em seu Estado, Estádio fervente etc., no entanto, é apenas uma associação que apaixona uma determinada região deste País. Para ser time grande deve-se, obrigatoriamente, ter representatividade nacional e desapego a "regionalismos"; concorda leitor? Aposto que a dona leitora, que também adora futebol, compreende o raciocínio.
Bem; mas, caso tivermos entrado num acordo – se não, a réplica é livre –, já suprimimos, com o exemplo do Sport, muitos outros times que almejam o status de Grande do Futebol, tais quais: Vitória, Náutico, Santa Cruz, Goiás, etc.
Porém, confesso, a resenha é árdua. Como classificar os outros tantos clubes existentes no Brasil? Há vários métodos – tradição, torcida, títulos, estrutura, marketing, capacidade de representação, e por aí vai. Utilizemos, para ajudar o juízo, o artifício ocioso de citarmos os clubes de futebol que já ganharam o Campeonato Brasileiro.
Comecemos pelo São Paulo, até para ser justo com o atual título que foi para os lados do Morumbi. Seis vezes vencedor do Brasileirão, não tem tanta tradição como alguns outros, mas é um dos clubes mais conhecidos no mundo. Indiscutível; é Time Grande!
Já que citei o São Paulo, vou analisar o Corinthians e o Palmeiras de uma só vez; até para poupar as palavras. Simplesmente o maior clássico do Estado de São Paulo, o Derby Paulista. Dois Gigantes do Futebol Brasileiro!
O Santos Futebol Clube é hors-concours; comparemos com aquelas listas de melhores jogadores do mundo: Conta-se depois do segundo colocado, o primeiro é Pelé. Por motivos análogos, o Santos adquiriu grande representatividade nacional a partir da década de 1960 em diante; é pena que os dirigentes peixeiros não transformaram tanta glória em produto internacional; como a bossa-nova é para os músicos ou o próprio Pelé para o futebol. Mas deixemos isto de lado que já vai longe e também é pertencente a outra história, é de um tempo de um Brasil romântico...
Já que me lembrei de uma época em entravam em campo fantasmas e heróis, permita que eu vá logo ao maravilhoso Rio de Janeiro e me depare com o primeiro problema: Botafogo Futebol & Regatas, o glorioso.
Como há dificuldade para explicar aos mais jovens que o Fogão é um dos maiores clubes do País. O Botafogo detém o recorde de maior goleada do futebol nacional; certa vez, aplicou impiedosos 24 a 0 no pobre time da Mangueira. Mas quantos craques não vestiram o manto sagrado em alvinegro, quantos? Até para não me alongar muito, vamos falar de um grande ídolo da Estrela Solitária: Heleno de Freitas.
Havia duas coisas que Heleno criava como ninguém: gols e confusão. Extremamente habilidoso e genial, se Botafogo estivesse ganhando tanto melhor, a torcida sabia que ele faria mais gols – pobre Flamengo! Mas se o glorioso estivesse perdendo as brigas eram certas. Os rivais, sabendo do temperamento explosivo do craque, o provocavam, no entanto, eram os expectadores que o deixavam enfurecido. Vinha um coro das arquibancadas: “Gilda!” “Gilda!” “Gilda!” Heleno virava um animal raivoso e feroz em campo e agredia verbalmente e, muitas vezes, fisicamente quem estivesse pela frente.
Este grito, vindo da torcida, era uma alusão provocativa ao pobre Heleno; Gilda referia-se a mais famosa personagem interpretada pela atriz Rita Hayworth, no filme de mesmo nome. Como Heleno de Feitas, Gilda era temperamental e dona de um gênio incontrolável. A provocação, claro, surtia efeito e Heleno precipitava atitudes intempestivas por não controlar sua irritação. O Boca Juniors, da Argentina, time da moda na época, veio fazer uma excursão pelo Rio de Janeiro e levou o craque genial para terras portenhas. Heleno era Botafogo de coração e não queria ir. Pobre diabo, não teve escolha. Era de ver a cena no campinho do Botafogo, Heleno de Freitas agarrado a um poste, embriagado e chorando, vendo, inconsolável sem nada poder fazer, a humilhante goleada imposta pelo pequeno São Cristóvão, 4 a 0.
Botafogo é Grande, Gigante! Perfaz o clássico mais antigo do País: Fluminense vs. Botafogo, o Clássico Vovô.
E quanta tradição existe lá para os lados do Palácio da Guanabara. O Fluminense é dono do Estádio mais antigo do País, as Laranjeiras; houve um tempo em que quiseram levar o tricolor para Xerém, mas a “dona história” não permitiu, jamais permitiria – "que vá os garotos apenas!", disse ela. Estamos, muito provavelmente, em vias de ver um dos maiores clubes deste Brasil, tão apaixonado por futebol, ser rebaixado à segunda divisão. É pena! Existe um cronista esportivo, muito famoso na cidade de São Paulo, que diz, pomposamente, torcer pela queda do Fluminense, pois, segundo ele, faria justiça à ascensão “desonesta” do time da terceira divisão diretamente à primeira, em 1999. Verdade que o tricolor caiu duas vezes e foi rebaixado apenas uma, e, de fato, foi promovido à elite do esporte bretão, na taça João Havelange do ano 2000, sem passar pela segunda divisão futebolística. No entanto, atribua-se ao imponderável, ao regulamento e a paixão pelo esporte brasileiro, esqueça-se os factíveis interesses pessoais; afinal, tradição e cultura são duas coisas que perfazem a história de um povo.
É pena que alguns cronistas, tão "moralistas", ou simples “opinadores” de futebol, não conheçam a beleza de um esporte fantástico que tem um Clube Gigante como o Fluminense Football Club. Mas sábio é aquele que sabe reconhecer a beleza... Por isto existem tantas pessoas felizes por aí; simples tolos... Pobre homem que comenta futebol, talvez fosse o caso de ir ao Maracanã, num domingo ensolarado, e encantar por um “Fla-Flu”, o Clássico das Multidões. O sábio Nelson Rodrigues dizia: “Os quinze minutos, antes do nada, mais bonitos do mundo!”. Palavras que ratificam a grandeza do time das Laranjeiras e também do esquadrão dos lados da Gávea; ou, para irmos pelos caminhos mais antigos, o clube da praia do Flamengo. Neste ínterim, nem há muita necessidade de maiores argumentos. Quem não conhece a força da torcida flamenguista, a tradição rubro-negra e a representatividade deste clube?
O combate entre Flamengo e Vasco faz tremer o “Maraca”, é o Clássico dos Milhões. Clube de Regatas Vasco da Gama; Ciro Aranha, certa vez, disse: “Enquanto houver um infante no mundo, o Vasco será imortal!” Nem a segunda divisão, nem desmandos de dirigentes, nada tirou a grandeza do time da Cruz-de-Patée. Gigante da Colina! Viva a turma da Fuzarca! A verdadeira turma da fuzarca, certo torcedores do Sport Recife?
O Cruzeiro, no campeonato brasileiro de 1974, perdeu a final para o “Vascão” da Gama; injusto! Está aí um clube de chegada, tradicional, e, para felicidade dos “moderninhos”, tem excelente estrutura. Gigante das Minas Gerais, desde os anos de 1960 em diante. Há de se reconhecer o Esporte Clube Cruzeiro como um dos Maiores Clubes do Brasil. No entanto, agora, defronto-me com outro problema, e um problema tão grande como a paixão de seus torcedores: Clube Atlético Mineiro.
Se o Flamengo tem a maior torcida do País, o Galo tem a mais apaixonada.
Claro! Alguns dirão, toda torcida é apaixonada, outros citarão Corinthians ou mesmo o Grêmio com suas torcidas empolgantes. Porém, nenhuma outra pessoa sofre mais no futebol que um torcedor do Atlético. Os outros ganham títulos, o Galo não. Apesar de ser o maior vencedor dos campeonatos mineiros, não ganha um “caneco” de representação nacional há muito tempo. É o mesmo problema do Botafogo: há muita dificuldade para explicar aos mais jovens o que representa o Clube Atlético Mineiro... Até bem pouco tempo atrás, era o clube com mais pontos marcados em Brasileirões, ainda está entre os maiores marcadores. Tem um bom patrimônio, mas as dívidas são muitas; os débitos com o Governo só é menor que os do Flamengo e do Botafogo. Se ser atleticano não é fácil, ao mesmo tempo, é extraordinário. Time de tradição incontestável – grosso modo, Minas Gerais se destaca pelo conservadorismo artístico, pela iguaria sublime, o queijo (há de se avisar aos franceses) e pelo Clube Atlético Mineiro. Torcida única (no mundo inteiro – pois, torcer pelo Boca Juniors é fácil, quero ver é ser “Galo Doido”), aonde jogar, pelos gramados do mundo, reconhece-lo-ão como Galo forte, vingador e Clube Grande!
Calma, amigo. Mais uma vez eu lhe digo: se não concordar com estas parvas linhas aqui preenchidas, deixe o seu protesto, registrado assim suas considerações neste blog.
Bem, passemos logo a Inter e Grêmio. Dois campeões do mundo, torcidas vibrantes e representam o futebol no País inteiro. O Gre-Nal é, talvez, a maior paixão do povo gaudério, e isto, por si só, já atesta a Grandeza do Futebol Gaúcho. Mas, indo de um extremo do País ao outro, eu citarei aqui um clube – provavelmente, será a maior polêmica desta crônica – que considero como um dos maiores do Brasil: Esporte Clube Bahia.
Veja como o Bahia sempre esteve entre os grandes; menos, é claro, nos últimos anos. Time que bateu o Santos de Pelé; acabou com o Internacional em 1988; time das massas; de grandes craques (Esquadrão de Aço: Beto, Nadinho, Henrique, Flávio, Vicente e Nenzinho, Marito, Alencar, Léo, Mário e Biriba.
Sei que posso estar sendo, um tanto quanto, contraditório, mas o Bahia ainda conta com muita representatividade na história do futebol brasileiro, ao menos já teve; e, como eu não acredito que um homem ateu pode ser religioso, ou que um comunista possa ser um capitalista um dia, não há como dizer que um clube simplesmente deixa de ser grande. Portanto, O Bahia, único Campeão Brasileiro do nordeste deste País, é (e sempre será) um dos Maiores Clubes do Brasil! Está aí o carimbo?
Mas, ora! E o Guarani, o Coritiba e o Atlético Paranaense? Devem julgar-me por louco, não é mesmo? Se o critério adotado aqui, neste texto, foi o de analisarmos os clubes grandes dentre os que já foram campeões do Brasileirão; como, diabos!, então, eu deixei de fora tai clubes que tem em suas galerias este troféu nacional?
Explico: “Coxa” e “Furacão” perdem em número de torcedores juntos, incluindo também o Paraná Clube, para o Corinthians em seu próprio Estado, o Paraná. A tradição é igual a do São Paulo Futebol clube, mediana; mas, no entanto, por outros motivos, já debatidos, enquanto o São Paulo é grande, estes outros não tem representatividade no País inteiro.
Já o Guarani de Campinas é apenas um clube tradicionalíssimo (como é também a derby-rival campineira, a Ponte Preta) no Estado de São Paulo, que fez uma ou duas boas campanhas em sua bela história – vamos contar o ano de 1986, quando ele perdeu a final para o time do São Paulo dos “Menudos do Morumbi”. Fica minha torcida sincera para a ascensão do “Bugre” a elite do futebol neste ano...
Estes três campeões brasileiros, sob o ponto de vista acima, são clubes médios; assim como os são, com base em outros critérios, Vitória, Sport, Santa Cruz, Remo, Paysandu, Tuna Luso-Brasileira, Goiás, América (RJ e MG, bem mais o primeiro que, aliás, exatamente hoje o Mecão completa 105 anos de muita tradição; não é tia Ruth? – já os mineiros, disputarão no Mineirão amanhã, dia 19, a final da Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro; vai Coelho das Alterozas!), também são times médios do futebol a Portuguesa-SP (a querida "Lusinha" do Canindé), Bangu (do Dr. Castor...), Paraná, Juventude, Caxias, etc., etc., etc.
Fique-se claro, são clubes pequenos: Barueri, São Caetano, Santo André, Itumbiara-GO, Ipatinga, Volta Redonda – estes times que acabei de citar são de pouca representatividade, apesar do incentivo que recebem –, Bragantino, Portuguesa (da Ilha do Governador-RJ), Goitacás, São Cristóvão (apesar da tradição), Madureira (time dos boêmios da zona norte), Desportiva-ES, Treze-PB, e por aí vai...
Existe ainda o nível pequeníssimo. Um exemplo é o Sport do Jardim Novo Horizonte (clube de Várzea) e o Pão de Açúcar (que recebe algum dinheiro de seus patrocinadores, mas não deslancha), ambos são da cidade de São Paulo; a diferença é que enquanto um é do esporte amador, o outro participa de torneios profissionais; no entanto, caem ambos na vala comum da falta, quase absoluta, de representatividade nacional.
Também há Clubes Grandes que foram extintos ou não integram mais o futebol em seus quadros desportivos, como, por exemplo, o Paulistano e o Germânia de São Paulo, e o Ypiranga da Bahia.
Em suma, meu amigo reaparecido e eu, chegamos a mesma constatação: é árdua, quase impossível, a tarefa de classificar a grandeza dos malfadados clubes de futebol do Brasil. É de se ficar angustiado com a falta de respeito e de zelo das administrações da maioria dos cartolas, que desde a década de 1970, maltratam instituições sagradas do futebol. Hodiernamente colhem-se os frutos... Frutos ruins! Minha análise é prejudicada por isto; sendo assim, qualquer torcedor poderá, nestes nossos tempos, requisitar o título de Grande do Futebol. Eu tenho que reconhecer a afetação da subjetividade em tais conceitos. Portanto, a minha tentativa de racionalizar uma das maiores paixões de todo um povo parece ter fracassado, então, também rendo-me aos "modismos" tão afeito aos torcedores e concluo dizendo que, para mim, são os clubes que fundaram o Clube dos 13 – não confundir com treze cartolas – os Maiorais do Futebol Brasileiro.
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