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Uma festa em Paris, quer dizer, no Rio



2009 caminha a passos largos para o seu fim e com ele o ano da França no Brasil. Os traços que os franceses deixaram na cultura brasileira vem de longe... Talvez até de antes da ocupação portuguesa; mas isto é outra história. Aqui, neste texto, o que importa são os festejos em homenagem a bonita e velha Gália. Neste sentido, a sociedade carioca é a maior anfitriã de povos estrangeiros que temos por estas terras dissimuladas. O Rio de Janeiro faz festejos à moda francesa desde outrora, desde o tempo em que almejava o requinte fútil e a moral "cientificista" em detrimento a toda uma vibrante, e ceifada, identidade cultural autêntica. Mas, em plena época do "Bota Abaixo!", nenhum era tão diabólico como a Festa das Flores.

A população pobre assistia à fúria avassaladora do processo de regeneração do Rio de Janeiro entre atônita e irada. O cronista de um tablóide carioca da época, O Libertário, comentava assim a inauguração da Avenida Central (atual Avenida Rio Branco), que o Governo consagrou com uma festa estrepitosa e monumental: “É vicioso dizer ao operário consciente o que foi o trabalho da grande artéria: uma miserável exploração do trabalhador inconsciente e passivo. Era de ver todas as noites, antes da inauguração, dezenas de homens, movendo-se à luz de lâmpadas elétricas, num fatigante até pela manhã, por um miserável e ridículo salário”. Ficava muito claro para quem era inaugurada aquela avenida e à custa de quais sacrifícios e sacrificados.

A mesma percepção reaparece no comentário às festividades da entrada da primavera, que passaram a ser das cerimônias mais concorridas da burguesia, desde que esta se apossara do centro reurbanizado da cidade: “Grande batalha das flores. Que grossa folia! Que deslumbramento, que beleza! Muito gozou a burguesia na tarde de 25 na sua festa elegante. E o pobre imbecil povo, expulso do jardim cujo custeio paga, viu-se corrido com o único recurso de espiar de fora a festança dos parasitas. Um observador atento teria visto que o povo atrás daquelas grades tinha uma fisionomia idiota”.

Já a revista elitista O Comentário, na sua edição de setembro de 1903, pronunciou-se da seguinte maneira: “Sabem todos que essas batalhas de flores, tão animadas, elegantes e alegres quando feitas em Nice, em Viena e em Paris, são um divertimento de ricos com o qual tem o povo a ganhar: o gosto visual do luxo em exibição e a emoção artística nos aspectos ornamentais das carruagens. É, portanto, um meio de educar esteticamente os rudes e os pobres”.

Pelo visto o povo carioca foi educado direitinho...

Por Ricardo Novais

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Quando eu vou a Paris, quer dizer, ao Rio de Janeiro, os velhos "cariocas-da-gema" sempre clamam saudosos por uma época que sequer conheceram... Eis uma breve história do que dizem algumas línguas:

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