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"Marchem, Companheiros, Marchem!"...

Dilma participa de evento em Brasília   Foto: Roberto Stuckert Filho/Divulgação
Candidata Dilma na Marcha dos Prefeitos, hoje, em Brasília. Foto: Roberto Stuckert Filho.


Na Marcha dos Prefeitos, organizada hoje, em Brasília, houve uma curiosa polêmica – curiosa para dizer o mínimo, pois é temerosa (sem trocadilhos). Tratou-se de um vídeo que descreve o calvário de um prefeito em meio à burocracia federal na busca de verbas para o seu município. Isto apenas bastaria para deixar desconfortável qualquer político brasileiro, no entanto, a controvérsia assustadora ocorreu pela participação dos presidenciáveis; em particular, da candidata à presidência da situação, Dilma Rousseff (PT).

Enquanto que os outros aspirantes à cadeira federal queriam ver o vídeo – e consta que chegaram mesmo a reclamar a mostra do material –, a  candidata do ‘lulismo’ deu espécie de ultimato censurando o filme; que na verdade é uma animação em  HQ: “A história do pires na mão”. Dilma teria dito aos seus assessores: “Se vocês exibirem isto eu não vou participar do encontro!”. No final das contas, a Confederação Nacional dos Municípios, organizadora da marcha, desistiu de exibir o vídeo.


Que mal há nesta história em quadrinhos? Ora! Se apenas demonstra, de modo até singelo, como a burocracia assola tão 'democrática' república atravancando, impiedosamente, o trabalho de homens que desejam alguma melhoria a este país. Não censures, portanto, dona positivista, os defeitos do processo federal em causa própria; a afetação é coisa feia e em nada agrada o ânimo do povo.


Perceba, amigo (e)leitor, aí está a minha temerosa suspeita. Caso a dama da COLINA e da VAR Palmares for eleita, podemos ter uma nova “Caterina di Médici" dos trópicos, mas agnóstica e 'lulista'; claro.


Por Ricardo Novais

A Capital do Brasil








Moeda comemorativa em celebração ao cinquentenário de Brasília, em 2010. Ora, amigo candango, vale mesmo R$ 5,00?! (Foto: Divulgação).


Doutor Lacerda, político de nacionalidade e carioca de ofício, vive na cidade de Brasília, capital do Brasil. Não há gente em Brasília. Lá não é bonito, nem feio; o lugar todo é sem rosto. Aqueles 2 arquitetos consagrados quiseram dar devaneio próprio à cidade, não humanidade, não beleza notória; há lá o senso incomum, misterioso, precisamente subjetivo a quem é gênio da modernosa arquitetura contemporânea.

Lá não é lugar de colocar lixo, nenhuma sujeira. Tudo que o homem quer livrar-se não foi e nem vai para Brasília; ao contrário disto, frequentemente os resíduos limpos fundem-se numa única opção daquela terra demasiada cauta e alastra-se para as outras entidades federativas onde, de fato, vive o povo encardido e clementíssimo. Dizem que tudo que é ruim não estaciona na cidade; mesmo o diabo só vai lá apressado e tão somente de passagem. Os jornais enaltecem a cidade, mas acusam os homens. Ora, não há homem morando, construindo vida ou simplesmente passeando na capital. Ela não foi projetada para isto.

Brasília é parte do Gêneses, primeiro criou-se a rua, a casa, a luz elétrica, a água encanada, em seguida as relações e por último o homem. Depois houve descanso. Pasme, leitor, ou confie neste autor: naquele conjunto urbano a condição humana é mínima e, em certo sentido, desnecessária ao progresso desta nossa pungente sociedade. Não! Querida amiga, não tome isto por bravata ou pouca fé de minha parte; deito aqui umas linhas que, se por um lado são frouxas, também são as atitudes de alguns personagens que já são fantasmas – ou quase.

As figuras e personalidades que, de vez em quando, surgem na paisagem brasiliense é porque não tiveram, e nem têm, outra alternativa; seus notabilíssimos arquitetos bem que tentaram evitar que o cidadão comum exale fragrância de sua vida pelo planalto adentro ou respire o ar diplomático, porém alguém há sempre de por lá passar em vontade forçada. Mas só de relâmpago e por conveniência política ou inter-pessoal...

Há muitos anos, Doutor Lacerda foi a uma festa no entorno do Distrito Federal. Encontrou lá coisa diferente da urbe planejada e concebida para ser a “rainha do Planalto Central”. No distrito de Tabatinga, no entanto, entre casas sem o mesmo projeto e perspectiva da famosa vizinha, também alguma violência, achou povo alegre e pouco refinado. Em churrasco de Zé Índio, naquela periferia da unidade da federação, doutor Lacerda esbarrou com moça de pele morena, olhos arredios, semblante desconfiado e que carrega o mesmo nome do pueril local onde nasceu: Paranoá.

Paranoá foi moça bela, exuberante nas formas e pitoresca nos gestos. Foi, porque já é morta. Doutor Lacerda sofreu crise de consciência. Tivera ele um caso com a bela indígena filha de construtores paraibanos que nada conheciam de arquitetura. Contudo, mesmo Lacerda em nada tinha desígnios da FUNAI ou outra entidade defensora daqueles subjugados pela história. De modo que o Distrito Federal também não é lugar para admoestações das angústias humanas – afinal de contas, como já compreendido pelo amigo leitor, não há lá espaço para humanos.

Embora tivesse cadeira na câmara dos deputados, Doutor Lacerda suprimiu a habilidade política e naturalizou o fruto de Paranoá. Nunca soube se a filha que nascera tinha mesmo seu sangue, mesmo assim ele pousou com gosto para os retratos sorridentes e lustrosos de ONG's dirigidas por paladinos da virtude e da justiça republicana.

A criança ainda é bebê; engatinha, chora, depende do pai. Porém dá mostras claras da fascinante herança recebida. Do lado materno, puxou a beleza e a graça selvagem; do deputado Lacerda veio a destreza nos gestos pouco imbecil e nas palavras firmes de caráter balofo que, entretanto, ainda soam confusas por causa da pouca idade. Unânime é a opinião que ela será moça de grande talento, a maior estrela numa constelação brilhante de muitas outras estrelas.

Quem cuida da pequenina Michelle é dona Iasmim. Sim; a menina chama-se Michelle La Bruiderot Lacerda, homenagem a avó galiscista do doutor deputado. Madame Michely criou Lacerda, seu único neto, em um palacete do bairro Peixoto, no rio, depois que os pais do infante morreram num desastre de navio em cruzeiro. A velha permitiu o lado imaturo do órfão, assim como a fragilidade de personalidade, o seu imobilismo e, principalmente, o seu medo da autoridade dela, mas, ao mesmo tempo, incentivou-o à ingenuidade dissimulada e à tirania necessária. Quando, porém, morreu a "vovó mãezinha" francesa, Lacerda já era doutor e, por circunstância dos novos caminhos democráticos da república, foi morar no Distrito Federal.

Casado com a política, ele deixou a filha a cargo de dona Iasmim. Esta senhora não era babá de ofício, mas de vocação. A menina sorria-lhe mais que para o próprio pai. Algumas vezes quis mesmo chamar a mulher de mãe, mas não pode; as crianças reconhecem bem seu destino.

Neste último final de semana doutor Lacerda resolveu visitar o seu Botafogo no velho ‘Maraca’. Saiu de lá tão feliz com o título de "campeão" que resolveu que a filha deveria ser criada no calor humano do Rio de Janeiro e não na impessoalidade de Brasília.

Justamente no dia de hoje ele informou, pagou e agradeceu dona Iasmim pelos préstimos afetivos à Michelle; esta ficou deveras sentida pela separação, contudo, não consta que tenha derramado lágrima. Já a menina, em 3 ou 4 horas, emagreceu, não sorri mais, chama por dona Iasmim, e  incrível! – sente falta dos ares candangos imparciais.

Do “Plano Piloto” não há registro de tese para o sentimento humano – ali deve ser apenas a capital do país, a universidade, a Igreja, toda a gente que construiu a região sabia, e ainda sabe, disto. Realmente são 50 anos em 5... Não obstante, o que não se poderia imaginar é que seja em $5 reais – ou $5 cruzeiros, dependendo da imortalidade do personagem e do tempo.

Já doutor Lacerda, o velho político, tem muitos planos profícuos para sua filha. Sucesso e prestígio; visita-a, sem maiores afagos, de vez em quando... O fruto candango que não vive próximo a árvore que o gerou, e que ainda é muito jovem, cresce a cada dia com frieza de origem e calor artificial... Mas, enfim, seja como for já há até aniversário, porém a menina Michele não sabe se irá comemorá-lo.

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Breve história da cidade de Brasília-DF:


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Em homenagem ao doutor Lacerda, o tradicional e superticioso torcedor botafoguense que queima a camisa, joga-a ao chão, mas nunca abandona seu clube - A 'Estrela Solitária' brilha ainda mais no "Clássico da Rivalidade":


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Embora seja outra história, os vizinhos do doutor Lacerda, em Brasília desde o dia 7 de dezembro de 1987, reclamaram do autor deste blogue atenção ao título do Coritiba Football Club. Entretanto, este texto é sobre assunto diverso deste; a sorte é que aprecio futebol. Além de que não há de fato muitos paranaenses por aquele planalto federal (considerando que todos estão de passagem), de modo que em simpatia aos 'Coxas Brancas', eventuais leitores desta página, e também por serem uns poucos segundos de emoção, apresento-vos o sensacional "Atletiba":


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O leitor candango deve estar decepcionado com este texto em dia tão glorioso à história do Distrito Federal. Também eu estou. Poderia enaltecer mais a ordem e a civilidade da cidade sem povo, ou a coragem, inteligência e genialidade de seus construtores. Oh, quiçá se tivesse ficado apenas naquelas sábias considerações drummondianas; teria apenas ater-me-ido ao desejo prudente de escrever algo belo sobre nossa capital. Mas é que também eu nunca estive lá... Digo tudo, vá! Jamais viveria em uma cidade onde não há esquinas; pois se não  existem esquinas, não existem lá botecos. Eis todo o mal.

Por Ricardo Novais

O Valor do Voto


Charge, "Seu próprio Sombra", do genial cartunista Ique.

Este é ano de Copa do Mundo; todos os corações se inflamam e se alegram. Mas este também é ano importante de eleições para presidente da república, senadores da república, deputados federais, e nos governos estaduais e suas câmaras legislativas; todos os cérebros se fundem à ética e à moral.

Mas qual é a virtude do voto? Se não foi o meu voto quem elegeu o atual presidente... E principalmente, eu não votei em José Roberto Arruda, o governador afastado, atualmente preso e com o mandato ameaçado de impugnação, do Distrito Federal sob acusação de formar um esquema (com muitas pessoas, inclusive aliados políticos dele) para arrecadar dinheiro de propina, conhecido como mensalão do DEM, partido visto como de visão centro-direita. É de ver a constrangedora cena de pastelão cabeluda propiciada por este cidadão careca...

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Este mesmo Arruda, quando era líder do senado no governo FHC, isto no já tão desmemoriado ano de 2001, juntamente com o jaz senador Antônio Carlos Magalhães, negou enquanto pôde envolvimento no escândalo da violação e fraude do painel do senado numa votação para cassação de mandato do ex-senador Luís Esteves, este último também produto candango.

“Não tenho bens pessoais, não tenho cultura, mas tenho honra. Meu filho carrega o meu nome.”, defendeu-se Arruda, com base nesta oratória veemente, no palanque do senado federal, naquela ocasião.

Uma velha doutora o desmascarou, dias depois ele retornou aquele mesmo palanque político, reconheceu o próprio indecoro e renunciou ao mandato para escapar de um processo de cassação dos direitos políticos que lhe deixaria inelegível por muito tempo. Mas como um homem infiel à honra do próprio filho que carrega o seu nome, dissimulado e pérfido publicamente pode ter sido eleito governador de Estado anos mais tarde? E ele ainda estava cotado para ser vice na chapa do candidato à presidência José Serra nas próximas eleições... Será que ele é? Corta o cabelo dele, corta o cabelo dele, corta o cabelo dele. Hum...

O voto de massa é inútil ou atende um grupo manipulador de opiniões. Por exemplo, não fosse a presteza da Princesa Isabel, ou a pressão sofrida pelos imperiais, a sociedade brasileira da época jamais teria declarado a abolição da escravatura, pois de nada interessava aos homens atuantes daquela sociedade e seus direitos de propriedade.

O valor do voto da maioria é tão somente conveniência. Apenas um homem que declara sua liberdade com relação aos direitos e às suas obrigações pode ter consciência do bem-estar da sociedade.

As eleições políticas surgem como um jogo inútil ao povo e perfazem, como dito, conveniência política, de classe ou de pensamento; e, como todo jogo, há também apostas. E o risco inerente numa aposta está intrinsecamente ligado ao cavalo que disputa o páreo. Qual a virtude dele? Correr e chegar à frente do outro.

Nesta nossa sociedade há muitos defensores da virtude, mas poucos virtuosos. Homem virtuoso é aquele que tem senso de consciência, é aquele que conhece a si mesmo e sabe do que é capaz. Quantos cidadãos têm consciência de quem realmente são neste país?

Por que, então, eu deveria me submeter à vontade da maioria sem consciência e que reduz seu direito de voto a escasso senso de justiça?

Do Distrito Federal e dos principais Estados da Federação vêm o burburinho que estão escolhendo o próximo candidato à presidência da república, barulho formado nomeadamente por jornalistas e marqueteiros políticos. Mas que importância tem isto para qualquer homem consciente e virtuoso?

A sociedade vive manifesta ausência de intelecto e alegre exuberância consumista.

O valor do voto recai sobre os escravos do governo, os demagogos aproveitadores, os hipócritas defensores da virtude e os cidadãos sem consciência; o voto destes homens tem o mesmo valor de um estrangeiro irresponsável ou de um empresário desonesto.

Não me parece dever de ninguém corrigir qualquer injustiça, por mais cruel e assombrosa que ela seja. Mas é dever do homem se abster de patrocinar tal injustiça ou de apoiá-la nos ombros de outro homem.

Aos brasileiros que, como diria Thoreau, “tem uma espinha nas costas que não se deixa dobrar” o voto nas próximas eleições de nada vale.

O próximo presidente pode ser um careca, ou serão dois?

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Por Ricardo Novais

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