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O poder feminino

Presidenta do Brasil discursando sob olhar atento da vice-Primeira-Dama.
ERIB 
– Arte e montagem de Tuca Zamagna, sob foto da Agência Brasil.

Qual teria sido a primeira mulher que deixou a cuia na fogueira, os filhos na caverna, usou uma lança e aderiu ao masculino esporte de caçar na selva? A essa corajosa pioneira dedico este texto como sincera homenagem. Tudo o que aconteceu depois é mera sequela da vaidade humana e o seu ideal mais sublime: ganhar a vida por conta própria. Durante séculos as mulheres brigaram com os homens para competirem nesta nobre e vital missão. Eis o estatuto universal.

Guerrilheiras, revolucionárias e feministas se martirizaram em busca da sagrada independência feminina. Hoje, finalmente, graças ao sacrifício dessas idealistas, todas as mulheres do mundo conseguiram o direito de morrer de trabalhar. Tudo pela competição, leitor; viver é competir.

Os homens – ignorantes como sempre – resistiram enquanto puderam. Bobagem. Na hora em que os primeiros capitais entraram no caixa doméstico, o pragmatismo derrotou a religião, superou os preconceitos e insurgiram na política das mais altas esferas. A mulher de poder é filha do capitalismo – selvagem ou domesticado. Como tal, pode ser estudada segundo os elevados parâmetros éticos do sistema, praticados nas bolsas de valores, nos salões elegantes, em concursos para miss, em balcões de recepção, em jardins de bulevares ou nos cafés de vias públicas.

O leitor varão que deixe os seus ideais masculinos de lado e permita a convivência com alguém que fature tanto ou mais que o seu dia de labuta; pense na segurança de toda a família, na liquidez e na rentabilidade do poder feminino. Deixe de lado também o coração. Charme, sensualidade, beleza de nada valem. O que conta mesmo é a fascinante cadeira na sala de jantar. E a cadeira da mulher poderosa só pode ser presidenciável.

Por Ricardo Novais

Dia da Mulher



Hoje é dia da mulher. Mas todo dia é dia da mulher, salvo aquele 1/4 de dia voltado ao futebol e à cerveja...

Parabéns, queridíssima leitora, que admiro tanto e meu sentimento chega a ser maior que a própria amizade que lhe guardo. Admito, fascina-me!

A atração é forte. O sexo... Tudo mágico, maravilhoso, estonteante. Paixão, fulminante, que cresce mais a cada dia num pobre e confuso coração. É a tal da paixão do amor... Viver o amor por uma só mulher, junto ao desejo de ser amado com exclusividade por ela; entretanto, é prudente e, sobretudo, sublime também o amor à várias mulheres.

A mulher de minha vida!

Ainda que haja sofrimento e inquietação, a minha alma está em contínuo aprendizado e o leque da vida se abre espetando fina agulha nesta mesma alma, costurando assim o manto de retalhos que me cobre.

São pontos de agulha enfiada à flor da pele, que tira sangue muito vermelho e que não se estanca com facilidade. Mas, e para vossa senhoria, estimado senhor leitor; qual a linha que remenda sua alma? A dona leitora é mais sábia, percebe e ajusta as fardagens antes que se rasguem...

A mulher é o diamante bruto e o diamante lapidado; o primeiro a descobrimos é o diamante bruto, depois percebemos, quando o diamante é lapidado, que estávamos enganados. Boa teoria. Uma corruptela!

Antes eu era incapaz de compreender o pensamento feminino, logo, incapaz de compreender a parte verdadeiramente bela deste mundo. Ó manto de rendas, que tanto fascinas! Mais tarde eu, por certo, constatarei irrefutavelmente: cada mulher que conheci dará um ponto de agulha para emendar esta minha alma rasgada...

Sendo sincero à minha amiga, de todas estas mulheres que conheci e conhecerei eu menti e mentirei, enganei e enganarei, dissimulei e dissimularei, mas, possivelmente, mentiram-me e mentirão a mim, enganaram-me e enganarão ou foram e serão desleais comigo. Ainda assim, quero viver tudo que já vivi e tudo que nem mesmo vivenciei ainda, tudo novamente, se isto me for concedido.

Talvez a minha esperança seja enterrar as mulheres que tanto amei ou ainda amarei, posto que mais à frente a vida não vá me reconhecer... E eu não quero ficar velho caçando algum pensamento passado que não arranje jeito de se encontrar com minhas adoráveis e tão encantadoras amigas que tanto impressionam-me. Deveras, querida leitora, impressionas tanto ou mais que aquelas tecelãs nova-iorquinas mortas, terrivelmente carbonizadas num incêndio provocado por homens incapazes de compreender a alma feminina, em 8 de março de 1857.

Enfim, a vida continua a girar e estarei sempre com minhas queridas mulheres; ou, falando de uma outra maneira, todos nós estamos sempre entre dois caminhos. Um mais possível que o outro, mas sempre entre dois caminhos.

- De onde eu te conheço?

- Dos teus sonhos, talvez!

- E o que quer fazer pelo resto de seus dias?

- Hum... É; não sei. Mas sei o que faremos hoje!

- Garota bonita, fica comigo...

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Por Ricardo Novais

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