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Santos FC, Eneacampeão do Brasil!


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Robinho, Príncipe da Vila, beijando a taça da Copa do Brasil 2010. Foto: Marcos Ribolli.

A noite santástica de ontem já entrou para a história do futebol brasileiro. Ao derrotar o Vitória, da Boa Terra, e conquistar pela primeira vez a Copa do Brasil, o Santos Futebol Clube sagrou-se eneacampeão de futebol no país – igualando feitos de Flamengo e Palmeiras. A gloriosa galeria de títulos do alvinegro praiano é das mais vitoriosas dentre todos os clubes do mundo. Sim, amigo leitor-torcedor, conta-se no memorial famoso de Vila Belmiro cinco conquistas de Taça Brasil, 1961, 1962, 1963, 1964 e 1965; uma Taça Gomes Pedrosa, 1968; dois Campeonatos Brasileiros, 2002 e 2004; e este muito bem-vindo título da Copa do Brasil, 2010.

Saber que o glorioso Santos Futebol Clube é campeão nacional pela nona vez é uma sensação de prazer indescritível, tomado de um momento raro, especial de todo, que causa-me quase sentimento de avareza.

Torcedor comum sonha em ver o seu time de coração o melhor do mundo, vencedor em seus domínios, conquistando títulos e títulos, jogando o fino da bola, futebol artístico que encanta todo o país e faz vibrar contente e orgulhoso os apaixonados alvinegros das arquibancadas da vida. Mas isto é para poucos privilegiados... Ah que sorte! Há de ser Santos, sempre Santos. Motivo de todo meu riso, de minhas lágrimas e emoção... Ah que sorte, meu time é eneacampeão; e o teu?

Campanha Santista na Copa do Brasil foi espetacular, a verdadeira e autêntica Máquina de Futebol Arte. Dá-lhe Peixe! Dá-lhe Peixe! Dá-lhe Peixe!... Nove vezes Peixe!


Por Ricardo Novais

Robinho, Príncipe da Vila

"Fica, Robinho!" Foto: Caio Guatelli/Folha Imagem.

Todo reino tem lá seus castelos, suas cortes com reis, príncipes, duques, condes, viscondes e arquiduques e demais fidalgos, todos com seus criados e pajens, protegidos por cavaleiros, guerreiros e arqueiros, todos perfazendo fortaleza inexpugnável.

No castelo da Vila Belmiro há monarca eterno: é claro que estou falando do soberano Pelé, o Rei do Futebol. Mas naquele mundialmente famoso reino nasceu também um certo príncipe, único, sublime, que encanta pela inteligência e emociona pela bravura: ele é Robinho, o Príncipe da Vila.

Sim, tem razão senhor torcedor da geração X. Em terra de rei que brilha como sol absoluto (não confundir com o absolutismo feito por boleiros franceses), houve império de muitos e muitos príncipes extraordinários num passado glorioso; é verdade! Época áurea do futebol mágico e romântico, já vai tempo... No entanto, Robinho foi enviado à corte coberta com grama pelas mãos de um Messias. Foi Giovanni, o G-10, a maior influência deste fidalgo jogador; só isto já bastava para nada mais questionar sobre a valorosa entrada deste príncipe entre outros perpétuos homens heróicos daquele nobre salão. Mas além de tudo, são as inúmeras batalhas vencidas pelo genial Robinho que o consagram.

Lembro-me como se fosse hoje. Era um domingo, final de Campeonato Brasileiro. O dia era  15 de dezembro de 2002, mas poderia ser qualquer outro; não fosse o fato de que o Santos não tinha uma conquista importante fazia 18 anos anos e o adversário era o Corinthians, sempre inimigo e traiçoeiro. Das arquibancadas do Morumbi naquela tarde via-se, embora a longo alcance de visão, Robinho pegar a bola na intermediária esquerda de ataque, carregá-la como se ela fosse uma pequenina criança e os pés fossem delicadas mãos que a tratavam com luvas de pelica, veio o zagueiro-lateral corintiano, surpreso, assustado – digo tudo, vá! – Rogério tinha temor nos olhos, e, observando seu algoz, quase paralisado, tentando afastar-se como um rato acuado, viu à frente... as inesquecíveis pedalas.

Robinho pedalou oito vezes na frente de Rogério, entrou na área e foi derrubado. Pênalti! Foi para bola, encarou Doni (este mesmo que vai à Copa da África mês que vem), cochichou algo carinhoso ao escudo pregado na armadura santista e... gol! Aliado a este lance mágico, ele também criou as jogadas dos outros gols do Santos naquele jogo, e que levou a sofrida torcida peixeira a gritar uma frase de alívio presa à garganta há tempos: "É campeão!". Dois anos depois  deste dia glorioso, Robinho novamente carregava o título Brasileiro, o de Bicampeão, para a galeria de triunfos da realeza de Vila Belmiro.

Ontem, pela semi-finalíssima da Copa do Brasil, contra o bravo Grêmio Porto-alegrense – aliás, onde estão aqueles cronistas gaúchos com quilômetros de língua? Amarem-na com fita azul! – o Santos venceu por 3 a 1. Como eu disse antes, a corte santista é audaciosa; o ‘novo messias’ Ganso fez golaço, e o sempre excelente Wesley, revelado na Vila Famosa, fez outro grande gol de habilidade e velocidade. Robinho, demonstrando incrível categoria, encobriu o goleiro gremista com mágica e foi saudar seu herdeiro que estava entre súditos. A torcida, por sua vez, balançou com afinco as flâmulas alvinegras, os choros de alegria deram lugar a um coro: "Não  vá, não volte à Europa, querido príncipe! Fique, Robinho!" Conquanto que o arauto declarou: "Que noite memorável!".

Façamos um trato, amigo torcedor. Para que este afetado autor recupere-se de tanta emoção,  o texto termina por aqui e em troca ficaste, em vídeo abaixo, com lances do futebol mais magnífico jogado hoje no Brasil.

Melhor, não é mesmo? De modo que a seguir algumas imagens de uma batalha vencida pelo implacável Príncipe da Vila e que levou o Santos FC à sua primeira final de Copa do Brasil:



Por Ricardo Novais

Senhoras e Senhores, Aplausos!


O presidente do Santos FC, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, apaga as velinhas do bolo comemorativo aos 98 anos de fundação do clube, que é um dos maiores do mundo. (Lance!net - Foto: Ari Ferreira).


Semana Especial Santos FC: É, meu amigo, se vossa senhoria é leitor deste blogue e não torce pelo Santos Futebol Clube está mal arranjado; ou bem, dependendo se aprecia o futebol e se acha que este esporte é manifesta arte em forma de jogo - jogo bem jogado.

E em matéria artística o clube da Vila tem renome de boa crítica do público há tempos, em platéias das mais diversificadas, nos maiores palcos da Terra... Sempre brilhando, uns artistas foram maiores que outros, de outras temporadas, mas a companhia que promove o espetáculo sempre se apresenta envolto em manto alvinegro, sublime, impecável na áurea iluminada que encanta... Encanta deveras!

Ontem, jogo válido pela Copa do Brasil entre Santos x Guarani, na Vila Belmiro, na festa de aniversário de 98 anos do clube, o Peixe goleou o pobre Bugre de Campinas por impiedosos 8 a 1 (Neymar marcou 5, Robinho 2 e o outro gol do glorioso foi de Marcel; Moreno descontou para os bugrinos, que tem time incompatível com a tradição do Guarani FC). PH Ganso foi quem deu o ritmo da festa e o único marcador do meio-campo, Arouca (obrigado São Paulo!, obrigado Fluminense!), preparou o salão para o festim artístico. Foi um show incrível! Isto mesmo, mais uma apresentação digna de reverência entre os maiores espetáculos deste mundo.

Robinho (fez 2) e Neymar (fez 5) saúdam a torcida. Senhoras e senhores, aplausos! (Lance!net - Foto: Ari Ferreira).

Teve bolo, meninos alegres, Robinho vestindo a camisa nº 200 (comemoração das 203 partidas dele pelo alvinegro praiano), o 'eterno' lateral-esquerdo Léo também vestiu o fardamento de nº 98 (alusão ao aniversariante da noite), torcida entoando um clássico "Parabéns pra Você" em meio a um olé aqui outro acolá, e especulação vinda do Real Madri. O presidente Luís Alvaro de Oliveira foi categórico num espanhol simpático: "No!".

Robinho comemorou a marca de mais de 200 partidas defendendo as cores santistas. (Lance!net - Foto: Ari Ferreira).

Não há como deixar de reconhecer o esquema tático montado pelo técnico Dorival Junior. Mais que isto: reverenciá-lo. O Santos tem um time encaixado, treinado com precisão cirúrgica para atacar o adversário. O leitor perdoe-me por ser propositalmente repetitivo, é mesmo para ecoar com gosto na mente, mas devo dizer que "depois de assistir o Santos jogar, os outros times ficam tão sem graça"...

Veja aí, querido torcedor, se meu deslumbramento é descomedido:


Ah, claro, ainda teve a 'cereja do bolo' de aniversário. Os espectadores mal puderam acreditar no lance belíssimo proporcionado pelo jovem e talentoso meia santista Paulo Henrique, o Ganso:


Quantos títulos o Santos FC conquistará, se é que vai conquistar, pouco importa; é um prazer vê-lo jogar. Obrigado 'Meninos da Vila'! O torcedor anda mais feliz, sorri ao "corintiano da padaria" com imensa alegria e satisfação, e deixa-lhe uma formidável gorjeta.

Parafraseando o cronista antigo na Copa de 1982: se Santos não vencer campeonato algum este ano, azar do campeonato!

Já podem aplaudir; desçam as cortinas, até o próximo espetáculo.


Por Ricardo Novais

É 'Santástico'! É 10!


Foto: Agif/Folhapress. Robinho fez lindo gol por cobertura no goleiro Aldo.

Eu sei que o Flamengo (sem o seu 'imperador') e o Corinthians jogaram ontem em jogos mais competitivos na disputa acirrada pela Taça Libertadores da América 2010 - o rubro-negro ainda conseguiu vencer na Venezuela, já o time do Parque empatou lá na Colômbia... No entanto, a noite de ontem foi histórica inevitavelmente por causa dos 'Meninos da Vila'. Noite memorável para todos aqueles que apreciam um bom jogo de futebol, noite 'santástica'!

10 de março de 2010, 10 gols. Enigmática Vila Belmiro, do Santos Futebol Clube, todo de branco como fantasmas assombrosos, no gramado onde já pisou o maior 'camisa 10' de todos os tempos, o rei Pelé.

Aqueles que viram o Santos dos tempos gloriosos jogar certamente estão encantados. Obviamente, não cabe aqui comparações nem com a primeira geração nem com a segunda dos 'Meninos da Vila' e, muito menos, com o melhor time de futebol que já surgiu sob a face da Terra, a melhor linha de ataque que já existiu nos gramados do mundo: Zito, Dorval, Mengálvio, Edu, Coutinho, Pelé, Pepe, Pagão... Vamos parar por aqui que as linhas são curtas para tantos craques. Basta dizer: Os "11 fantasmas brancos" (alusão ao fardamento) são insubstituíveis!

Mas este Santos que jogou ontem pela Copa do Brasil, goleando o modesto Esporte Clube Naviraiense por 10 a 0 (Robinho, Neymar e André deram espetáculo à parte), é o mesmo time que anda dando show no Campeonato Paulista, que por certo entrará na disputa pelo Brasileiro 2010 fascinando os torcedores do país inteiro ou que jogaria em qualquer competição futebolística do mundo com a mesma naturalidade e mágica. Se o Peixe será campeão? Não sei. Quer saber de uma coisa, amigo torcedor, pouco importa se os 'Meninos' vencerão algum título este ano. Eles devolveram a alegria a um esporte apaixonante que caminhava a passos largos para o tédio de 'escolas' táticas prágmáticas e sem graça. Hoje a Vila Belmiro vive cheia, o Pacaembu vive lotado, todos os estádios brasileiros querem receber os peixeiros, as pessoas param para ver a equipe alvinegra jogar, seja ou não seu torcedor, por puro prazer. Sou grato, amigos santistas, por proporcionarem um espetáculo incrível, épico mesmo, aos meus olhos. Belíssimo!

Veja a goleada de ontem na 'Vila Famosa' que foi, como diria o cronista,"com requintes de crueladade":

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É... Mas tudo tem o outro lado. A esperança nunca é tanta que jamais se acabe, e, a este redundante cacófato, acrescenta-se o vislumbramento do que poderia ter sido, mas não foi, do que se sonhou, mas não se realizou, enfim, daquilo que ficou estacionado, parado nos primeiros estágios; incompleto!

Esporte Clube Naviraiense, o Jacaré não morreu na praia de Santos:

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O Naviraiense sonhou e não viu a cor da esperança nem da bola, mas não foi sua culpa. É como eu disse noutro dia: Depois de ver o Santos jogar os outros jogos ficam tão sem graça...


Por Ricardo Novais

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